Quarta-Feira, 16 de Outubro de 2019

Mato Grosso
Domingo, 22 de Setembro de 2019, 12h:36

ALMT

Sessão secreta para oitiva de Funaro em CPI relatada por suspeitos

Funaro pagou R$ 1 mi para compra de fazenda em nome de Janaina Riva, enquanto Nininho e Carlos Avalone foram delatados por Silval Barbosa e José Riva

Jô Navarro

ALMT

Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Sonegação e Renúncia Fiscal na ALMT

A sessão secreta da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a sonegação e concessão de incentivos fiscais foi relizada a portas fechadas, sem permissão para que a imprensa acompanhasse o depoimento de Lúcio Funaro na última quinta-feira (19). Votaram favoráveis à sessão secreta a deputada Janaina Riva (MDB), Dilmar Dal Bosco (DEM) e Ondanir Bortolini “Nininho” (PSD). Apenas Wilson Santos votou contra.

Lúcio Funaro chegou com vários documentos nas mãos, saiu sem nenhum. Apesar disso Wilson Santos negou o recebimento de documentos pela CPI.

ALMT

Lúcio Funaro

 

Funaro é o elo entre a J&F, empresários e políticos mato-grossenses. Alvo da Operação Lava Jato, Funaro declarou em depoimento no dia 28 de agosto à CPI do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na Câmara dos Deputados, que o empresário Joesley Batista, do grupo empresarial J&F, omitiu declarações em sua colaboração premiada firmada perante o Supremo Tribunal Federal (STF), relacionadas à fraude de pagamentos do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias em Serviços (ICMS). A fraude estaria vinculada ao pagamento de propina a agentes políticos para favorecimento indevido a um empresário várzea-grandense, que seria responsável pelas articulações que viriam a favorecer o grupo J&F.

Neste domingo o jornal A Gazeta noticia que a fazenda Bauru, em Colniza, foi adquirida com R$ 1 milhão depositado por Lúcio Funaro. Os compradores são o ex-deputado José Riva e o ex-governador Silval Barbosa, que é o sócio oculto da propriedade (segundo depoimento de ambos). A fazenda Bauru está registrada em nome da deputada estadual Janaina Riva filha de José Riva.

Suspeição
Apesar de terem os nomes ligados a empresas investigadas, os deputados Nininho e Carlos Avalone são relatores da CPI. Nininho é o relator-geral e acumula a sub-relatoria da mineração. Carlos Avalone (PSDB) é sub-relator de combustível, Max Russi (PSB) do agronegócio e a deputada Janaína Riva (MDB) sub-relatora de frigoríficos. A sub-relatoria dos incentivos fiscais é sub-relatadaeita pelos 5 deputados titulares da CPI.

O deputado Nininho e a Trípolo Engenharia foram condenados em julho por improbidade administrativa, caracterizadas em enriquecimento ilícito, prejuízos ao erário e atentado contra a administração pública. A decisão é do juiz Victor de Carvalho Saboya Albuquerque, doTribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1ª) de Rondonópolis, que determinou a suspensão dos direitos políticos do deputado por três anos.

Sobre o deputado Nininho, o ex-governador relatou que foi procurado por ele em 2011, para que o governo assinasse a concessão da rodovia e a autorização de cobrança de pedágio. Em contrapartida, o parlamentar teria pago R$ 7 milhões de propina ao ex-governador. O deputado nega as acusações.

Carlos Avalone foi denunciado pelo ex-governador Silval Barbosa, que em sua delação, afirma que Avalone e seus irmãos, que são sócios na construtora Três Irmãos, pagaram propina com um cheque sem fundo.

Considerando este histórico, não foi surpresa a decisão de realizar a oitiva de Lúcio Funaro a portas fechadas. Numa investigação séria, parlamentares sob suspeita jamais deveriam fazer parte da comissão.

 

Comentários

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!

LEIA MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO