Quarta-Feira, 12 de Agosto de 2020

Mato Grosso

Domingo, 02 de Agosto de 2020, 08h:38

ELEIÇÕES

O desenho eleitoral de 2022 visando as eleições de 2020

Cícero Henrique

Reprodução

Diante da pandemia do coronavírus o assunto eleição ainda é uma incógnita e deixa muitas perguntas sem respostas.

O fato é que o Tribunal Superior Eleitoral já decidiu sobre as eleições de 2020. Diante desse quadro os partidos estão se organizando e montando suas chapas.

A disputa eleitoral de 2020 começa a se desenhar na disputa eleitoral de 2022. À primeira vista, pode parecer estranho — e, de fato, é. Entretanto, se para as lideranças municipais o importante é mesmo a disputa para prefeito e vereador, para as cúpulas estaduais é crucial a estruturação ou reestruturação de bases político eleitorais para o pleito seguinte, daqui a dois anos e dois meses (a desincompatibilização será daqui a um ano e oito meses).

Em termos políticos, o que vai mesmo acontecer em Mato Grosso em 2022? Ainda não se sabe. Mas, com as informações atuais, dá para sugerir um, dois ou mais cenários. A tendência é que o governador Mauro Mendes (DEM) dispute a reeleição, porque está bem avaliado — ancorado na sua imagem de gestor rigoroso e honesto. Os que cobram “obras” parecem não perceber que os eleitores associam “grandes obras” com corrupção. Desde já, quase sempre nos bastidores, está trabalhando para fortalecer suas bases, ampliando-as.

As oposições terão candidato a governador.

O PT pode bancar o deputado estadual Lúdio Cabral. Mas também pode compor. O partido perdeu força em todo o país, inclusive em Mato Grosso. Mas tem tradição política no Estado. A tendência é que se alie com alguém que se coloque como oposição ao presidente da República, Jair Bolsonaro, que deve ser candidato à reeleição. O MDB se tornou um partido relutante em termos nacionais, deixando o barco correr livre, até porque, no geral, não lança candidato presidencial. Isto desagrada o PT, que gostaria de ter seu apoio para presidente, o que, no Cerrado, levaria ao apoio ao emedebismo.

O senador Wellington Fagundes já informou que pretende disputar o governo do Estado. O partido endossa seu projeto político. Mas quer trabalhar para a formatação de uma ampla frente política.

O principal objetivo de Carlos Bezerra (MDB) não é lançar candidato ao governo. Mas o que vai definir o projeto será o quadro político que se encontrará em 2022. Se Mauro Mendes estiver muito bem, a tendência é que se forme uma frente ampla para apoiá-lo.

O PSDB está desgastado, em virtude de ter perdido a eleição e dos processos judiciais, articula mais na sombra. O partido está dentro da cova, mas ainda não foi enterrado. Se um veterano disputar o governo em 2022, será a pá de cal. Aí os eleitores enterrarão o partido em definitivo. 

A verdade é que os partidos estão buscando novas lideranças com densidade político e eleitoral e com boa aceitação popular.

Portanto, 2022 já chegou, e antes de 2020. O que mostra, de certo modo, que a política é sempre surrealista.

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