Terça-Feira, 21 de Novembro de 2017

Nacional
Quarta-Feira, 08 de Novembro de 2017, 10h:40

CABEÇAS PRETAS E CABEÇAS BRANCAS

Parte do PSDB quer deixar Michel Temer pensando mais na eleição de 2018 do que no país

Euler de França Belém

Reprodução

Perillo quer ser presidente do PSDB

Parte do PSDB quer sair do governo do presidente Michel Temer não por que pensa na saúde econômica e política do país ou em princípios éticos. Se pensasse ao menos na saúde econômica, não deixaria o governo. Preocupação ética não há nenhuma; se houvesse, os dirigentes não teriam aceitando participar da equipe do peemedebista desde o início.

Outra parte do PSDB quer ficar no governo, mas não necessariamente por que pensa na saúde econômica do país ou por acreditar na honestidade do presidente da República — pouquíssimos acreditam. O que se quer, e se quer sempre, é aproveitar-se das benesses oferecidas pelo governo. Quando chegar mais perto das eleições de 2018, depois de chuparem até os ossos do governo de Michel Temer, aí certamente os cabeças brancas começarão a pintar o cabelo para ficarem parecidos com os cabeças pretas.

Há, claro, um terceiro caminho. Se a economia melhorar, como parece que caminha para melhorar, com a retomada do crescimento, é provável que cabeças pretas e cabeças brancas — que, na verdade, não são tão diferentes — se irmanarão e ficarão ao lado do governo do presidente Michel Temer. Afinal, disputar eleição com o apoio da máquina da Presidência — ainda que o presidente não esteja tão forte do ponto de vista eleitoral — é sempre mais produtivo do que disputar sem o apoio da máquina. O Fundo Eleitoral muda um pouco mas não inteiramente o quadro.

Vale frisar que, quando Fernando Collor estava caindo, em 1992, Fernando Henrique Cardoso quis assumir um ministério.  Não assumiu porque Mário Covas o impediu.

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