Terça-Feira, 26 de Maio de 2020

Nacional
Domingo, 17 de Maio de 2020, 10h:03

FLÁVIO:"DESESPERO DE PAULO"

PF antecipou a Flávio Bolsonaro que Queiroz seria alvo de operação, diz Paulo Marinho

Redação

Reprodução

Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro e Queiroz

Na política tudo muda rapidamente, de acordo com as circustâncias e conveniências,antes era aliados, agora são inimigos aquelas figuras que até pouco tempo defensores de primeira hora da família Bolsonaro.

O mesmo cenário observamos nas redes sociais e grupos de Whatsapp, onde a maioria dos defensores do governo Bolsonaro, na verdade são seguidores do ex-juíz Sérgio Moro, o que acabou enfraquecendo a militância bolsonarista.

O fato é que com essa nova denúncia, se é verdade ou não, cabe agora a Polícia Federal que foi citada responder e a Justiça tomar as devidas providências.

A verdade é que o atual governo não é muito diferente dos anteriores, cada dia aparece uma bomba. Todos farinha do mesmo saco.

O empresário Paulo Marinho disse à Folha de S.Paulo que a Polícia Federal contou para o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) que a Operação Furna da Onça ia ser deflagrada em 2018. A operação é 1 desmembramento da Lava Jato, investiga desvio de dinheiro e 1 suposto esquema de rachadinha na Alerj (Assembléia Legislativa do Rio) e atingiu Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flavio.

Os policiais também teriam “segurado a operação” para que ela não fosse feita antes do 2º turno das eleições de 2018 e atrapalhasse a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República. O senador é o filho mais velho do presidente.

Paulo Marinho é o suplente de Flávio no Senado. A entrevista à Folha foi publicada no fim da noite de sábado (16.mai.2020).

De acordo com Marinho, Flávio Bolsonaro lhe contou sobre a antecipação das informações da PF na operação que atingiu Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio na Alerj, em dezembro de 2018 –depois que Bolsonaro já tinha sido eleito com 55,2% dos votos. Na ocasião, Flávio queria que o empresário lhe indicasse 1 bom advogado criminal e estava “absolutamente transtornado”.

De acordo com Marinho, a conversa com Flávio explica o interesse do presidente Bolsonaro em ter alguém de sua confiança na chefia da Polícia Federal, assim como disse o ex-ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) ao pedir demissão.

Marinho foi 1 dos nomes mais importantes na candidatura de Bolsonaro ao Planalto, chegando a emprestar sua casa para montar a estrutura da campanha do militar. Atualmente, é pré-candidato à prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSDB.

Segundo Marinho, Flávio foi avisado sobre a operação Furna da Onça entre o 1º e o 2º turno das eleições de 2018 por 1 delegado que era simpatizante da candidatura de Bolsonaro. Os pleitos daquele ano foram realizados em 7 e 28 de outubro, respectivamente.

O delegado teria aconselhado também Flávio a demitir Queiroz e a filha de seu gabinete na Alerj. Assim foi feito. Em 15 de outubro de 2018, os 2 foram afastados.

Poder360 preparou 1 infográfico que explica quem é quem nas investigações.

ENTENDA O CASO

O relatório do Coaf que acendeu o caso na mídia está relacionado à operação Furna da Onça, que levou à prisão 10 deputados estaduais do Rio em 8 de novembro. Servidores da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro tiveram suas contas bancárias esmiuçadas pelo Coaf, inclusive Queiroz.

A assessoria de Flávio Bolsonaro afirma que não há “informação de qualquer fato que desabone” a conduta do ex-assessor , exonerado em outubro para se aposentar.

Além de trabalhar no gabinete de Flávio, Queiroz é amigo pessoal do presidente Jair Bolsonaro. Em 2013, postou em seu perfil no Instagram uma foto com o militar, pescando.

Em 7 de dezembro de 2018, Bolsonaro disse que os R$ 24.000 pagos por Queiroz à futura primeira-dama Michelle Bolsonaro referem-se à quitação de uma dívida pessoal.

De acordo com ele, Queiroz utilizou a conta da futura primeira-dama para receber o dinheiro “por questão de mobilidade”.

“O nosso presidente já esclareceu. Tinha 1 empréstimo de R$ 40.000, passei 10 cheques de R$ 4.000. Nunca depositei 24.000”afirmou Queiroz em entrevista ao SBT.

Queiroz disse ao SBT Brasil que vai explicar apenas ao MP porque recebeu depósitos de outros funcionários de Flávio nas datas próximas de pagamentos da Alerj.

Ele negou que tenha repassado parte de seu salário ao senador eleito.

“No nosso gabinete, a palavra lá é: não se fala de dinheiro, não se dá dinheiro […]Eu não sou laranja, sou homem trabalhador. Eu tenho uma despesa imensa por mês.”

Outro lado

Em reação às revelações feitas por Paulo Marinho, o senador Flávio Bolsonaro divulgou uma nota neste domingo afirmando que o relato do empresário “não passam de invenção de alguém desesperado e sem voto”.

Marinho afirmou que um delegado da PF antecipou para o filho do presidente que a Operação Furna da Onça — que tinha Fabrício Queiroz como um dos alvos — seria realizada.

“O desespero de Paulo Marinho causa um pouco de pena. Preferiu virar as costas a quem lhe estendeu a mão. Trocou a família Bolsonaro por Dória e Witzel, parece ter sido tomado pela ambição. É fácil entender esse tipo de ataque ao lembrar que ele, Paulo Marinho, tem interesse em me prejudicar, já que seria meu substituto no Senado. Ele sabe que jamais teria condições de ganhar nas urnas e tenta no tapetão. E por que somente agora inventa isso, às vésperas das eleições municipais em que ele se coloca como pré-candidato do PSDB à Prefeitura do Rio, e não à época em que ele diz terem acontecido os fatos, dois anos atrás?

Sobre as estórias, não passam de invenção de alguém desesperado e sem votos.” (Fonte: Poder 360)

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