Sábado, 19 de Outubro de 2019

Internacional

Segunda-Feira, 23 de Setembro de 2019, 07h:02

ONU

‘Me dá pena pelo Brasil’, diz Bachelet

Reprodução

Alta comissária dos Direitos Humanos da ONU e ex-presidente chilena, Michelle Bachelet

A Alta comissária dos Direitos Humanos da ONU e ex-presidente chilena, Michelle Bachelet, afirmou que sente “pena pelo Brasil” ao recordar a defesa que o presidente Jair Bolsonaro fez recentemente da ditadura de Augusto Pinochet no Chile, na qual justificou a morte do pai da socialista pelo regime militar. A declaração faz parte de uma longa entrevista concedida à rede de televisão pública chilena TVN, cujo conteúdo foi divulgado parcialmente neste domingo pelo jornal La Tercera. É a primeira vez que Bachelet comenta o caso.

No início do mês, com a Amazônia em chamas em consequência das queimadas, Bachelet criticou a “redução do espaço cívico e democrático” no Brasil. Bolsonaro respondeu que Bachelet estava “seguindo a linha” do presidente francês, Emmanuel Macron, ao se “intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira” e fez elogios à ditadura de Pinochet (1973-1990).

— Se há uma pessoa que diz que em seu país nunca houve ditadura, que não houve tortura, que a morte de meu pai por tortura permitiu que (o Chile) não fosse outra Cuba, a verdade é que me dá pena pelo Brasil — disse Bachelet.

Na ocasião, o capitão da reserva do Exército e atual presidente do Brasil afirmou que “[Bachelet] diz ainda que o Brasil perde espaço democrático, mas se esquece que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à época”, escreveu o brasileiro. O general de brigada da Força Aérea chilena Alberto Bachelet Martínez, um oficial legalista que se opôs ao golpe de 1973 que derrubou o presidente socialista Salvador Allende e foi preso e torturado pela ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990). Alberto Bachelet morreu de infarto na Prisão Pública de Santiago, aos 50 anos, em 1974. Em 2014, dois ex-militares foram condenados pela tortura e morte dele. Procurada pelo GLOBO por meio de sua assessoria, Bachelet disse na época que não iria comentar os ataques de Bolsonaro.

Bachelet também afirmou que a “redução do espaço democrático não acontece apenas no Brasil”, e disse considerar que, na área de direitos humanos, “não existe nenhum país perfeito”.

Em outros temas, a ex-presidente voltou a se defender de novas informações da imprensa que vinculam sua campanha para conquistar o segundo mandato à frente do Chile em 2014 a contribuições da empreiteira brasileira OAS.

– Minha verdade é a mesma de sempre. Eu não tenho, nunca tive vínculos com OAS nem com qualquer outra empresa – disse Bachelet, que considerou “estranho” o retorno do tema à imprensa.

Ao falar sobre seu papel na crise da Venezuela, Bachelet respondeu que muitos, de modo equivocado, a observam como a “virgem Maria”, aquela que pode solucionar o problema.

– Sou Alta Comissária e quero manter minha relação com o Estado venezuelano para seguir trabalhando e para ajudá-los a resolver a situação crítica dos direitos humanos – disse.

Para as Nações Unidas, “Juan Guaidó é o presidente da Assembleia e o presidente eleito é Nicolás Maduro”, completou a socialista.

Na mesma entrevista, Bachelet, que governou seu país entre 2006-2010 e 2014-2018, garantiu que não voltará a ser candidata à presidência do Chile.

 

 

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