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Quinta-Feira, 26 de Abril de 2018, 13h:38

EUA

Preso um dos maiores assassinos e estupradores em série da história dos EUA

P.X.S do El País

AFP

Foto policial de Joseph James DeAngelo apresentada na coletiva de imprensa desta quarta-feira em Sacramento

Ele entrava de noite por uma janela aberta ou pela porta dos fundos enquanto suas vítimas estavam dormindo. Não fazia nenhum barulho. De repente, estava no quarto. Ele as acordava com uma lanterna no rosto, uma faca e uma ameaça de morte. Logo estariam de mãos amarradas. Se houvesse um homem no quarto, seria amarrado também. Em seguida, saqueava a casa e estuprava a mulher. Essa é a descrição, sem detalhes, que o FBI faz dos crimes do East Area Rapist (Estuprador da Zona Leste). No total, foram 45 estupros e 12 assassinatos entre 1976 e 1986. Depois desapareceu. O FBI e a polícia de Sacramento, Califórnia, afirmam tê-lo capturado na quarta-feira, dia 25, após quatro décadas de mistério.

O suspeito se chama Joseph James DeAngelo. Segundo a informação do The Sacramento Bee, confirmada pelas autoridades na entrevista coletiva, ele foi preso na madrugada de quarta-feira (hora local) em Citrus Heights, nos arredores da capital da Califórnia, em conexão com dois assassinatos investigados pelo xerife de Ventura County. DeAngelo tem 72 anos. Ao longo dos anos, ele foi chamado de East Area RapistGolden State Killer e The Original Night Stalker.

”A resposta sempre esteve no DNA e sempre esteve aqui em Sacramento”, disse na entrevista coletiva a promotora do condado, Anne Marie Schubert, acompanhada por todas as agências de segurança que trabalharam no caso nas últimas quatro décadas. Schubert lembrou que era criança quando os crimes começaram em East Sacramento, e como a cidade ficou aterrorizada naqueles anos. “Para muitos de nós tem sido pessoal”, disse ela.

A ficha de procurado do ‘Golden State Killer’ do FBI
A ficha de procurado do ‘Golden State Killer’ do FBI AFP
 

As autoridades não detalharam como se chegou à identificação de DeAngelo a partir do DNA. Só disseram que a pista definitiva que levou à prisão apareceu nos últimos seis dias. O mandado de prisão foi emitido na terça-feira.

O xerife de Sacramento, Scott Jones, descreveu o momento em que os policiais bateram na porta de DeAngelo no bairro de Citrus Heights 40 anos depois de seus primeiros crimes na mesma área. “Ele parecia confuso.” Jones confirmou que DeAngelo foi policial entre 1971 e 1979. Isso quer dizer que seus primeiros crimes foram cometidos quando trabalhava como policial em Auburn, Califórnia. O suspeito tem família. Jones confirmou apenas que tem filhos maiores de idade.

Uma vítima do estuprador, Jane Carson-Sandler, disse ao jornal The Island Packet que dois investigadores entraram em contato com ela na quarta-feira. “Estou muito feliz”, disse ela. “Chorei muito esses dias.”

Carson-Sandler foi a quinta vítima do Golden State Killer. Em 5 de outubro de 1976, às 6h30, ela acordou em sua cama com uma faca de cozinha no peito e uma ordem: “Cala a boca ou te mato.” Um homem encapuzado estava em cima dela. Seu filho de três anos estava ao lado. “Cala a boca ou te mato”, repetiu o homem, enquanto deixava um rastro de sangue em seu peito com a ponta da faca. “Eu só quero o seu dinheiro.”

Em vez de procurar pelo dinheiro, o homem calmamente começou a cortar tiras dos lençóis. Cobriu os olhos e a boca dela e do filho. Amarrou as mãos e os pés. Ela ouviu o homem agarrar seu filho e tirá-lo da cama, talvez o tenha levado para outro quarto. Então ele a estuprou.

Estupros como esse começaram no verão de 1976 nos subúrbios de Sacramento. O estuprador só levava pequenos objetos de valor das casas. Em 1978, um casal foi morto a tiros enquanto passeava com seu cachorro em Rancho Cordova, outro bairro da capital californiana. São atribuídos a ele dezenas de estupros e assassinatos entre aquele ano e 1981. Os crimes pararam até maio de 1986, quando uma jovem de 18 anos foi estuprada e assassinada em Irvine, no sul da Califórnia. É o último crime atribuído ao Golden State Killer. Os casos foram conectados recentemente graças ao DNA.

No livro I’ll Be Gone in the Dark (“Vou-me embora no escuro”, em tradução livre), lançado em fevereiro, a jornalista Michelle McNamara conta sua história sobre o caso. O título ficou em primeiro lugar na lista de não-ficção do The New York Times. McNamara morreu repentinamente em 2016 aos 46 anos. Ela era esposa do comediante Patton Oswalt. A HBO está filmando uma série sobre a investigação. “Acho que você o pegou, Michelle”, tuitou Oswalt na quarta-feira após a notícia.

Em 2016, o FBI deu uma entrevista coletiva em uma última tentativa de reativar o caso e procurar novas pistas. Publicou todas as informações disponíveis até então e ofereceu uma recompensa de 50.000 dólares por qualquer informação que levasse à captura do Golden State Killer. Além disso, uma série documental da HLN, Unmasking a Killer, reativou o interesse pelo caso, um dos grandes mistérios do noticiário policial dos Estados Unidos.

 

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