Quinta-Feira, 12 de Dezembro de 2019

Mato Grosso
Terça-Feira, 03 de Dezembro de 2019, 14h:35

DENÚNCIA DE ESQUEMA CONTRA VEREADOR

Se não foi Elizabete quem enviou as mensagens denunciando "esquema", quem passou as informações?

Jô Navarro

Divulgação

Câmara Municipal de Cuiabá

De um lado, o vereador Juca do Guaraná entrega à Câmara Municipal documentos que, segundo ele, provam que a autora de denúncia contra o prefeito Emanuel Pinheiro e alguns vereadores, Elizabete Maria de Almeida, não esteve em sua casa, como afirmou à Comissão de Ética. Juca do Guaraná desafiou na manhã desta terça-feira (3), no Plenário, que alguém prove que a servidora esteve em sua casa.

O parlamentar mostrou um vídeo da entrada de sua residência que mostram o prefeito Emanuel Pinheiro chegando pouco depois das 20h no carro oficial. Juca também afirmou que as imagens de sua casa mostradas pela denunciante estavam disponíveis em suas redes sociais.

Reprodução/TV Câmara Cuiabá

Imagens de segurraça

Imagem mostrada pelo vereador Juca do Guaraná na Câmara Municipal de Cuiabá

Juntamente com Juca do Guaraná, outros parlamentares aliados do prefeito, alguns citados por Elizabete, passaram a atacar o vereador Abilio Junior, o mais combativo da oposição, de estar 'por trás' da denúncia da servidora do Hospital São Benedito (HSB).

De outro lado, Emanuel Pinheiro recorreu à Assembleia Legislativa, buscando ajuda política dos deputados, a quem queixou-se de uso político da denúncia na Delegacia Fazendária, depois que os delegados Lindomar Tofoli e Anderson Veiga forma transferidos para outras delegacias.

O Delegado Geral da PJC-MT, Mário Dermeval Aravechia de Resende, rebateu afirmando que "a remoção dos delegados em razão da criação da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR) via Decreto 267/2019 publicado em outubro deste ano, ou seja, mais de um mês antes da lavratura do Boletim de Ocorrência supracitado, bem como a consequente reconfiguração da Defaz".

No meio deste embate o vereador Abilio Junior, alvo de processo de cassação de mandato na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, pede atenção de todos para o fato de que é a denuciante arrolada pela acusação, Elizabete Maria de Almeida, quem deve apresentar as provas.

Abilio voltou a insistir para que o presidente da CE, Toninho de Souza, derrube o sigilo e realize as oitivas na sala das comissões, de forma transparente. "Eu não pedi sigilo, eu não quero sigilo", afirmou o parlamentar.

O vereador entregou à polícia os prints das mensagens trocadas com Elizabete Maria, em que ela relata uma conspiração e compra de votos para cassar seu mandato. Abilio registrou boletim de ocorrência relatando detalhes  que recebeu da servodora por meio do WhatApp. (Veja abaixo).

Detalhe do BO

 

Hoje a Comissão de Ética protocolou os documentos entregues por Juca do Guaraná no Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), para que sejam juntados à notícia-crime protocolada na semana passada.

Transparência
O vereador Abilio afirmou hoje no plenário que depois que Elizabete apresentou a denúncia na Comissão de Ética, ele a procurou em sua casa. Na ocasião ela revelou, segundo Abilio, que temia por sua vida, pois já existiria um precedente de Juca do Guaraná que teria "mandado matar" uma pessoa.

Segundo o parlamentar, com objetivo de proteger a denunciante, levou-a para um hotel, comunicando isto ao delegado e registrando em vídeo que pagou a despesa do hotel com seu cartão de crédito.

Perguntas

Abilio levantou algumas perguntas ainda sem respostas: "Por que Juca do Guaraná não registrou um Boletim de Ocorrência contra Elizabete? Por que Juca do Guaraná não apresentou uma denúncia formal de denunciação caluniosa contra ela? Por que ele insiste em atribuir a mim a responsabilidade pela denúncia de uma servidora comissionada que ainda continua trabalhando no HSB? "

Urgência

O que precisa ser exigido com celeridade, tanto pelo Gaeco como pela Defaz, é a apresentação da prova que Elizabete afirma ter, o vídeo que mostraria Emanuel Pinheiro dando dinheiro para vereadores na casa de Juca do Guaraná. A servidora do HSB tem o dever de esclarecer os fatos, provar o que afirma ter presenciado.

Na hipótese que ela não estivesse na casa de Juca do Guaraná quando enviou as mensagens para Abilio denunciando o suposto esquema, quem enviou-lhe as imagens e descreveu o que estava acontecendo naquela noite? Ou seja, se não foi ela, alguém que estava lá dentro o fez.

A reportagem não conseguiu contato com a servidora Elizabete para ouví-la.

O prefeito Emanuel Pinheiro e os vereadores citados na denúncia negam qualquer ilicitude na festa de Juca do Guaraná.

 Veja abaixo íntegra da sessão ordinária da Câmara Municipal de Cuiabá nesta terça-feira:

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