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Segunda-Feira, 22 de Junho de 2020, 07h:52

RACHADINHAS

Fabrício Queiroz uma "bomba relógio"

Redação

Reprodução

A prisão de Fabrício Queiroz, quinta-feira passada, ativa nova “bomba-relógio” no Governo Bolsonaro, com potencial de ser ainda mais perigosa do que as outras investigações envolvendo o presidente e sua família, segundo avaliação de analistas da cena política nacional. Há quem entende que o Governo fica ainda mais fragilizado e com nova pendência na Justiça, ao lado de ações como o inquérito das Fake News, a cassação da chapa e a investigação sobre a interferência na Polícia Federal.

Apesar da investigação parecer mais nociva para o senador Flávio Bolsonaro do que para o presidente, certamente trará consequências ao Governo. Obviamente o cerco inicial se dará em cima do filho do presidente, mas com certeza não ficará restrito a isso e deverá chegar ao núcleo central do Governo, num momento em que o mandatário está acuado por todos os lados e sua gestão vive um dos momentos de maior fragilidade.

“Tudo vai depender dos próximos dias, do que o Queiroz depor. E se ele decide falar de maneira sincera? Do ponto de vista da periculosidade, ele é muito mais perigoso, por exemplo, do que o inquérito das Fake News”, avalia Marco Aurélio Nogueira, cientista político e professor da Unesp. Para ele, a prisão mostra que as acusações contra a família de Bolsonaro estão vindo de “vários lados”, fechando o cerco ao presidente.

Outro fator é a imprevisibilidade sobre a reação de Queiroz diante de sua prisão, e possivelmente de sua filha e esposa. “Não sabemos a reação dele diante da prisão. Fala-se em delação premiada. E Queiroz acompanha a família Bolsonaro há anos, não é de hoje que conhece o presidente”, diz a cientista política e professora da PUC-SP, Vera Chaia.

O nome de Fabrício Queiroz veio à tona pela primeira vez pouco após a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2018. Velho amigo e parceiro de pescaria do patriarca, Queiroz passou mais de uma década a serviço do zero um na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e só foi exonerado do cargo duas semanas antes do segundo turno. No fim daquele ano, veio à tona um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão nas contas de Queiroz.

Foram identificados também depósitos fracionados e frequentes de outros funcionários de Flávio na conta bancária de Queiroz, que havia emplacado outros sete familiares em gabinetes legislativos da família Bolsonaro. A suspeita dos investigadores é que Queiroz recolhia parte dos salários de funcionários, prática ilegal, e com o conhecimento de seus superiores.

Acredite se quiser – O advogado Frederick Wassef garante que o presidente Jair Bolsonaro e seu filho, Flávio Bolsonaro, não sabiam onde estava o ex-assessor de Flávio, Fabrício Queiroz. Queiroz foi preso na última quinta-feira (18), em um imóvel que pertence a Wassef em Atibaia (SP). “O senador Flávio Bolsonaro não sabia disso. O presidente da República não sabia disso. Eles jamais tiveram ciência desde o que aconteceu agora. Jamais o Flávio ou o próprio presidente tiveram qualquer contato com o Fabrício Queiroz desde dezembro de 2018 até a presente data, e tudo isso são especulações”, afirmou.

Rachadinhas – A operação que levou à prisão do ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz será a base da denúncia que o Ministério Público do Rio deve apresentar contra o primeiro grupo de investigados no caso da “rachadinha”. Investigadores e advogados que conhecem o caso revelam que os promotores devem dividir os processos de acordo com os núcleos da chamada organização criminosa que funcionaria no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), na Assembleia Legislativa do Rio. No pedido de prisão de Fabrício Queiroz, os promotores mostraram que obtiveram na Justiça 103 quebras de sigilos bancários e fiscais de empresas e pessoas para apurar cinco crimes: organização criminosa, obstrução da Justiça, peculato, lavagem de dinheiro e inserção de informação falsa em documento público. Juntos, esses delitos têm penas que atingem, somadas e em caso de condenação, um mínimo de 13 anos e um máximo de 45 anos de prisão.

Foragida – A pedido da Promotoria, o juiz Flávio Nicolau, da 27ª Vara Criminal da de São Paulo, decretou a prisão preventiva de Márcia Oliveira de Aguiar, mulher de Queiroz, por considerar que ela teve ‘participação fundamental’ nas manobras para embaraçar as investigações de peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo o magistrado, era ‘inequívoco’ que Márcia, em liberdade poderia obstaculizar a apuração dos fatos, além de agir sob as ordens de Queiroz. Em sua decisão, Nicolau escreveu que assim como o ex-assessor parlamentar do filho ’01’ do presidente Jair Bolsonaro, Márcia também estava se escondendo, recebendo auxílio de terceiro e ainda cogitava fugir caso tivesse ciência de que foi decretada sua prisão preventiva.

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