Quarta-Feira, 26 de Junho de 2019

Mato Grosso

Terça-Feira, 01 de Janeiro de 2019, 08h:39

A CRISE CONTINUA

Mauro Mendes toma posse e já enfrenta ameaça de greve de policiais civis

Mendes assume com ameaça de greve de investigadores de polícia

Jô Navarro

Reprodução

Pedro Taques e Mauro Mendes

Mauro Mendes (DEM) assume o Governo de Mato Grosso sem caixa, devendo o 13º salário para servidores, além dos restos a pagar deixados por Pedro Taques. O déficit do Estado é de quase R$ 2 bilhões. Deve para funcionários, municípios, hospitais, imprensa, empreiteiras, postos de gasolina e locadoras de veículos.

Pedro Taques não paga em dia os fornecedores há mais de um ano. Não deixa saudades, mas sim um sentimento de "já vai tarde". 

Mauro Mendes vai precisar de muita habilidade para contornar a profunda crise e a falta absoluta de recursos.

De acordo com a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2019, enviada por Taques para votação na Assembleia Legislativa, a situação fiscal do Executivo é crítica. O principal vilão é o crescimento excessivo das despesas obrigatórias, sobretudo a folha de pessoal.

Ameaça de greve

Os sindicatos que integram o Fórum Sindical decidiram agendar uma audiência com o governador Mauro Mendes em busca de uma solução para essas dívidas com o funcionalismo. Se não houver uma solução, a greve poderá ser deflagrada.

O atraso no pagamento do 13º salário dos servidores aniversariantes de novembro e dezembro é a razão da mobilização do Fórum Sindical, inclusive do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de Mato Grosso – Sinpol-MT.

A presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de Mato Grosso – Sinpol-MT, Edleusa Mesquita, em entrevista à televisão, afirmou que outros fatores também afetam a Polícia Civil, como a sobrecarga de serviço, a manutenção do sobreaviso, o aumento da carga horária por conta do plantão de 24 horas x 72 horas sem a devida compensação de horas ou a remuneração adicional respectiva, e um efetivo claramente reduzido em muitas delegacias do interior, concorrem para causar um descontentamento geral entre os servidores.

Segundo o Sinpol, o cenário em Cáceres, com relação às audiências de custódia e a carência de médicos legistas, demonstram a precariedade que vive a categoria. Lá, os legistas atendem apenas das 8:00 horas às 9:00 horas por dia, para exame de corpo de delito. Se houver um flagrante fora desse horário, eles só voltam a atender no dia seguinte, forçando a pessoa a permanecer na delegacia, sem alimentação, sem condições de higiene, e penalizando os policiais a desembolsarem dinheiro para a alimentação do preso.

Cadê o dinheiro do Fex?

Enquanto o governo federal não repassar a compensação pela desoneração das exportações (Fex), não será possível colocar as contas em dia. Outro ponto que deverá ser enfrentado com energia por Mauro Mendes é a taxação do agronegócio. É chegada a hora dos megaprodutores contribuirem para o crescimento de Mato Grosso.

Para que o dinheiro do Fex chegue aos Estados, o Senado e a Câmara dos Deputados precisam cumprir seu papel, negligenciado no final de 2018, e aprovar o PLS 424/2018, que autoriza o pagamento.

A negligência dos congressistas contribuiu para aprofundar a crise financeira de Estados e municípios. Mato Grosso deixou de receber em dezembro cerca de R$ 500 milhões.

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