Segunda-Feira, 22 de Outubro de 2018

Nacional
Domingo, 11 de Março de 2018, 09h:07

MACHISMO NA POLÍTICA

Estruturas partidárias hostis afastam mulheres da vida pública

Augusto Diniz

Reprodução

Nem mesmo cota de 30% de candidaturas femininas tem ajudado a aumentar o número de mulheres na política

Depois de 86 anos que as mulheres conquistaram o direito ao voto no Brasil, que só veio em 1932, pouco elas têm a comemorar. A participação de representantes femininas na vida político-partidária e eleitoral brasileira ainda é muito pequena e precisa ser ocupada em maior número pelo sexo que tem maioria entre o eleitorado nacional, com 52,13% da população com idade para votar. Isso se elas quiserem, porque ainda há a possibilidade de parte das mulheres optar por não se filiar a partidos políticos ou querer um dia se candidatar a cargos eletivos.

Os números assustam. De acordo com a União Interparla­men­tar (Inter-Parliamentary Union), o Brasil ocupa a distante 152ª posição em uma lista de 193 países na quantidade de mulheres no Congresso. Na Câmara, apenas 54 dos 513 parlamentares em exercício são do sexo feminino. Na outra Casa, o Senado, dos 81 senadores somente 13 cadeiras são ocupadas por elas. Entre os representantes de Goiás no Parlamento nacional, as mulheres não passam de três no meio de 17 homens – com a senadora Lúcia Vânia (PSB) e as deputadas Flávia Morais (PDT) e Magda Mofatto (PR).

Em Goiás, a realidade também é dura para elas. Dos 246 municípios goianos, só 35 são administrados por prefeitas e as vice-prefeitas são seis. As representantes femininas nos Executivos das cidades do Estado são um reflexo da realidade nacional, na qual o número de prefeitas eleitas caiu de 659 eleitas em 2012 para 641 no pleito de 2016. É bom lembrar que existem 5.570 municípios no Brasil. Nas 26 capitais, apenas uma tem mulher no comando: Boa Vista (RR). Coincidência ou não, Roraima é o único estado que conta com uma representante do sexo feminino à frente do governo.

Seria bom poder analisar os números de forma mais otimista, mas o percentual de votos recebidos por candidatas mulheres em 2004 era de 24% e em 2016 caiu para 16%. Isso em um momento em que a legislação eleitoral, por meio da Lei 12.034, de 2009, que obriga as chapas proporcionais – para os cargos de vereador, deputado estadual e federal – a reservar um mínimo de 30% de candidatos de um dos dois gêneros para que homens e mulheres tenham garantido o direito de disputar as eleições em todos os partidos.

O problema é que o pleito de 2016 mostrou uma realidade não favorável ao modelo adotado: o número de candidatas voto zero – aquelas que não receberam nem o próprio voto – subiu de 1.852 em 2008 para 14.498 há dois anos. Tudo para garantir que homens pudessem se eleger, muitas aceitaram se candidatar apenas para preencher a cota obrigatória dos 30%.

Lideranças masculinas

Os dados apresentados, aliados a estruturas partidárias que dão mais espaço e poder a líderes homens, são agravados pela posição ocupada pelo Brasil no relatório Global Gender Gap Report 2017, do Fórum Econômico Mundial. O País figura na vergonhosa 90ª posição de 144 em igualdade entre homens e mulheres, na frente apenas da Guatemala e Paraguai na América Latina. Quando o assunto é empoderamento político, aparecemos no abismo do quase final da lista, apenas no 110º lugar.

O que aconteceu em 2016, quando as mulheres eram três a cada dez candidatos em todo Brasil, explica um pouco o fato de termos em Goiânia apenas cinco vereadoras dos 35 parlamentares eleitos no mesmo ano e quatro de­pu­tadas de 41 representantes na Assembleia Legislativa. Na Pre­fei­tura da capital, apenas duas mulheres ocupam cargos de secretária. Se contarmos a Procura­do­ria-Ge­ral do Município, o número sobe pa­ra três, a mesma quantidade à fren­te de secretarias na estrutura do governo estadual. Na esfera fe­deral, apenas a advogada-geral da União é mulher entre os cargos com status de ministro.

Deputada e presidente do PR, Magda Mofatto diz que sua independência impediu que o machismo a atrapalhasse | Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

E a desigualdade de espaço e importância dados, com a desculpa do machismo linguístico da concordância, vêm das estruturas nacionais dos partidos e se fortalece nos âmbitos estaduais e municipais. As mulheres presidem no Brasil o PT, PMB e Podemos de um total de 35 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em Goiás, estão sob a coordenação delas PT, PCdoB, PSB, PMB e PR, além da divisão do cargo de porta-voz com um homem na Rede. Uma delas é a empresária e deputada federal Magda Mofatto (PR), que admite existir machismo no meio político.

