Sábado, 21 de Outubro de 2017

Ninguém está seguro em MT após delações de SB e José Riva | Caldeirão Político

Mato Grosso

Segunda-Feira, 18 de Setembro de 2017, 10h:54

LAVA JATO PANTANEIRA

Ninguém está seguro em MT após delações de SB e José Riva

Jô Navarro

Reprodução/ALMT

O ex-governador de MT Silval Barbosa e o ex-deputado José Riva.

O clima de apreensão predomina na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) nesta segunda-feira. A incerteza sobre as consequências da operação Malebolge, realizada na semana passada, causa preocupação para deputados investigados e entre os servidores comissionados dos respectivos gabinetes.   

A PF e representantes do MPF recolheram farto material nos gabinetes dos deputados Gilmar Fabris (PSD), Nininho (PSD), José Domingos Fraga (PSD), Baiano Filho (PSDB), Wagner Ramos (PSD), Silvano Amaral (PSD), Oscar Bezerra (PSB) e Romualdo Filho (PMDB).  Todos estes deputados eram da base aliada de Silval Barbosa. A partir de 2015 o mesmo grupo passou a apoiar Pedro Taques (PSDB), que hoje precisa lidar com uma base que se tornou uma 'pedra no sapato'. Pedro Taques, que já declarou que disputará a reeleição em 2018, precisa reavaliar sua equipe de governo.     

Desde a última quinta-feira, 14, os documentos são analisados e novas operações podem ocorrer ainda nesta semana.   Os pedidos de afastamento de deputados, da prefeita de Juara Luciane Bezerra e do prefeito de Cuiabá, ex-deputado Emanuel Pinheiro, foram negados pelo ministro Luiz Fux na semana passada. Segundo uma fonte do Caldeirão Político (CP), os mandados de busca e apreensão em 63 endereços dos investigados têm potencial para modificar o entendimento do ministro Luiz Fux, que pode autorizar o afastamento dos investigados.   

Na sexta-feira, 15, foi decretada a prisão preventiva e afastamento do polêmico deputado estadual Gilmar Fabris, sob justificativa de suposta obstrução à Justiça. Ele foi interrogado na superintendência da PF em Cuiabá e levado para o CCC, onde permanece preso. A ALMT deve ser notificada hoje da prisão e se articula para votar, em sessão extraordinária, se autoriza ou não a prisão.   

Ainda segundo uma fonte do CP, Gilmar Fabris seria alvo, também, de uma investigação criminal não relacionada à atuação parlamentar, que acontece paralelamente à operação Malebolge.    

A operação Malebolge é decorrente do acordo de delação premiada firmado pelo ex-governador Silval Barbosa, familiares e auxiliares.  

Além das consequências da 'delação de Silval', vem aí a delação de José Riva, com potencial para atingir todos os Poderes. Riva alternou entre a presidência e primeira-secretaria da ALMT durante 20 anos. Depois de preso, José Riva começou a colaborar com a justiça. Foi condenado em março deste ano a 21 anos e 08 meses de prisão, com 516 dias multa, por peculato e lavagem de dinheiro em um dos processos oriundos da "Operação Arca de Noé". Em maio, teve a segunda condenação em ação derivada desta operação. A pena é de 22 anos, 4 meses e 16 dias de prisão em regime fechado.   

Na tentativa de conseguir reduzir as penas, decidiu delatar, seguindo os passos de Silval Barbosa. As revelações e provas que José Riva entregará à PGR vão afundar de vez os políticos mato-grossenses, com ou sem mandatos. Na lista estariam, além de deputados estaduais, federais, senadores e ministro,  conselheiros de contas do TCE, membros do Poder Judiciário e até setores da imprensa.   

Por tudo isto o clima de temor e apreensão domina os Poderes.  

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