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Segunda-Feira, 27 de Agosto de 2018, 15h:52

GRAMPOLÂNDIA PANTANEIRA

Cabo Gerson faz graves revelações e promotor diz que enviará depoimento ao MPF

Cabo Gerson afirma que Paulo Taques ofereceu ajuda financeira sob condição que não mencionasse o governador Pedro Taques

Redação

Reprodução

Réu em ação penal que apura o esquema da "Grampolândia Pantaneira", cabo da Polícia Militar Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior, está depondo nesta tarde (27) perante o juiz Murilo de Moura Mesquita, da 11ª Vara Criminal Miitar.

Leia mais sobre este depoimento: Ameaça de morte contra Selma Arruda foi combinada e resultou em grampo de Silval, confessa cabo Gerson 

O cabo Gerson confessou ao juiz Murilo Mesquita que, quando esteve preso no CCC, foi procurado por Paulo Taques, que ofereceu ajuda financeira em troca de não citar o nome do governador Pedro Taques, seu primo, nos depoimentos sobre as escutas ilegais.

"Enquanto estive preso, não posso deixar de fazer essa revelação. Recebi a promessa de ajuda financeira de Paulo Taques por duas vezes. Ele me ofereceu ajuda sob a condição de eu não deixar o assunto chegar até o nome do governador. Ele acabou não me ajudando", disse Gerson.

Diante das afirmações do cabo Gerson o promotor de Justiça Alan Sidney afirmou que pedirá o envio deste novo depoimento ao Ministério Público Federal.

O cabo disse que nunca esteve pessoalmente com o governador, exceto quando fez a mudança dele. 

Após um intervalo no depoimento, o cabo relata ao promotoro  Alan do Ó que recebeu R$ 85 mil em dinheiro, entre setembro de 2014 e outubro de 2015, para bancar o escritório onde funcionava clandestinamente a central de escutas. 

O cabo afirmou que várias vezes tentou "falar sobre o Gaeco, mas ninguém quis ouvir", elogia a imparcialidade do promotor e diz que entregou pessoalmente um pendrive com gravações para Paulo Taques dentro do Palácio Paiaguás.

Ele acrescentou que o promotor Mauro Zaque, quando tomou conhecimento da fora como os dados eram operados, o caso informado para o coordenador do Gaeco, Marco Aurélio. "A partir daí ele começou a fazer auditorias. Não posso nominar os outros núcleos, posso falar do que eu trabalhei, eu posso imaginar que é uma prática comum nos outros núcleos".

Questionado se foi ele quem criou a 'estória-cobertura' sobre a suposta ameaça de morte contra a juíza Selma Arruda, o cabo Gerson negou. Declarou que o promotor Marco Aurélio o mandou "criar uma história e fazer uma narrativa" sobre a suposta ameaça de morte contra a juíza Selma Arruda para justificar as quebras de sigilo contra o empresário Toninho Barbosa, irmão do ex-governador Silval Barbosa.

 "Quando a Doutora Selma bate na porta do Gaeco já começou errado, se ela levou é porque tinha alguma confiança lá, sei lá, não levou nenhum documento, quando alguma coisa começa errado termina errado", afirmou o cabo.

Outra declaração importante do cabo PM foi sobre o início do esquema. "Eu imagino que esta brilhante ideia (barriga de aluguel) não foi do Coronel Zaqueu, este projeto já é de 2012".

Inquirido pela própria defesa o cabo PM disse não saber o motivo pelo qual os promotores do Gaeco começaram a ordenar investigações e quebra de sigilo sem ordem judicial, porém "isso se tornou comum".

Declarou ainda que repassava todas as informações (conversas) relevantes para o promotore Marco Aurélio. "Estes que foram vazados, especialmente, da Ouro de Tolo, da conversa de Silval e Marcos Machado eu passei para o Dr. Marco Aurélio, eu não tenho dúvida que esse áudio vazou de dentro do Gaeco".

 

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