Em seu segundo mandato consecutivo, Magda diz que ainda há pouco interesse das mulheres em se filiar aos partidos políticos com o intuito de ser candidatas nas eleições. “Este ano nós vamos sofrer novamente para conseguir mulheres para participar da chapa”, alerta. A deputada pelo PR não é favorável à obrigatoriedade de uma regra que determine a quantidade mínima de mulheres em uma coligação para a disputa proporcional. “Eu fui a única deputada mulher que votou contra a cota para mulheres. Tem de haver outros mecanismos de incentivo para que a mulher queira estar também na política. Não é por cota que você vai conseguir a participação.”

Para a parlamentar, a mulher se engaja mais em outras áreas da vida pública, mas não na política eleitoral. “Olhe quantas delegadas, juízas, promotoras que temos. E não existem cotas.” No entendimento da presidente do PR goiano, a disputa por espaço nos partidos políticos não é simplesmente uma questão de competência intelectual, mas passa pelo “convencimento do voto”. “A caça pelos votos é muito desgastante. E o político tem má fama. Nós abrimos o jornal todos os dias e só se fala mal de político”, descreve.

No meio de tanto descrédito da classe política, Magda diz que é preciso separar os bons dos maus. “Político não é isso que as pessoas estão falando. Em todos os lugares, seja no Judiciário, no Minis­té­rio Público ou no comércio, têm as pes­soas sérias e os malandros. Existe o bom, o honesto, o trabalhador e existe o bandido que tenta sem­pre tirar proveito da situação.” Aliado a isso, é preciso que haja for­ça das mulheres. “Existe o ma­chismo mesmo, nós acompanhamos isso todos os dias, mas se nós mulheres não batermos os pés e não ficarmos firmes, a estrutura vai continuar a ser para os ho­mens.”

O jeito é encarar as dificuldades e enfrentar o descrédito para construir aos poucos o espaço das mulheres nos partidos, descreve Magda. “Falta o incentivo para que elas sejam políticas, para que elas acreditem em construir uma carreira política, de mostrar que elas são capazes e têm competência.” Ao ser questionada se enfrentou dificuldades pelo fato de ser mulher, a deputada diz que especificamente pelo sexo não. Mas que entende estar em uma posição diferente. “No meu caso, além de eu querer, ir atrás e insistir, eu tenho certa independência financeira e não sofro influência familiar. As decisões são só eu que tomo sem precisar consultar ninguém. Isso tudo me fortalece.”

Por meio do empoderamento feminino, com a confiança e insistência da mulher na participação filiada a um partido, é como a deputada do PR diz acreditar que um dia a realidade da baixa ocupação de cargos eletivos por elas poderá mudar. “Espero que um dia elas entendam que não é lei que vai fazer as mulheres participarem. Não é o poder pelo poder, é ela entender que como mulher ela pode. Basta ela querer”, declara.

Cara a tapa

“Processo de desencorajamento da permanência de uma mulher militante é constante”

Presidente do Conjuve, Aava Santiago diz que, no geral, a estrutura partidária empurra mulheres para fora da política | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Presidente do Conselho Esta­du­al da Juventude (Conjuve), que é par­te da estrutura do governo de Go­iás, a socióloga Aava Santiago (PSDB) conta que a entrada na política partidária para quem vem de lugares marginalizados não é al­go fácil. Ela, que depois de perder o pai no Rio de Janeiro se mudou pa­ra Goiânia, há 13 anos, lembra que não fazia a menor ideia de co­mo funcionava a estrutura de um partido. “Tudo que eu sabia de política era da política estudantil, sem um político na família, sem sobrenome. Era um cenário completamente inóspito para mim. E nesse con­texto eu tive de dar a cara a tapa.”

Aava relata que continua na mes­ma situação de dar a cara a tapa. Talvez agora com um pouco de habilidade para lidar com isso. “Mas o momento da entrada é sem dúvida o mais intimidador e as­sustador. Eu não tinha a menor ideia de como é muito difícil ser uma mu­lher jovem entrando na política.” Como integrante de uma es­tru­tura partidária e governamental, a presidente do Conjuve afirma que a decisão de permanecer na vi­da política não é algo incentivado pe­lo meio. “Se você conversar com qualquer mulher que tenha sido ou seja militante de qualquer partido no Brasil, ela vai te dar um relato pa­recido com o meu. O processo de desencorajamento da permanência de uma mulher militante é per­manente e constante”, relata.

