Quinta-Feira, 01 de Outubro de 2020

Política
Sexta-Feira, 24 de Janeiro de 2020, 08h:15

SABOTAGEM

Bolsonaro descarta desmembrar Segurança, mas ressalva que "em política tudo muda"

Jô Navarro

Marcos Corrêa/PR

Ao chegar em Nova Déli, na India, o presidente Jair Bolsonaro foi questionado por jornalistas sobre a recriação do ministério da Segurança. Ele recuou e disse que "em time que está ganhando não se mexe".

Perguntado se a mudança está descartada, saiu-se com esta:

"A chance no momento é zero. Tá bom ou não? Tá bom, né? Não sei amanhã. Na política, tudo muda, mas não há essa intenção de dividir [o Ministério da Justiça]. Não há essa intenção".

O movimento para sabotar o ministro Sergio Moro, campeão de popularidade no Brasil e no mundo, tem origem em Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara. Ele admitiu que propôs o desmembramento da Segurança Pública em agosto, durante uma reunião com o presidente, na presença do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Presidência da República

Na última quarta-feira secretários estaduais de Segurança reuniram-se com o presidente Jair Bolsonaro e apresentaram a proposta. Segundo noticiado pela revista Crusoé, foi tudo combinado. Duas horas antes do início da reunião os secretários foram avisados que a recriação do Ministério da Segurança seria discutida na reunião. O 'pedido do colegiado' foi articulado pelo Planalto. Na verdade, parte do colegiado, que estava incompleto, foi contra a proposta.

Reação

A reação contrária à proposta de cisão nas redes sociais veio rápido. O presidente começou a ser apontado como 'traidor' de Sergio Moro, que abriu mão de 22 anos de carreira para comandar o MJSP. Em um ano no governo, Moro 'perdeu' o Coaf, o presidente não se empenhou para aprovar seu projeto anticrime e não vetou o juiz de garantias, manobra para blindar políticos corruptos.

Diante da repercussão negativa, o presidente hoje recuou, mas fez uma ressalva: "em política tudo muda", deixando a porta aberta para os que articulam abertamente contra o ministro Sergio Moro e estão apavorados com a ideia de sua indicação para o STF ou, o que é pior para muitos, enfrentá-lo nas urnas em 2022.

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