Sábado, 19 de Outubro de 2019

Mato Grosso

Quarta-Feira, 16 de Janeiro de 2019, 11h:58

ROUBO DE CARGA

Empresários cobram cassação de inscrição de receptadores

Empresários do setor de transporte de cargas pedem mais segurança e cassação da inscrição estadual de receptadores de produtos roubados

Redação

Divulgação

Diretores do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Mato Grosso (Sindmat) juntamente com 20 empresários do setor se reuniram com o delegado geral da Polícia Judiciária Civil, Mário Dermeval Aravechia de Resende, para mais uma vez discutir com a segurança pública ações de enfrentamento ao roubo de cargas e transportadoras no Estado. O caso mais recente ocorreu no último dia 10, quando criminosos tentaram fazer um arrastão em duas empresas de transporte de cargas na região do Distrito Industriário, em Cuiabá (MT). 

O presidente do Sindmat, Eleus Vieira de Amorim, explicou ao delegado que desde 2017 as invasões a transportadoras e roubos de cargas têm aumentado em todo o país e a situação hoje é crítica em Mato Grosso. 

“Antes de mais nada, nós parabenizamos o trabalho da Polícia Civil, e o empenho dos policiais, mas o motivo dessa reunião agora, nesse exato momento, é a preocupação que nós temos com segmento do transporte rodoviário de cargas. A situação tem tomado proporções preocupantes”, disse o presidente.

Além de cargas e objetos de valor, outra modalidade praticada pelos criminosos é o furto de peças de caminhões. Algumas chegam a custar cerca de R$ 12 mil.

Eleus ainda ressaltou que outro fator preocupante é a atuação da Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz) que não fecha os estabelecimentos nem cassa a inscrição estadual dos empresários que são flagrados pelos crimes de receptação.

“Falo para o fiscal, falo para o secretário de Fazenda que a missão da Sefaz é apoiar a Polícia Civil. A Sefaz é omissa e não cassa a inscrição das empresas que são flagradas cometendo receptação. A lei 10.258, proposta ainda na época do governo Silval Barbosa e depois aprovada e sancionada pelo governador Pedro Taques em janeiro 2015, deixa bem claro a cassação da inscrição do estabelecimento receptador, porém não se cumpre”, observou.

“Aí o senhor pergunta, quantas empresas que foram flagradas com produtos de carga roubada, ou o estabelecimento revendendo esses produtos, tiveram cassada a inscrição? Até hoje não vi nenhuma!”.

O delegado Mário Dermeval se mostrou também preocupado com a situação e se dispôs a deixar duas unidades da Polícia Civil no apoio ao combate dos roubos e furtos no setor.

“Hoje a gente esbarra na falta de efetivo, que é um problema antigo. Isso tem nos atrapalhado bastante. Até acho que o principal para vocês seria uma delegacia especializada para combater os crimes que afligem o setor, mas como é impossível montar essa estrutura agora, vamos trabalhar em conjunto com o sindicato e também com Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos Automotores (Derfva) e a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO)”, garantiu o delegado geral.

Mário Dermeval ainda antecipou que irá criar uma sessão especial dentro de uma unidade, um setor só para isso e deixa a diretoria à disposição do segmento de transporte rodoviário de cargas. “Está tudo muito recente, estamos ainda fazendo algumas transições, mas essa reunião já é importante para já termos um norte futuro e trabalharemos em conjunto com vocês”, se comprometeu o diretor.

Após a reunião, o presidente do Sindmat, Eleus Amorim, se mostrou esperançoso com o encontro com o delegado e aguarda providência por parte do estado.

“Estamos com a esperança de que este novo governo traga mudanças, que possa tomar providências de combater o receptador de carga roubada, porque essa é a maior praga que nós estamos enfrentando hoje, que é aquele que compra produto roubado, mas acreditamos no trabalho da polícia e que as coisas possam melhorar”, finalizou.

O aumento de roubos e furtos no setor, tem diminuído a arrecadação no estado e levado prejuízo aos empresários que afirmam que, atualmente, apenas três empresas de seguros ainda aceitam trabalhar com as empresas de Mato Grosso. A maioria se recusa a segurar empresas de Mato Grosso.

Entre os produtos maios procurados pelos criminosos estão combustíveis, eletroeletrônicos e defensivos agrícolas, que são materiais de fácil revenda que os receptadores adquirem com maior facilidade e acabam revendendo ao cidadão de bem.

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