Ela cita que o convite dos líderes partidários para que uma mu­lher participe do processo eleitoral é feito de maneira a constranger a filiada. “Até na hora de compor a cota dos 30% há um tom de de­boche no convite com afirmações como ‘nós estamos te convidando para formar a chapa, afinal de contas, infelizmente, se não for as­sim nós não conseguimos registrar nossa chapa’.” Se uma mulher con­segue chegar ao ponto de ser candidata em uma eleição é porque ela venceu muita coisa dentro do partido. “Na hora em que essa opor­tunidade ou decisão acontece na vida política de uma mulher, al­guém vai propor que ela tire o ti­me dela de campo para apoiar um homem próximo dela. Isso é corriqueiro.”

Se chegar a ser candidata já é algo difícil, conseguir recursos para ban­car a campanha e ser respeitada de igual para igual é ainda mais com­plicado em “uma estrutura emi­nentemente masculina”. “A ten­dência é que as pessoas pensem a partir do seu prisma. Se eu sou ho­mem privilegiado e tenho uma es­trutura toda que me favorece, eu só preciso colocar uma roupa so­cial e adequar o meu discurso para o que as pessoas querem ouvir por­que a minha vida pessoal não vai ser questionada. Já a mulher tem que ser casada, se for jovem pre­cisa o tempo inteiro mostrar o seu valor, que está ali não porque é filha, namorada ou esposa de al­guém.” Aava explica que a estrutura é conduzida para favorecer o uni­verso masculino, que tem dificuldade de entender que ele precisa abrir espaço para a mulher.

“Uma coisa que a política me en­sinou muito é que ninguém abre es­paço, você precisa tomar. E em uma disputa de poder, quem já tem sai muito na frente e por con­ta disso continua a ocupar os espaços.” Para a presidente do Con­ju­ve, a regra dos 30% mínimos para um dos gêneros na chapa proporcional foi distorcida pelo olhar predominante e faz com que a lei seja aplicada de uma forma errada. “Eu sou entusiasta das cotas neste momento. Por mais que hoje tenha mulheres sendo convidadas a participar só pa­ra que homens viabilizem as su­as candidaturas, eles não conseguirão ser candidatos sem garantir a presença de mulheres na chapa, o que já reorganizou a cena do po­der. É preciso partir de algo que é obrigatório para construir outras conexões espontâneas.”

A presidente do Conjuve enxerga que as campanhas de ho­mens são feitas com um poder fi­nan­ceiro maior – com base em da­dos do TSE -, o que faz com que es­ses candidatos “cheguem com mais força e intensidade ao eleitor”. “Eu tenho muita fé, com a pro­ibição do financiamento privado, que as campanhas se tornarão um pouco mais iguais e as mulheres terão mais condições de mostrar as suas candidaturas”, aposta a tu­cana.

Aperfeiçoamento

Aava defende que o avanço na legislação também venha com a discussão da distribuição da verba eleitoral, que hoje não define co­mo o bolo do fundo eleitoral pú­bli­co deve ser aplicado dentro dos par­tidos. “É preciso ter muito cuidado e não responsabilizar as mu­lhe­res pelas estruturas partidárias, que são um trator. É praticamente Da­vi contra Golias. A disparidade é muito maior, inclusive.”

O avanço para que os 30% de candidaturas um dia se tornem efetivas depende da lei entrar na vida partidária e mexer na estrutura. Independente do que aconteça, a tucana defende que as mulheres resistam e persistam. “Eu te falo co­mo militante há 10 anos em um partido político: já perdi as contas de quantas vezes eu quis sair. Se eu for pensar nas centenas de vezes que eu quis desistir da vida partidária, mais de dezenas delas eu atri­buo ao machismo institucional nos partidos políticos”, recorda.

Filiada ao PSDB, a presidente do Conjuve relata que todos os partidos estão nivelados por baixo quando o assunto é a discussão da igualdade de direitos entre homens e mulheres ou a emancipação feminina. “Existem partidos que colocam essa pauta como parte da sua ban­deira de luta e costumam ser mais solícitos pelo menos nos espaços públicos a esses discursos. Militantes desses mesmos partidos queixam-se muitas vezes que seus líderes elogiam publicamente, mas na vida privada sofrem ameaças, calúnia, são perseguidas, assediadas moral e sexual.”

Aava lembra que o ninho tucano conseguiu muitos avanços no assunto, mas ainda não coloca a discussão em sua “pauta de primeira hora”. “Tanto que nós não te­mos paridade de gênero nas nossas mesas diretoras e nas executivas. Eu enfrentei muita perseguição de determinados setores em de­terminados momentos por con­ta de alguns posicionamentos meus.” Ela relata que o tratamento des­respeitoso de parte dos filiados gera também uma rede de atração de outras pessoas, inclusive mulheres do PSDB e de outras siglas, que buscam o fortalecimento da voz feminina nas estruturas partidárias.

