Sexta-Feira, 23 de Agosto de 2019

Mato Grosso

Terça-Feira, 22 de Janeiro de 2019, 08h:24

TAXAÇÃO DO AGRO

Jayme Campos critica incentivo de R$ 500 milhões para o algodão em 2019

Em entrevista para o Caldeirão Político o senador eleito Jayme Campos (DEM-MT) fala sobre incentivos fiscais para o setor algodoeiro, Lei Kandir, sonegação do Fethab e foco para seu próximo mandato.

Cícero Henrique

Cícero Henrique/Caldeirão Político

Senador Jayme Campos (DEM-MT)

 A crise em Mato Grosso é gravíssima, diz Jayme Campos (DEM). "Os números apresentados pelo Mauro Mendes mostram que realmente 'levaram' Mato Grosso para o fundo do poço". O senador eleito diz que é preciso apostar na capacidade administrativa de Mauro Mendes para recuperar o estado.

Jayme Campos, que já foi governador de Mato Grosso, ressalta que a economia no estado vai muito bem, mas no governo a situação é bem diferente. "Tivemos uma má gestão", diz, sem citar diretamente o ex-governador Pedro Taques (PSDB). "As medidas que tinham que ser tomadas não foram tomadas e a coisa estourou agora".

Sobre a proposta de taxar o agronegócio, Jayme Campos destacou a necessidade de estancar a sonegação fiscal, que segundo a Sefaz chega a 30%. Em segundo lugar é preciso reduzir os incentivos para o setor de algodão, que hoje planta um milhão de hectares e pouco contribui. Em 2019 estão previstos 500 milhões de reais de incentivos para o algodão. "Ora, se você não paga nada e ainda recebe 500 milhões de incentivo fiscal...chega, né? E a Lei Kandir tem sido perniciosa para nosso estado, na medida em que diz o seguinte, as exportações, que são as nossas commodities, que o governo federal teria que fazer uma compensação, não está sendo feito", criticou. Temos que regulamentar o GFex, pois até agora há apenas uma 'possibilidade' de repasse.

Jayme Campos assinalou que Mato Grosso deixa de arrecadar, no conjunto de toda a produção, quase R$ 7 bilhões. "O governo federal está fazendo cortesia com o chapéu dos outros. Estas pessoas que já ganharam muito têm que contribuir um pouquinho com nosso estado, sobretudo, pagar um pouquinho de imposto para que possamos investir em saúde, para que nossos servidores recebam salário em dia", defendeu.

"Tem um barão aqui de Mato Grosso, barão mesmo, que não recolhe Fethab por que tem um mandado de segurança, ganhou uma liminar...só este cidadão deixou de recolher cerca de 3,4 bilhões de reais. Aí não dá, uns ganhando muito e outros sendo penalizados, principalmente os menos afortunados", disse Campos.

Senado
Perguntado qual será seu foco no atual mandato no Senado, Jayme Campos disse ter conversado com o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, que afirmou que vai descentralizar as ações governamentais. "Temos que discutir um novo pacto federativo para que a distribuição da riqueza, sobretudo a arrecadação do governo federal seja melhor distribuída para os municípios brasileiros".

O senador eleito disse que focará sua atuação neste mandato na defesa de uma reforma tributária e da reforma política.

"Imagine que o Brasil tem 37 partidos políticos e já estão encaminhados pedidos para a criação de mais 62 partidos para serem criados. Isso é um escárnio, é um desrespeito, tendo em vista que agora temos o fundo partidário, então reúnem pai, mãe, filho, sobrinho e querem criar um partido para receber o fundo partidário e viver disso aí!".

Campos disse que trabalhará também por educação, gás natural, mais investimentos para a infraestrutura, dentre outras políticas necessárias ao desenvolvimento do país.

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