Domingo, 12 de Julho de 2020

Nacional
Quinta-Feira, 28 de Maio de 2020, 15h:55

CÂMARA DOS DEPUTADOS

Rodrigo Maia: "Declarações de Bolsonaro vão no caminho contrário do que foi construído"

Da Redação

Reprodução/TV Câmara

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou na tarde desta quinta-feira (28) que o Parlamento vai continuar trabalhando de forma independente e defendeu o respeito às decisões dos Poderes. Em coletiva de imprensa, Maia destacou que mesmo quando não concorda com uma decisão do Supremo, ela é acatada.

É um recado para o Presidente Jair Bolsonaro, que tem feito declarações polêmicas desde que o ministro Celso de Mello enviou à PGR solicitação de manifestação sobre pedido de partidos para recolher e periciar seu telefone celular. Bolsonaro tem feito ameaças nas redes sociais e declarou não entregará seu celular. Ainda na manhã de hoje o Presidente disse que "não teremos outro dia como ontem, chega! Chegamos no limite. Estou com as armas da democracia na mão. Eu honro os meus compromissos no juramento que fiz quando assumi a Presidência da República", referindo-se aos mandados de busca e apreensão cumpridos ontem contra militantes digitais e deputados bolsonaristas. "Ordens absurdas não se cumprem", disparou Bolsonaro.

Pedido de habeas corpus

O presidente da Câmara apontou ainda que, apesar dos discursos em sentido contrário, o governo deu uma demonstração de respeito à decisão do STF ao entrar com um pedido de habeas corpus em favor do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que durante uma reunião ministerial pediu a prisão dos ministros do Supremo depois de chamá-los de “vagabundos”.

O pedido foi protocolado pelo ministro da Justiça, André Mendonça. “Não sei se o melhor caminho foi este e não uma ação da AGU (Advocacia Geral da União), mas isso demonstra que o governo recorreu aos caminhos formais e não a outros meios”, disse Maia.

"O que me dá algum conforto é que há um pedido formal. É legítimo, qualquer cidadão pode, tendo uma investigação, um inquérito, operações, recorrer da decisão de qualquer ministro do Supremo, mas tem que ser pelos caminhos legais, não pela forma de tentar intimidar ou acuar outro Poder sobre as decisões que toma".

Fake News

Rodrigo Maia voltou a defender a investigação que apura a rede de fake news e afirmou que esse movimento busca criar uma narrativa contra as instituições democráticas.

“É um problema no Brasil e no mundo, que tem interferido no processo eleitoral. [Muitas dessas redes de fake news] estão vinculadas em apoiamento ao presidente. Eu sei porque sou vítima e elas vêm no intuito de ampliar e criar um ambiente e uma narrativa da sociedade contra as intuições democráticas. São narrativas falsas que precisam ter uma resposta do Judiciário e uma lei que responsabilize as plataformas”, criticou Maia.

Maia afirmou que não acredita que a ordem democrática sofra algum tipo de ruptura institucional e criticou a declaração do filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro, que afirmou que não seria uma questão de se, mas quando ocorreria uma ruptura. Segundo Maia, os partidos podem encaminhar o deputado ao Conselho de Ética se entenderem que Eduardo Bolsonaro cometeu algum crime.

“É muito grave (a declaração), mas vamos continuar trabalhando para que as instituições trabalhem de forma independente e tentando ao máximo o diálogo e a harmonia”, afirmou Rodrigo Maia.

"Nós vamos continuar reafirmando que a nossa democracia é o valor mais importante do nosso país e as instituições precisam ser respeitadas", concluiu Maia.

Comentários

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!

LEIA MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO