Domingo, 22 de Setembro de 2019

Mato Grosso

Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 15h:56

GRAMPOLÂNDIA PANTANEIRA

Coronel diz que Pedro Taques pediu escuta de quem "atrapalhava campanha" e Paulo entregou os números

Da Redação

Coronel Zaqueu é interrogado na 11ª Vara Militar de Cuiabá

O ex-comandante da PM, coronel Zaqueu Barbosa, declarou ao juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Militar de Cuiabá, durante reinterrogatório na tarde desta terça-feira (16-07) “Que em 2014 fui procurado pelo Paulo e Pedro Taques para ver o que podia fazer sobre crimes comuns na eleição. E num segundo momento, eles me pediram para ver se tinha como ouvir algumas pessoas que estavam atrapalhando a reta final da eleição. Eu não disse que sim e nem que não”.

"Eles me procuraram, falando que tinham problemas na campanha e perguntaram se dava para ouvir algumas pessoas", disse o coronel, referindo-se a Paulo Taques e Pedro Taques. O encontro aconteceu em 2014, durante a reta final da campanha eleitoral.

"Em um das visitas de Pedro Taques e Paulo Taques na minha residência, eu falei que era possível ouvir as pessoas, mas precisava de investimento", disse o coronel. 

Segundo o coronel, foi Paulo Taques quem passou para ele os telefones das escutas, que seriam os números de José Antonio Rosa, Tatiane Sangalo, Muvuca e José do Patrocínio. "Paulo Taques me repassou R$ 12 mil para começar o sistema”.

Ficamos sabendo do interesse da Janete Riva ir para o TCE

Zaqueu confirmou que o telefone do coronel Mendes, então responsável pelo gabinete de inteligência do ex-deputado José Riva foi grampeado no esquema de barriga de aluguel. “O pedido para interceptar o coronel Mendes partiu do Paulo Taques. Ele pediu para mim. O objetivo para monitorar o Mendes era pra saber o que aconteceu no escritório do Riva. Nessa interceptação nós ficamos sabendo do interesse da Janete Riva [esposa de Riva] ir para o TCE [Tribunal de Contas do Estado]. Foi passado isso para Paulo e Pedro Taques e eles afirmaram que isso não ia acontecer”.

O coronel relata que em 2017 o então secretário de segurança pública, Mauro Zaque, quando soube do esquema, convidou-o para ir a sua casa. "Ele me recebeu na área de serviço. O Siqueira já tinha falado com ele. O Mauro Zaque senta comigo e fala assim: ‘você está fazendo coisa errada. Você está interceptado pessoas".

“Eu disse que estava interceptando policiais em desvio de condutas. Mas ele disse que era barriga de aluguel Eu disse quem? E então ele citou os advogados José Patocinio, José Antônio Rosa, e Muvuca”, disse o coronel Zaqueu.

Eu tenho na minha cabeça que eu fui usado

“Quando o Paulo e Pedro Taques foram conversar comigo sobre a interceptação eu pensei que ia se consolidar só no período de campanha. Eu tenho na minha cabeça que eu fui usado. Eu tinha um interesse em apurar condutas dos policiais militares e se valeram desse interesse para grampear políticos”.

“O Gerson me procurou e disse que o Marco Aurélio [promotor] disse que estava tentando monitorar o José Riva para prendê-lo e pediu para interceptar a Janaina Riva e eu disse que não tinha problema inserir o número dela”.

“Depois disso, o Mauro Zaque nunca mais falou comigo e eu entreguei o comando da PM”.

Placa do MPE

O coronel Zaqueu relata que a placa que abrigava o sistema de escuta pertencia ao MPE. Afirma que só existem duas dessas placas, uma da PJC e outra pertenente ao Ministério Público. Diz que soube disso pelo cabo Gerson, que contou que ele mesmo entregou a placa, que estava sob sua responsabilidade no Gaeco, para Paulo Taques. Segundo o coronel, Gerson lhe contou que a placa não estava mais no Gaeco. Um técnico garantiu a ele que a placa usada nas escutas não é da PJC e acredita que foi com base no número de série. 

A gente bateu nas portas do MP e disseram que não tem fatos novos

Um dos juízes militares interrompeu o relato do coronel Zaqueu, questionando sobre as primeiras conversações e fatos ocorridos nos comitês de campanha em 2014. "O senhor está fazendo uma confissão"? , perguntou o juiz. "Estou aqui pra trazer à tona a verdade real. Vou dizer uma coisa pro senhor, a gente bateu nas portas do MP e disseram que não tem fatos novos", respondeu o coronel Zaqueu, acrescentando que sua defesa juntará documentos ao processo para provar suas declarações.  O promotor Vinicius Ghayva interrogou o coronel insistindo sobre a legalidade de interceptações iniciadas contra policiais militares, e na tese de crime militar.  "Eram militares cometendo crimes, o senhor é que diz que é crime militar. É um entendimento do senhor que eu respeito", disse Zaqueu.

Questionado pelo juiz Marcos Faleiros sobre o motivo de não ter feito a delação antes, o coronel Zaqueu disse que tentou, mas as portas estavam fechadas. "Com todo respeito, a tentativa foi feita sim, porém as portas foram fechadas".

Ele explicou que as tratativas de delação começaram no MPF em Brasília e estavam avançadas, caminhando bem. No entanto, depois que Pedro Taques perdeu o foro privilegiado, as tratativas se encerraram e foram transferidas ao Ministério Público Estadual, que alegou não existirem fatos novos.

A pedido de um dos advogados para que este depoimento seja considerado uma colaboração por parte de Zaqueu, o juiz Marcos Faleiros diz que o Conselho Militar apreciará o pedido oportunamente, no momento do julgamento.

Termina o interrogatório do coronel Zaqueu. Após o intervalo será iniciado o depoimento do cabo Gerson.

 

 

 

Comentários

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!

LEIA MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO