Segunda-Feira, 03 de Agosto de 2020

Nacional
Terça-Feira, 28 de Julho de 2020, 19h:17

NOVO SNI?

Espionagem no Ministério da Justiça remete à denúncia de Moro; JB quer uma rede de informação para uso político

Ministro da Justiça é denunciado por crimes contra a administração pública por ter usado o Ministério da Justiça para espionagem

Jô Navarro

Reprodução

A revelação de que o Ministério da Justiça está reunindo dossiês de 'antifascistas' causou surpresa e preocupação entre os defensores da democracia. Para muitos, o uso do Ministério da Justiça pelo ministro André Mendonça para espionar adversários políticos do presidente Jair Bolsonaro é um prenúncio da recriação do Serviço Nacional de Informação (SNI) que levava o terror durante o período da ditadura militar.

Lideranças do PT denunciaram hoje (28) o ministro André Mendonça por crimes contra a administração pública ao colocar o ministério para fazer espionagem. O secretário-geral do PT, deputado Paulo Teixeira (SP), e dos líderes do Partido na Câmara, Enio Verri (PR), e no Senado, Rogério Carvalho (SE) pediram ao procurador-geral da República, Augusto Aras, e ao Tribunal de Contas da União (TCU) a abertura de investigações para apurar a conduta do ministro André Mendonça.

O Ministério, por meio da Secretaria de Operações Integradas, produziu dossiês com nomes, fotos e endereços das redes sociais de 579 agentes de segurança pública e quatro acadêmicos considerados formadores de opinião do movimento dos policiais antifascistas. Mendonça criou uma polícia política no ministério.

SERGIO MORO AVISOU

O caso remete à denúncia do ex-ministro Sergio Moro, que revelou que o presidente Jair Bolsonaro queixava-se de 'não saber nada' e insistia em nomear alguém para comandar a Polícia Federal no Rio de Janeiro com pudesse conversar diretamente, a fim de receber relatórios sobre as investigações em curso naquele estado. Durante a reunião ministerial no dia 22 de abril o presidente queixou-se da falta de informação e deixou clara sua irritação e disposição para conseguir o que queria.

Com a saída de Sergio Moro e a nomeação de André Mendonça para o Ministério da Justiça, Jair Bolsonaro passou a colocar em prática o plano de criar uma rede de informação cujo objetivo é político e não a segurança nacional.

A Advocacia Geral da União, a pedido de Bolsonaro, recorreu ao STF em favor dos militantes bolsonaristas que tiveram suas redes sociais suspensas no Twitter a pedido do ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news, que apura ameaças contra os ministros do Supremo Tribunal Federal. O movimento causou surpresa, já que a AGU não pode defender interesses privados.

 

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