“Não existe outro caminho para melhorar a vida das mu­lhe­res a não ser ocupando es­pa­ços de decisão”, afirma. Re­­solver gargalos das diferenças de condições salariais e de representatividade virá com a aprovação de leis mais justas. É o que defende a tucana. “A participação político-partidária é fundamental. Ela é uma das maneiras, exis­tem outras. Mas eu sempre alerto que por mais que seja im­por­tante estar nos movimentos so­ciais e pautar os debates, é fundamental ocupar os espaços de decisão, porque é preciso ter quem pro­voque o debate, mas também ter alguém para colocar essas políticas em prática.”

Assédio no partido

“Eu tenho um espinho na carne na minha trajetória partidária. Fui assediada moral e sexualmente”, revela Aava, ao fazer uma analogia com o apóstolo bíblico Pau­lo. A presidente do Conjuve lem­bra que cantadas e abordagens in­desejadas são situações que toda mu­lher infelizmente pode passar. In­clusive insinuações de que o car­go que ela ocupa não vem da competência profissional, mas porque foi para a cama com alguém ou é amante de um homem considerado importante pode ser uma situação vivida por qualquer mulher.

“Já tive algo mais violento do que isso. Em uma discussão interna eu enfrentei publicamente um suposto líder do partido. A pessoa me chamou em uma conversa pri­vada no WhatsApp e disse ‘você está muito nervosa, vamos fazer amor’.” De acordo com Aava, a rea­ção dela na hora foi de perguntar se a pessoa estava bêbada. Foi quando ele teria insistido: “É sério, vamos transar”. “Foi tão estarrecedor para mim que me feriu na minha condição humana mais profunda, que é a minha condição de mulher. Ele não me atacou politicamente, não me desqualificou, não disse que meu discurso ou atua­ção era ruim, nem que eu não ti­nha razão do ponto que eu levantava”, descreve.

Ela diz que se arrepende de não ter denunciado o caso. Até por isso prefere não correr o risco de revelar o nome do líder do partido que a assediou. “Esse é um excelente retrato de como é difícil me­xer na estrutura de um partido. Por mais que mulheres importantes dentro do partido tenham ficado cho­cadas, ele continuou ocupando o mesmo espaço.” Mas uma vitória, por mais que mínima, Aava diz ter conseguido: “A diferença é que ele não conseguiu reduzir nenhum es­paço meu, embora tenha feito diversas ameaças”.

Enquanto ativista do feminismo em um partido político, Aava diz que o ocorrido serviu para com­preender melhor o “campo de tra­balho espinhoso” que ocupa no pa­pel de mulher que se dispõe a fa­lar com outras sobre o que é ser do sexo feminino e encoraja-las a de­nunciar. “Eu tive medo de de­nun­ciar. E saí da denúncia muito mais exposta e fragilizada do que o meu agressor”, descreve. A presidente do Conjuve diz que ter passado por isso a ajudou a entender melhor e verificar o quanto é difícil denunciar um assédio.

“As pessoas não têm ideia do quão traumático é a decisão de denunciar. Porque naquele mo­men­to a vítima pode estar pensando que ela pode estar jogando a vi­da dela para o alto e ainda sair di­mi­nuída diante do agressor.” Ao pas­sar por esse trauma, Aava afirma que se sentiu indefesa. “Eu sou uma mulher comum como tantas milhares de mulheres no Brasil. Eu não tinha para quem ligar no final da minha denúncia e dizer ‘se der al­gum problema me socorre’. Sou eu por mim com as minhas amigas.” Ela afirma que se tudo tivesse acontecido hoje, ela não recuaria: “A Aava que eu sou hoje, depois de outros enfrentamentos, eu não recuaria. Mas há dois anos eu recuei”.

Preconceito

“Falar que é feminista já é visto como algo errado”

Doutoranda em Literatura, Maria Clara Dunck vê a política como uma coisa de carreira, espaço em que desde o grêmio estudantil a mulher é preterida | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Mediadora do Leia Mulheres Goiânia, um coletivo de leitura e discussão sobre obras de autoras femininas, Maria Clara Dunck vê na política partidária um problema ligado a todas as áreas de atuação na sociedade: o machismo. Doutoranda em Literatura e Práticas Sociais pela Universidade de Brasília (UnB), ela afirma que não há incentivo para que as mulheres participem da estrutura eleitoral no Brasil.

“Eu vejo a política como uma coisa de carreira”, declara. Para uma mulher se destacar na vida eleitoral e partidária, ela precisa começar a atuar desde cedo naquele meio para conseguir se destacar, segundo Maria Clara. “A maioria das representantes femininas têm uma ligação com homens que já estavam lá ou por serem de famílias que têm histórico na política.”

Desde a juventude, as mulheres são desmotivadas quando tentam entrar nas discussões públicas. “Em um grêmio estudantil ela já é preterida pelos homens. Só de olhar é fácil ver que numericamente tem mais homens.” E a análise não para por aí. “As pautas que são discutidas são pensadas por homens”, destaca.

