Sábado, 22 de Setembro de 2018

Mato Grosso

Quinta-Feira, 08 de Março de 2018, 08h:43

OPERAÇÃO BERERÉ

Riva acusa ex-chefe da Casa Civil de dividir propina do Detran com deputado

GLÁUCIO NOGUEIRA A Gazeta

Reprodução

Paulo Taques e José Riva

O ex-deputado José Riva afirmou à Polícia Civil que teria ouvido do deputado Mauro Savi (PSB) a informação que o parlamentar dividia o dinheiro da propina oriunda do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/MT).

Aos delegados que atuam nas investigações da Operação Bereré, o ex-presidente da Assembleia Legislativa relatou que Savi lhe contou que o rateio incluía o atual chefe do Legislativo, Eduardo Botelho (PSB), o ex-deputado federal Pedro Henry e o advogado e ex-secretário de Estado Paulo Taques. Savi, Botelho e Taques negam o fato. A reportagem não conseguiu localizar Henry.

Riva foi ouvido no dia 22 de fevereiro pelos delegados Márcio Moreno Vera e Alexandra Fachone, que trabalham na Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz). O ex-deputado foi convidado a depor na condição de testemunha e não figura entre os investigados do esquema de cobrança de propina em um contrato firmado em 2009 pela EIG Mercados (antiga FDL) com a autarquia.

Riva afirmou que em 2010 foi procurado por Savi, que teria revelado a ele sua participação em um esquema de propinas no Detran. O parlamentar teria oferecido uma parte no “negócio” para Riva, que alegou aos delegados não ter se interessado e nem procurado novamente por Savi para avançar na concretização dos repasses.

Já em 2014, ao ser novamente procurado por Savi, que teria pedido ao hoje ex-deputado dinheiro para financiar sua campanha, Riva negou a ajuda. O argumento usado foi o de que Savi “já recebia muitas propinas do Detran”.

Em resposta, Savi teria dito que “as propinas do Detran não ficavam só para ele, eis que tinha que dividi-la com Pedro Henry, Eduardo Botelho e até para Paulo Taques”.

A existência do suposto esquema foi revelada no dia 19 de fevereiro, com a deflagração da Operação Bereré, pela Polícia Civil e Ministério Público Estadual. Até o momento, 49 pessoas figuram na condição de investigadas e a Justiça determinou o bloqueio de R$ 27,7 milhões dos suspeitos, montante que os responsáveis pela investigação acreditam terem sido desviados.

Outro lado

Mauro Savi negou ser beneficiário de esquema bem como que tenha mantido tal conversa com Riva. Destacou que irá se pronunciar no âmbito do inquérito, quando ele for instaurado. Já Paulo Taques, ao negar a acusação, afirmou que, na época, sequer conhecia Savi.

“O Senhor Riva está mentindo e deve estar confuso com tantos fatos criminosos para se lembrar”, disse. Por fim, Eduardo Botelho, que também negou ser beneficiário da suposta propina, disse que Riva “falou besteira”. A reportagem não localizou Pedro Henry. 

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