Quarta-Feira, 22 de Novembro de 2017

Mato Grosso

Quarta-Feira, 08 de Novembro de 2017, 19h:24

PARECER DA PGE

Luiz Fux decidirá se aposentadoria de Antônio Joaquim é compatível com afastamento

Jô Navarro

Divulgação

O pedido de aposentadoria do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE) Antônio Joaquim ainda não pode ser assinado pelo governador. O prazo legal para o governador autorizar o pedido de aposentadoria se encerraria hoje, 8. No entanto, a Procuradoria-Geral do Estado emitiu parecer contrário à imediata autorização, pois Antônio Joaquim está afastado das funções por ordem do STF, no âmbito da operação Malebolge, desdobramento da Ararath. Joaquim e mais quatro conselheiros estão afastados desde o dia 14 de setembro, quando foi deflagrada a operação pela Polícia Federal.

A cobrança do conselheiro afastado para que Pedro Taques autorizasse sua aposentadoria ganhou as redes sociais e alguns veículos de comunicação, que deram espaço para ataques pesados contra o governador. Até mesmo o compartilhamento de 'informações' sobre um suposto dossiê com conteúdo sobre a vida sexual do governador foi posto em prática nesta quarta-feira.

Por meio de nota, o Gabinete de Comunicação esclareceu que a pedido da PGE o ministro Luiz Fux se manifestará sobre " necessidade de verificação, pela Corte Suprema, se a aposentadoria requerida violaria a decisão judicial que afastou o conselheiro do cargo, em virtude de inexistir normas específicas a disciplinar tal questão e o risco de o chefe do Poder Executivo praticar ato que afrontaria medida cautelar decretada pela mais alta Corte do país".

Além desta dúvida, a PGE  destaca a "necessidade de verificação, pelo próprio Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, se houve recolhimento previdenciário quanto ao tempo de serviço averbado pelo conselheiro com relação ao período em que exerceu mandato parlamentar".

Assim, o conselheiro afastado Antônio Joaquim terá que aguardar o posicionamento do ministro Luiz Fux e do TCE.

Veja abaixo íntegra da Nota do Governo de Mato Grosso:

A respeito da decisão do governador do Estado sobre o pedido de aposentadoria do conselheiro Antônio Joaquim, o Governo do Estado de Mato Grosso esclarece: 

1 - O pedido, assim que recebido pelo governador, foi encaminhado para análise jurídica da Procuradoria-Geral do Estado; 

2 - A análise da Procuradoria se deu em virtude do fato de que, com a participação do chefe do Poder Executivo na edição do ato de aposentadoria, há também sua responsabilidade pela verificação da regularidade do ato administrativo que, nessas circunstâncias, se denomina de ato administrativo complexo, quando duas autoridades de órgãos distintos são responsáveis pela prática do ato; 

3 - Não há, assim, nenhuma atitude contrária à lei na análise por parte do Poder Executivo da regularidade do ato administrativo de aposentadoria, considerando a responsabilidade do chefe do Poder Executivo pela sua prática, o que, aliás, ocorre em todas as aposentadorias de servidores públicos estaduais; 

4 - Na análise realizada, a Procuradoria-Geral do Estado constatou a existência de dois aspectos a serem verificados antes da assinatura do ato de aposentadoria pelo chefe do Poder Executivo, a saber:

a) necessidade de verificação, pela Corte Suprema, se a aposentadoria requerida violaria a decisão judicial que afastou o conselheiro do cargo, em virtude de inexistir normas específicas a disciplinar tal questão e o risco de o chefe do Poder Executivo praticar ato que afrontaria medida cautelar decretada pela mais alta Corte do país;

b) necessidade de verificação, pelo próprio Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, se houve recolhimento previdenciário quanto ao tempo de serviço averbado pelo conselheiro com relação ao período em que exerceu mandato parlamentar (federal e estadual) antes da Lei Federal n° 10.887/2004, já que não há informação, nos autos do processo administrativo, sobre a necessária contribuição previdenciária; 

5 - Deste modo, o pedido de aposentadoria aguarda a (1) análise, pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, da questão surgida quanto à existência de recolhimento previdenciário no período em que exerceu mandato parlamentar e também a (2) decisão final, pelo ministro Luiz Fux, da compatibilidade do pedido de aposentadoria com o afastamento judicial determinado pelo STF, que se encontra para parecer da Procuradoria-Geral da República. 

Governo do Estado de Mato Grosso

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