Esse número baixo de mulheres motivadas a concorrer a cargos eletivos a cada dois anos também é um reflexo do espaço que as que conseguem ser eleitas conseguem abrir. “Quando a mulher é eleita, dificilmente ela consegue apresentar outra pauta que não seja daquele universo de discussões que geralmente são machistas”, observa. E se uma parlamentar insistir em colocar em análise um projeto ou assunto que não é do jogo público masculino, há o risco da perseguição. “Começam a dizer que elas estão atrapalhando tudo. E a reação é algo como uma exposição em praça pública. Falar que é feminista já é visto como algo errado.”

Querer discutir a busca por direitos iguais ou defender que a mulher tenha garantida a possibilidade de se empoderar causa problemas. “Nossos direitos têm sido retirados na surdina. Nós temos voz, mas não existe um coro. A representatividade feminina na vida pública está escondida em poucos lugares”, lamenta.

Do lado de fora das estruturas partidárias, mas em contato com mulheres que militam por diversas causas de emancipação e equidade do sexo feminino na vida cotidiana, Maria Clara diz que o feminismo nas siglas é tratado com um pequeno problema, “desde que ele não passe a incomodar”. “O grande desafio hoje é descobrir como apresentar as pautas das mulheres e fazer elas incomodarem. Se faz necessário discutir como a mulher pode entrar em um partido e não ser excluída do processo ao apresentar suas demandas.”

A união das mulheres tem fortalecido o engajamento feminino nas discussões, não só daquilo que é tratado como pautas de determinado sexo, mas no debate das políticas públicas. “Nesses grupos as diferenças são tratadas de uma maneira que vem para fortalecer a discussão. Levar isso para fora dos grupos de mulheres é muito difícil.” Maria Clara lembra que nada é dado de forma voluntária. “O espaço que nós reivindicamos não vai ser simplesmente aberto. É preciso tomar esses espaços”, afirma.

Ambiente hostil

Como a mulher se sentirá motivada a entrar em um lugar visto como um “ambiente hostil”? “Não é fácil encontrar quem queira participar de um espaço em que existe um filtro prévio para as pautas femininas que não são bem-vindas”, alerta. Maria Clara lembra que para uma mulher participar da vida política significa se expor de uma forma cruel. “A imprensa foca na vida privada da mulher, dá destaque para o fato de ela ser casada, por exemplo”, reclama.

Ninguém nasce empoderado. Uma mulher em uma sociedade machista muito menos. “Não é fácil lidar com todas as pressões, ainda mais do meio político, que faz uma abordagem diferenciada sobre a mulher”, pontua.

Amarras sociais

Mulheres temem que candidaturas comprometam renda familiar, relata secretária

Secretária Raquel Teixeira (Seduce) afirma que mulher é vista na política como coadjuvante | Foto: Seduce

“Quando eu era deputada federal, tentei estimular várias subsecretárias, diretoras e coordenadoras que têm uma liderança grande em suas regiões a serem candidatas. O medo delas era ter de gastar dinheiro que prejudique a família.” Eleita duas vezes para da Câmara dos Deputados, em 2002 e 2006, a secretária estadual de Educação, Cultura e Esporte (Seduce), Raquel Teixeira, afirma que as mulheres são coadjuvantes no processo político.

“A questão cultural de a mulher ainda ser no Brasil muito responsável pelos pais idosos, filhos e irmãos, como esteio da família, dificulta. É uma série de questões. E também acredito que há um machismo nos partidos políticos que na prática valorizam a participação da mulher.”

Elas são lembradas na hora de mobilizar e realizar a campanha, no momento de fazer um comício e juntar pessoas, as mulheres são lembradas como pessoas capazes. Mas a participar não há esse convite com a mesma intensidade que é feito aos homens. “Esse machismo é muito mais sutil do que explícito”, observa.

“Eu nunca senti nenhuma discriminação ou opressão porque Já entrei (na política) em uma idade na qual eu já era doutora, tinha sido candidata a reitora. Tenho uma certa condição intelectual que me abre muito as portas.” No caso de Raquel, o estímulo a outras mulheres foi muito mais difícil do que a experiência própria vivida no modelo partidário eleitoral.

A secretária reforça que há sim uma importância maior dada aos homens nos partidos. “As pautas femininas têm espaço na bancada feminina. É uma bandeira das mulheres. Há pouca participação masculina nas chamadas causas da mulher, como a Lei Maria da Penha ou o Estatuto da Criança e do Adolescente.”

Participação da mulher

Para Raquel, o que precisa avançar no Brasil é a discussão da participação da mulher. “A questão da cota, embora algumas pessoas não gostem, tanto na discriminação racial, de gênero ou intelectual, foram na história de muitos países a alavanca para a igualdade de direitos. Ou pelo menos uma assimetria menor”, afirma. O que não quer dizer que a titular da Seduce concorde com o modelo adotado em nosso País.

