Terça-Feira, 20 de Novembro de 2018

Mato Grosso
Domingo, 04 de Novembro de 2018, 07h:59

CÂMARA DE CUIABÁ

Vereador quer CPI da TV Mais para investigar favorecimento do irmão do prefeito Emanuel com verbas de publicidade

Apesar da gravidade da denúncia, vereadores da base novamente "blindam" Emanuel Pinheiro para evitar que o caso seja investigado

Cícero Henrique

Requerimento de CPI

O vereador Abilio Junior (PSC), oposição ao presfeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (MDB), está colhendo assinaturas para instaurar mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito, a "CPI da TV Mais". Já assinaram o requerimento, além de Abilio Junior, os vereadores Felipe Welaton (PV), Dilemário Alencar (PROS), Diego Guimarães (PP) e Marcelo Bussiki (PSB).

Divulgação/Facebook

Vereador Abilio Brunini Júnior

Vereador Abilio Brunini Júnior (PSC)

Segundo dados obtidos na Secretaria de Inovação e Comunicação (Sicom) em abril passado pelo vereador, a TV Mais recebeu em 2017 a importância de R$ 687.688,21 a título de verba publicitária.

Na justificativa do pedido de CPI Abilio Junior aponta que os maiores valores gastos pela Prefeitura com publicidade institucional ocorreram depois da divulgação em rede nacional do vídeo em que o prefeito Emanuel Pinheiro recebe maços de dinheiro de Silvio Correa, ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa. O caso resultou na abertura da 'CPI do Paletó' na Câmara Municipal.

 

Requerimento de CPI

Timeline TV Mais

 

As planilhas obtidas pelo vereador registram um crescimento exponencial das verbas destinadas à TV Mais, administrada Marco Polo de Freitas Pinheiro (o Popó), irmão do prefeito Emanuel Pinheiro.

Em 2017 a Sicom gastou R$ 18.051.367,33 em veiculação de propaganda. Em 2016, último ano da gestão do ex-prefeito Mauro Mendes, a Sicom gastou R$ 4.288.488,50 com veiculação de propaganda institucional.

Portal da Transparência - Prefeitura de Cuiabá

Gastos da Sicom 2016 e 2017

 

Mas os gastos não pararam aí. Em 2018, ano em que o prefeito Emanuel Pinheiro lançou o filho Emanuelzinho à disputa por uma vaga de deputado federal, o gasto com publicidade no primeiro semestre de 2018 quase dobrou em relação a 2017, chegando a R$ 24.464.972,73. A informação consta no Inquérito instaurado pelo Ministério Público Estadual que investiga os gastos da prefeitura com publicidade a fim de bloquear valores para custear a compra de medicamentos a fim de atender demandas judiciais de cidadãos cuiabanos. "Analisando os valores apresentados no ano de 2017, no Portal da Transparência, o Município de Cuiabá "investiu" a quantia de R$ 12.746.790,21 (doze milhões, setecentos e quarenta e seis mil, setecentos e noventa reais e vinte e um centavos), enquanto em 2018, até a data de 28/06/2018, o valor pago às empresas de publicidade quase DOBROU (do valor total destinado à Secretaria Municipal de Inovação e Comunicação foi descontado as despesas Município de Cuiabá, Previdência Social, INSS, empresas de telefonia e monitoramento, e resultou a quantia de R$24.464.972,73 )", diz trecho do inquérito.

Apesar da gravidade da denúncia, vereadores da base novamente 'blindam' Emanuel Pinheiro para evitar que o caso seja investigado.

Leia também: Vereador Abilio Júnior reafirma autenticidade de planilha com nome do irmão de Emanuel Pinheiro

No requerimento de abertura da CPI da TV Mais consta ainda a transcrição de parte de gravação de áudio feita por Abilio Junior de conversa com a então diretora Administrativa Financeira da Sicom, Maria Aparecida Aguiar (Cidinha). Nesta conversa a diretora revelou que Popó tentou "tirar sua cabeça três vezes" por que ela queria fazer "tudo certinho". Disse ainda que a nomeação da ex-secretária de Comunicação Karol Garcia atendeu a interesses de Popó, amigo da jornalista.

Quando tomaram conhecimento das planilhas da Sicom em abril, os vereadores Abilio Junior (PSC), Felipe Welaton (PV), Dilemário Alencar (PROS), Diego Guimarães (PP), Gilberto Figueiredo (PSB), Toninho de Souza (PSD) e Marcelo Bussiki (PSB) apresentaram denúncia ao Ministério Público contra o prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (MDB). As planilhas contendo os pagamentos para a TV Mais, inclusive com menção direta de pagamento para Popó, foram anexadas. Até o momento não há confirmação se foi instaurado inquérito pelo MP para investigar estas denúncias.

 

Requerimento de CPI

CPI TV Mais - assinaturas

 

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