Domingo, 25 de Agosto de 2019

MPE
Segunda-Feira, 15 de Julho de 2019, 08h:31

GRAMPOLÂNDIA PANTANEIRA

Cabo Gerson relatou suposto conluio entre promotores, procuradores e juízes em MT

O cabo da Polícia Militar Gerson Correa Júnior relatou fatos que colocam sob suspeita promotores e procuradores de Justiça, bem como juízes do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Da Redação

Segundo declaração do cabo Gerson em um Processo Administrativo (PAD), eles também estariam envolvidos em escutas ilegais de modo a “viabilizar” investigações e ações judiciais. O PAD foi interposto pelo cabo Gerson com o objetivo de obter acordo de colaboração premiada com o Ministério Público em Mato Grosso.

Em despacho datado de 5 de julho, o Procurador de Justiça e coordenador do Núcleo de Ações de Competência Originária Criminal (Naco), do MPE-MT, Domingos Sávio de Barros Arruda, revela que o cabo Gerson apresentou documentos e provas que apontam a existência de “manipulação seletiva de áudios e vídeos” em operações do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), coordenado pelo MPE-MT, e a omissão de resultados de auditoria do Guardião - um sistema oficial utilizado pelo Gaeco para a realização de interceptações telefônicas no âmbito de investigações do órgão. O PM também revela a expedição de ordens de serviço pelos promotores do Gaeco para promover a “reunião de dados no intuito de dar regularidade” das informações obtidas nas interceptações telefônicas. O PM denunciou ainda a existência de uma 'verba secreta' em benefício do Gaeco e um suposto conluio entre promotores, procuradores de Justiça e juízes em escutas ilegais que teriam sido realizadas na operação Metástase, que teve como alvo o ex-deputado José Riva. Escutas ilegais teriam sido usadas também nas operações Arqueiro e Ouro de Tolo, que culminaram na prisão da ex-primeira dama Roseli Barbosa.

Apesar disso, o coordenador do NACO recusou acordo de delação premiada alegando em seu parecer que as provas apresentadas não são inéditas, além de explicar que Gerson Correa realizou várias “conjecturas” e “insinuações”. “Diante disso pergunta-se: como celebrar um negócio jurídico com o requerente se, ao final e ao cabo, os elementos por ele trazidos não terão resultado útil algum em eventual Ação Penal? Por que seria interessante ao Ministério Público concordar com a concessão de um benefício ao delator, prestes a ser condenado, em vista do pouco - e inverossímil - que por ele é oferecido?”, argumentou o procurador.

Inquéritos
Inquéritos que apuram a “Grampolândia Pantaneira” tramitam na 7ª Vara Criminal e na Justiça Militar.

O desembargador Orlando Perri é responsável pelos inquéritos que envolvem promotores de Justiça e magistrados.

O esquema de grampos clandestinos funcionou entre 2014 e 2015 e era operado pela Polícia Militar em Mato Grosso, segundo consta na investigação policial. O esquema foi denunciado à Procuradoria-Geral da República pelo promotor de Justiça Mauro Zaque, ex-secretário de Estado de Justiça.

Foram alvos dos grampos políticos, advogados, médicos, jornalistas e até membros do Judiciário. Os telefones foram incluídos em uma investigação sobre tráfico de drogas que teria o envolvimento de policiais militares. O grampo ocorreu, assim, na modalidade conhecida como 'barriga de aluguel'. (Com informações do GD e Folhamax)

 

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