“Essa cota de 30% é ridícula. Ela existe para levar a lugar nenhum. Cumpre uma pauta obrigatória sem efetividade. Nós vimos na última eleição inclusive mulheres candidatas que nem sabiam que eram. Os nomes são usados para dizer que se cumpre a cota existente.” Raquel compara com o modelo Argentino, onde a cota de 30% é das mulheres eleitas para o preenchimento das vagas legislativas. “Isso fez muita diferença em vários países”, comenta.

A pouca valorização da mulher na vida partidária seria o fator cultural a explicar o critério pouco eficaz de cotas nas coligações, de acordo com a secretária. É bom lembrar que no prazo limite da votação da regra, os deputados federais homens e as lideranças de bancada não concordaram com a reserva de 30% das vagas nos Legislativos para candidatas do sexo feminino e deixaram o texto da lei apenas na formação das chapas.

“Assédio eu não sofri. Mas no primeiro comício que eu faria era uma agenda do governador em Itumbiara, eu não fui escalada para falar. E quando é comício do governador todos os candidatos têm direito a falar. A pessoa que organizou o evento não colocou o meu nome.” A negativa ao direito de discursar não foi aceito por Raquel, que quis saber o motivo de não estar na lista dos políticos que discursariam no comício. “Ele disse ‘a senhora chegou atrasada’, mas eu estava lá antes de muitos dos que estavam escalados para falar. Depois falou ‘é que a senhora não tem nenhuma liderança na cidade, vereador, deputado ou prefeito que a apoie'”, descreve.

A resposta da então candidata a deputada federal foi clara: “Isso eu sei, eu nunca fui política ou candidata a nada. Mas pelo o que eu sei, esse é um comício do governador, eu não preciso de apoio de outros políticos para ter direito à fala”. O tom da conversa na época precisou ser elevado para que Raquel conseguisse discursar no evento. Mas veio seguido de uma ameaça e ajuda masculina. “Eu vou andar com alguém do meu lado, e se alguém atrapalhar meu direito de falar essa pessoa vai quebrar tudo. E eu precisei andar com dois homens para garantir que ninguém me atrapalhasse. Se fosse preciso fazer um escândalo eu faria”, descreve.

Até por não ser muito alta, a secretária precisou se impor da forma que foi possível para ter seu direito à vida política eleitoral garantido em sua primeira campanha. “Eu sempre fui muito valorizada dentro do partido. Eu sou educada, mas se precisar eu vou na jugular.” Na época, ela era filiada ao PSDB, mas hoje encontra-se fora da estrutura partidária.

Reprodução cultural

O machismo vitimiza também mulheres que reproduzem o discurso de inferioridade feminina. “Há muitas mulheres muito machistas. Já cansei de escutar que na hora de escolher um ginecologista ou candidato para votar, algumas preferem os homens. A própria educação que parte das mulheres dão para os filhos, de diferenciar a forma de ensinar meninos de meninas, é um traço do machismo.”  Raquel lembra que muitas vezes elas não percebem o quanto isso as prejudica. E é pela educação que as pessoas se tornarão mais esclarecidas e podem mudar.

“Hoje nós vivemos um momento interessante de posicionamento da mulher enquanto mulher, o que é uma novidade. Vemos isso contra artistas que assediaram mulheres em Hollywood, na Rede Globo, em premiações do cinema, no esporte e em outros setores da sociedade.” A vantagem inédita, segundo a titular da Seduce, é ver mulheres se manifestarem para defender outras mulheres. “Estamos vivendo um processo que faz com que ideias novas convidam com ideias antigas, o que gera um embate natural.”

Desde a conquista do voto na Austrália, em 1902, à queima dos sutiãs (Miss America Protest), a a mulher tem conquistado melhorias na sua condição de vida de forma lenta e gradual, etapa por etapa. “O movimento feminista hoje é multifacetado. Ele se manifesta nos blogs, nos movimentos Me Too e no Mexeu Comigo Mexeu Com Todas. A grande novidade é essa quantidade de grupos participativos”, comemora.

“Temos de caminhar para uma situação que se a mulher ser dona de casa dedicada ao marido e se sentir satisfeita com isso é um direito dela também. Estamos passando por muitas mudanças não só no movimento de mulheres, mas na vida do homem.” Raquel cita que a geração do filho na figura de pai é diferente do que foi o marido sendo pai. “Os pais hoje têm um engajamento muito maior. A falta de empregada doméstica obriga o casal a ter um tipo de convivência familiar diferente”, descreve.

A maior preocupação da secretária é com o recrudescimento dos casos de violência, que têm aumentado, inclusive quando a vítima é a mulher no seu ambiente familiar. “Há sim no embate de força, até como consequência da emancipação da mulher, o aumento da violência. E é algo inaceitável, principalmente no nível que ainda existe.”

