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Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2019, 10h:42

PROPINA S/A

Empresário vai revelar como era feito pagamento de propina para calar a CPI das Obras da Copa

De um lado, deputados extorquiram o ex-governador Silval Barbosa. De outro, extorquiram empresários para evitar a responsabilização de suas empreiteiras pela CPI das Obras da Copa, diz empresário.

Cícero Henrique

Reprodução

Obras paradas do VLT

Quase dois anos se passaram da aprovação do relatório da CPI das Obras da Copa na Assembleia Legislativa (ALMT), mas as suspeitas sobre a comissão permanecem.

Um empresário que executou serviços para empreiteiras como terceirizado em Cuiabá garante que parlamentares teriam recebido propina para acobertar empreiteiras. O empresário, cujo nome não revelamos a pedido, a fim de evitar retaliações, diz estar disposto a delatar o caso ao Ministério Público. Ele cita empresas de prestação de serviços de comunicação como intermediárias dos pagamentos para parlamentares. Segundo ele, pelo menos três empresas emitiam cheques que eram trocados por um agiota, que repassava o dinheiro para os 'beneficiários' do esquema.

Uma das empresas mencionadas pelo empresário é a Casa de Guimarães, que foi alvo da operação Pão e Circo em maio de 2018. Um mês depois o TCE instaurou Representação de Natureza Interna, na qual afirma que a  Casa de Guimarães "firmou ao menos 86 convênios com Órgãos da Administração Pública Estadual e Municipal, sendo, inclusive, credora de mais de R$ 35 milhões de reais." Segundo a NRI,  a Associação já havia recebido o "montante de R$ 31.700.000,00, sendo que destes, R$ 26.926.037,17 (84,70%) foram pagos para empresas de propriedade da pessoa responsável por sua administração, no caso, a Sra. Erika Maria da Costa Abdala, e de terceiros ligados a ela por vínculos de parentesco." Clique AQUI para ver detalhes.

CPI das Obras da Copa

A composição da CPI das Obras da Copa tinha inicialmente como titulares os deputados Oscar Bezerra - presidente (PSB), Janaína Riva (PSD), coronel Peri Taborelli (PV), Silvano Amaral (PMDB) e Mauro Savi - relator (PR). Os suplentes eram os deputados Wilson Santos (PSDB), Emanuel Pinheiro (PR), Pedro Satélite (PSD) e Wagner Ramos (PR).

Criada em 2015, esta CPI teve duração de 22 meses e investigou irregularidades nas obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) nos municípios de Cuiabá e Várzea Grande. O relatório final apontou um desvio de R$ 541 milhões.

Deputados teriam recebido vantagens ilícitas do ex-governador,durante as obras da Copa, e posteriormente de empresários, para evitar responsabilização na CPI.

Na ocasião da votação do relatório, em 26 de abril de 2017, o então deputado Zeca Viana acusou acusou em plenário os membros da CPI das Obras da Copa de receberem dinheiro para alterar o relatório final, apresentado em outubro de 2016. 

“Eu fiquei sabendo que houve alteração, vi a preocupação do presidente [Eduardo Botelho] e não gostaria que passássemos por um vexame desses. Gostaria que esse trabalho fosse de deputados que honram essa Casa, honram seu trabalho e mostrem para a sociedade onde estão os erros”, disse Viana.

Segundo ele, a mudança teria o objetivo de beneficiar o Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande, composto pelas empresas Santa Bárbara, CR Almeida, CAF Brasil Indústria e Comércio, Magna Engenharia Ltda. e Astep Engenharia Ltda.

“Não sei afirmar se são deputados ou não, são membros da comissão. E me estranha muito esse posicionamento do Governo em manter o consórcio, mesmo o relatório deixando claro que eles estão devendo mais de R$ 300 milhões. E o Estado vem dizendo o contrário, que eles devem pagar esses R$ 300 milhões”, acusou Zeca Viana naquela ocasião.

Delação de Silval Barbosa e CPI do Paletó

O ex-governador Silval Barbosa declarou em sua delação premiada, que fez um acordo coletivo com uma comissão de deputados para o pagamento de R$ 600 mil por parlamentar. O valor mensal era repassado pela AL aos deputados. Silval repetiu várias vezes que o pagamento era "para dar apoio total aos projetos do governo, tudo".

Quando prestou depoimento à CPI do Paletó na Câmara Municipal de Cuiabá, em fevereiro de 2018, Silval Barbosa disse que “Aquelas imagens [da propina do paletó] são fruto de extorsão que houve para não atrapalhar obras da Copa, MT Integrado e outras. Chegaram a pedir R$ 1 milhão. Chegamos a um acordo de R$ 600 mil para cada deputado e dividimos em doze parcelas”.

 

"Quem vê o deputado Oscar acha que é o maior moralista, ele colocou interlocutor para me blindar, depois ele veio a mim, cheguei a pagar 200 mil para ele me blindar", disse Silval Barbosa. 'Zé Domingos, Wagner Ramos e Silvano Amaral extorquiram minha família", declarou Silval à CPI do Paletó, criada para investigar a responsabilidade do atual prefeito Emanuel Pinheiro, ex-deputado estadual, filmado recebendo a 'suposta' propina do governo.

Tudo junto e misturado

De um lado, deputados extorquiram o ex-governador Silval Barbosa em troca de vista grossa e aprovação de todas as matérias de interesse do governo. Os deputados foram delatados por Silval Barbosa e José Riva, ex-deputado estadual. 

De outro lado, durante a CPI das Obras da Copa, criada em 2015, integrantes da Comissão receberam propina  para não responsabilizar empreiteiros e suas empresas, segundo afirma o empresário terceirizado e denunciado no plenário da ALMT pelo ex-deputado Zeca Viana.

O empresário terceirizado promete revelar como as empresas repassavam a propina e os valores pagos aos parlamentares que teriam participado do esquema para blindar empreiteiras conhecidas ligadas justamente a parlamentares.

 

 

 

1 COMENTÁRIO:

Hummm, está parecendo que o dito provável delator está querendo mesmo é enviar uma mensagem a quem.possa interessar, isso sim....pois quem quer relatar, não manda recado!!!
enviado por: Maquiavel em 28/02/2019 às 22:41:21
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