Sábado, 16 de Novembro de 2019

Mato Grosso

Quinta-Feira, 31 de Outubro de 2019, 11h:05

CUIABÁ E VG

Motoristas estão deixando de ser taxistas e passando para Uber

Redação

Wikimedia

Pode ser que já tenha acontecido com você de pedir um Uber e chegar em sua porta um carro com motorista que foi taxista em Cuiabá. É muito provável que se trate de fato de um táxi e agora roda por aplicativo.

Com o táxi sendo cada vez menos rentável e os aplicativos de transporte individual em pleno crescimento, alguns motoristas decidiram ir à prefeitura e suspender temporariamente o serviço de táxi. Resolveram se arriscar nos aplicativos para ver se vale mais a pena.

Outros mais radicais: simplesmente entregaram a permissão na Urbs e desistiram de ser taxistas para sempre, Ou seja: aquela licença tão sonhada, que muita gente inclusive pagou para ter, agora está sendo devolvida a custo zero para o município.

A reportagem falou com um motorista de táxi que passou para os aplicativos há duas semanas. “Entreguei de graça mesmo. Ninguém mais aceita comprar. Tem gente que acha melhor só suspender, mas aí tem que pagar a outorga”, disse ele, admitindo que havia comprado a licença de táxi – algo que sempre foi proibido mas para que a prefeitura sempre fez vistas grossas.

No dia da conversa, o motorista já tinha quase empatado, só pela manhã, o número de corridas que fazia no táxi o dia inteiro. Foram cinco antes do meio-dia, quando no táxi fazia oito durante 15 horas de trabalho. Arrependimento de entregar a placa? Zero.

Os taxistas sempre reclamaram da concorrência dos Uber. Dizem que no táxi pagam muito mais taxas e sofrem fiscalização maior, o que torna a concorrência difícil. De fato, as corridas de táxi saem significativamente mais caras do que as de aplicativo, o que deixa os taxistas mais parados do que antes – o que significa dinheiro perdido.

Na maioria dos táxis, também deixou de haver a figura do segundo motorista. Se antes alimentavam duas famílias, hoje os táxis rendem o suficiente para uma só.

No aplicativo, há mais liberdade, mas ganhar o pão exige bastante. Para ter uma renda razoável, que cubra as taxas retiradas pela empresa, pague gasolina e outras despesas (como o aluguel do carro, em muitos casos), os motoristas que vivem só disso precisam ficar em geral 12 ou mais horas por dia na rua.

No entanto, com a economia em baixa, muita gente aposta nessa saída.

Como diz outro motorista ouvido pela reportagem: ”Se não fosse esses aplicativos, o número de desempregados ia ser muito maior. O descontentamento também”. Pior para os taxistas que, não podendo vencer os motoristas concorrentes, estão cada vez mais se unindo a eles.

 

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