Novatas no jogo

Procuradora federal defende que mulheres entrem na disputa e se filiem a partidos

Durante ato pelas mulheres no Dia Internacional da Mulher (8/3), jovem escreve “Em vez de flores uma vez no ano, que tal respeito todo dia!” | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Alessandra Minadakis Barbosa, procuradora federal da Advocacia-Geral da União (AGU), chegou à política partidária há dois anos. Quando se filiou ao PSOL, ela já fazia parte do movimento feminista PartidA, criado em 2015 pela filósofa Marcia Tiburi, que incentiva mulheres a entrarem na vida pública e integrarem a estrutura das siglas eleitorais e até a se tornarem candidatas. “Não é uma exigência, mas se discute bastante no âmbito do movimento a participação mais efetiva de mulheres da vida política com a filiação em partidos e concorrendo a mandatos eletivos.”

Ex-servidora da Receita Federal, Alessandra era professora de Direito Constitucional e acreditava que se vincular a um partido político seria perder autonomia. “Não tem nenhum grupo que eu participe e que concorde com tudo e com todos por exercer uma posição mais crítica. Até por isso eu achava isso incompatível com a participação partidária. Mas percebi que num determinado momento, pela militância em movimentos sociais e feministas, eu precisava me filiar a um partido que eu me identificasse”, descreve.

Ela diz que a escolha por uma sigla de esquerda fez com que encarasse a vida partidária pela primeira vez. Parte desse contato com o partido aconteceu no tempo em que foi diretora da Associação Nacional dos Advogados Públicos Federais (Anafe) e por continuar a ocupar a diretoria da Advogadas e Advogados Públicos para a Democracia (APD). “Os deputados do PSOL foram aqueles que mais despertaram a minha admiração, com uma oposição de esquerda coerente ao governo do PT, mas com apoio ao que era necessário. O PSOL foi mais incisivo contra o impeachment do que o próprio PT.”

Alessandra lamenta que a realidade da participação da mulher na vida política seja ainda as verificadas pela União Interparlamentar, com o Brasil na 152ª posição no número de representantes femininas no Congresso. Outra realidade que Alessandra destaca de forma negativa é a de o País estar na antepenúltima colocação em igualdade entre os sexos na América Latina de acordo com o relatório do Fórum Econômico Mundial. “A situação é de uma participação ainda muito tímida.”

A procuradora afirma que a reserva dos 30% de candidaturas destinada às mulheres tem sido usada apenas para completar as chapas e autorizar os partidos a concorrerem às eleições. “Essa participação pequena é um problema cultural que surge como reflexo da sociedade machista em que estamos inseridas. As responsabilidades pela vida doméstica, criação da casa, dos filhos e muitas vezes do próprio marido ainda são predominantemente femininas.”

Se com a regra dos 30% ainda existem tantas formas de burlar a legislação, o momento seria de discutir a mudança da norma para que a cota seja talvez para garantir um número de vagas na eleição. “Eu não tenho um fórmula pronta, isso seria algo a ser discutido”, diz. Alessandra afirma que as políticas afirmativas são necessárias nos casos em que não há igualdade material, quando a legislação deve entrar no assunto para garantir essas disputa igualitária em uma reforma política. “Espero que isso aconteça na próxima legislatura, porque na atual eu não espero muita coisa desse Congresso.”

Alessandra destaca que cresce o número de mulheres que trabalham foram de casa e ainda cuidam dos afazeres domésticos, enquanto a quantidade de homens que ajuda nas tarefas do lar e na criação dos filhos aumenta pouco. “No grupo de WhatsApp dos pais e mães da sala da minha filha na escola, que tem 31 alunos, são 31 mães. Nenhum pai participa”, destaca.

A procuradora observa que a disponibilidade da mulher em participar da política inclui a falta de apoio. “Muitas vezes elas colocam em risco seus casamentos, relacionamentos afetivos, são discriminadas pela sociedade por seu papel como mãe por entrarem na vida partidária. Além disso, o machismo faz com que a mulher trave mais batalhas nesses espaços para conseguir ser ouvida.”

Mulher em um partido

Procuradora federal Alessandra Minadakis afirma que dificuldades enfrentadas por mulheres na vida política são muito maiores | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

A militante do movimento PartidA afirma que é muito comum, mesmo em partidos de esquerda que se dizem mais receptivos às pautas feministas, a ocorrência de tentativas de silenciamento das mulheres por parte de filiados homens. “Acontecem casos de minimizar questões como o assédio, problemas que as partidárias femininas sofrem para chegar a determinada posição.”

