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Sexta-Feira, 14 de Julho de 2017, 10h:10

VIOLÊNCIA FÍSICA E PSICOLÓGICA

MPE e entidades de defesa dos idosos se reúnem para discutir melhorias no atendimento

Redação

Representantes do Ministério Público do Estado, Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa (Comdipi), Polícia Civil, Polícia Militar, Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa (Cededipi) e Secretaria de Saúde de Cuiabá, reuniram-se na manhã desta quinta-feira (13), na Procuradoria Geral de Justiça (PGJ), para discutir um fluxo de atendimento à pessoa idosa vítima de violência física, psicológica ou que é explorada financeiramente.

A maioria dos casos, principalmente de maus tratos ao idoso, chega via conselho, que acaba atende e encaminhando as demandas, mesmo que este não seja o seu papel. “O problema é que as pessoas não sabem quem procurar, onde procurar e acabam trazendo tudo para o conselho. Hoje não temos definido qual é o papel de cada entidade e, consequentemente, a sociedade também não sabe. No momento do desespero elas procuram o conselho. Existem casos, porém, que são de Polícia. Nós acabamos sendo a porta de entrada e distribuímos o que chega até nós”, explica o presidente do Comdipi, Jerônimo Urei.

Conforme dados divulgados pelo conselho, entre 2013 e 2016, o Comdipi recebeu 523 denúncias de violência contra o idoso. Este número, porém, não representa a realidade, já que para cada denúncia feita, cinco não são realizadas, fazendo com que a subnotificação mascare uma realidade cruel. Ainda segundo o conselho, 70% das pessoas que cometem agressão contra o idoso são da própria família.

A subnotificação acontece por dois motivos. Primeiro: como a agressão, na maioria dos casos, acontece no ambiente familiar, não há testemunha. Quando as denúncias acontecem elas são feitas por vizinhos ou amigos. Segundo: as pessoas não sabem a quem recorrer, a quem denunciar a agressão, seja de maus tratos físicos ou psicológicos.

Daí a importância de definir os papéis de cada entidade envolvida e de um fluxo de atendimento. Onde devo ir primeiro para fazer uma denúncia? Esta é a resposta que os integrantes buscam, para que este tipo de informação, clara e definida, seja repassada para as pessoas.

“Entendemos que a atuação de todos os organismos envolvidos na defesa dos direitos da pessoa idosA, tem sido burocrática. Sei que todo munto está trabalhando, exercendo seu papel, mas precisamos tratar o tema com o diferencial que ele exige. Sabemos que todos os dias idosos são maltratados ou explorados economicamente. Temos que, de algum modo, criar um fluxo de atendimento destas demandas que funcione de forma efetiva, como já acontece em outras áreas das políticas públicas”, destacou o procurador de Justiça Edmilson Pereira, da Procuradoria de Defesa da Cidadania.

No mês de outubro o Comdipi promove um encontro para discutir as principais demandas e problemas enfrentados pela pessoa idosa. “Chega de palestras, não temos que ficar pregando no deserto. Não temos que chegar no encontro e só ouvir as demandas que os idosos têm. Temos que dizer o que já fizemos, o que modificamos e onde estamos falhando. Precisamos saber onde estamos hoje, para saber onde queremos chegar amanhã”.

Na reunião, o delegado regional Cley Celestino fez uma proposta que foi elogiada pelos participantes. Ele sugeriu que seja criado uma espécie de rol das medidas protetivas em favor dos idosos que podem ser solicitadas pelo delegado ao promotor. “Seria uma espécie de formulário que nós encaminharíamos ao promotor relatando quais medidas protetivas aquele idoso necessita. Temos que ter uma rede de amparo ao idoso que funcione tão bem quanto a rede de proteção às mulheres vítimas de violência”, destaca o delegado

Organização Mundial da Saúde – A violência praticada contra a pessoa idosa é uma realidade mundial. Relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em junho deste ano, revela que um a cada seis idosos é vítima de algum tipo de violência em todo mundo. Segundo o estudo, 16% das pessoas com mais de 60 anos sofreram algum tipo de abuso. Entre os casos, estão negligência e violência psicológica, física e sexual.

Os dados foram coletados de 52 estudos realizados em 28 países e indicam que a violência contra idosos está aumentando. A organização estima que, em 2050, o número de idosos vai dobrar, chegando a 2 milhões. A grande maioria estará vivendo em países de baixa e média rendas. Se a proporção de vítimas continuar como atualmente, o número de idosos afetados por abusos ou violência pode alcançar 320 milhões até lá, de acordo com o relatório.

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