Sábado, 11 de Julho de 2020

Nacional
Quarta-Feira, 03 de Junho de 2020, 15h:40

CÂMARA FEDERAL

CPMI identifica 2 milhões de anúncios pagos com verba federal em canais de ‘conteúdo inadequado’

Lívia Barbosa

Reprodução

FAKE NEWS no Facebook

O relatório produzido por consultores legislativos a pedido da CPI das Fake News mostrou que 2.065 anúncios pagos com verba do governo federal foram veiculados em sites que divulgam notícias falsas, oferecem investimentos ilegais e até aplicativos com conteúdo pornográfico.

Os dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso a Informação (LAI) e o levantamento foi apresentado nesta terça-feira, 2. Apesar de ter solicitado informações do período entre janeiro e novembro de 2019, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) só forneceu dados referentes a 38 dias, entre 6 de junho e 13 de julho do ano passado.

Ou seja, as informações apresentadas referem-se ao período de 38 dias, o que faz com que o volume desses anúncios pagos pela Secom seja muito maior.

A verba utilizada neste período era para a campanha sobre a Reforma da Previdência e se refere a recursos distribuídos na internet por meio da plataforma Adwords e Adsense do Google. Essa publicidade é direcionada de forma automática aos sites pelas plataformas, mas é possível ao anunciante bloquear tanto sites específicos quanto categorias de assuntos.

No total, os consultores da CPMI idenficaram 843 canais considerados inadequados que veicularam um total de 2.065.479 anúncios. Entre esses canais estão 47 sites que divulgam notícias falsas, 741 canais do Youtube que foram removidos pela plataforma por descumprimento de regras, 12 sites com notícias sobre jogos de azar, sete que fazem ofertas de investimentos ilegais e quatro com conteúdo pornográfico.

A classificação do que é um site que divulga notícias falsas foi feita pela própria equipe que elaborou o relatório.

Foram identificados ainda cinco canais que fazem promoção pessoal de autoridades como o presidente Jair Bolsonaro e que receberam anúncios pagos pela Secom. Entre os canais identificados pelo documento estão canais no YouTube como o “Bolsonaro TV” e o canal pessoal do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), além do site do senador.

O relatório aponta que a destinação de verba pública para a promoção pessoal de autoridades pode ser interpretada como violação à Constituição Federal.

https://gauchazh.clicrbs.com.br/politica/noticia/2020/06/cpmi-das-fake-news-identifica-2-milhoes-de-anuncios-do-governo-federal-em-canais-de-conteudo-inadequado-ckaz8xlw90026015nnpjz210y.html

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