Em 2017, Alessandra foi convidada para representar a Anafe em audiência pública no Ministério Público Federal (MPF) que trataria da participação feminina na política. “Um depoimento que me marcou muito foi de uma mulher que contou de uma reunião na escola do filho que ela não pode ir em função de outro compromisso. O filho tinha reprovado no colégio. E ela se culpava por isso. É interessante como a culpa ainda está muito inserida na vida da mulher”, relata.

Não há igualdade em qualquer espaço que a procuradora tenha participado ao longo de sua vida. “Mesmo nas universidades, quando é realizada a atividade de um congresso na qual uma mesa é composta por nove homens e apenas uma mulher.” Esse esforço maior que as filiadas precisam ter para conseguirem ser ouvidas nos partidos dificulta que as mulheres consigam sentir um tratamento igual ao que os homens gozam nas estruturas eleitorais.

“Eu acredito muito na força das mulheres quando se unem. Se nós retomarmos as conquistas alcançadas ao longo da história, muitas começaram através de movimentos de mulheres. Desde a Revolução Russa. Inclusive nas manifestações estudantis contra a ditadura militar cada vez mais repressora em 1968.” Alessandra destaca o “Fora, Cunha”, que foi iniciado por mulheres.

Uma mulher, que tem dupla ou tripla jornada diária de trabalho, ainda tem dificuldades de ver que isso avance em um curto espaço de tempo. “As mulheres são as mais afetadas quando surgem pautas como as reformas (trabalhista e da Previdência). Até por isso vemos muitas vezes movimentos femininos à frente de manifestações”, destaca.

“Eu não posso dizer que eu sofri assédio em uma estrutura partidária ou do PSOL, que é o único espaço que participei como filiada. Mas nas discussões das pautas feministas é comum, qualquer partido político, que as mulheres precisem se impor muito para que aquele assunto seja encarado como importante naquela estrutura.” E Alessandra destaca que diz isso mesmo participante de uma sigla de esquerda mais aberta debates propostos pelas suas participantes. “Já sofri assédio moral no trabalho e em outros ambientes.”

Rivalidade

Outra dificuldade que a procuradora afirma ser dificultadora da emancipação total da mulher aconteça vem da criação cultural de uma necessidade de rivalidade entre representantes do sexo feminino. “Nós precisamos pensar em superar essa ideia de mulheres como rivais. É necessário construir um imaginário de união.” Alessandra diz que os problemas enfrentados por elas no cotidiano é parecido independente da classe social da mulher. “Que as mulheres se percebam na mesma situação de dificuldade para se unirem mais. Isso tem melhorado, mas ainda há muito a se caminhar para que essa construção cultural seja rompida.”

Momentos de desânimo existem com a falta de respeito à voz feminina nos partidos, mas Alessandra afirma que nesses dois anos não chegou a pensar em desistir da participação política. “Eu ainda me sinto engatinhando nesse processo. Como tenho pouco tempo em uma estrutura partidária, acaba sendo mais fácil para mim. Já vi muitas mulheres valorosas, com perspectiva de futuro, desistirem”, descreve.

Grande parte das mulheres ainda não se percebeu capaz de ocupar os mesmos espaços dominados por homens, segundo a procuradora. “Uma candidatura feminista não se resume a uma ou outra questão que aparentemente esteja restrita ao feminismo. Se nós formos tratar de saúde pública ou educação, é importante pensar na mulher inserida nesse contexto. Todo projeto de governo precisa ter um olhar especial para a questão da mulher naquele assunto”, explica.

Mesmo ao se declarar como uma otimista da mudança cultural e estrutural que garanta mais espaços às mulheres na construção das políticas públicas e nos debates partidários, Alessandra diz acreditar que nada disso poderá acontecer no curto prazo. A procuradora lembra do risco de retrocesso colocado no Congresso por meio de uma emenda incluída na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 181/2015 que tenta barrar a garantia do aborto em qualquer caso com o entendimento de que a vida começa a partir da concepção. Isso em uma PEC que trata originalmente da ampliação do direito a licença-maternidade para mães de bebês prematuros.

“Infelizmente, aquilo que havíamos superado na discussão dos direitos das mulheres, nós estamos retomando em razão do conservadorismo que tem tomado conta de grande parte da sociedade e do Congresso.” Estruturas religiosas com projeto de poder, abastecidas pela força financeira, tem avançado sobre a garantia de direitos femininos, alerta Alessandra. “Há um risco de vivermos um período de retrocesso no País. As mulheres precisam ser incentivadas a participar da política e votar em outras mulheres. O feminismo defende o direito de a mulher ser aquilo que ela quiser e participar dos espaços que ela quiser.”

As mulheres ouvidas pelo Jornal Opção esperam que mulheres tenham seu direito a representatividade garantido para que deputadas como Mariana Carvalho (PSDB-RO), que presidiu a sessão de 7 de março na Câmara, não se sintam sozinhas em um ambiente que não deveria ser, mas é, predominantemente masculino | Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

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