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Sexta-Feira, 27 de Abril de 2018, 07h:39

PAZ

Líderes das duas Coreias abrem cúpula histórica pela paz, “um presente para o mundo”

MACARENA VIDAL LIY do El País

REUTERS

O líder norte-coreano Kim Jong-Un aperta a mão do presidente sul-coreano Moon Jae-in

Exatamente às 9.30 da manhã, hora sulcoreana (2.30 GMT), o líder supremo Kim Jong-um converteu-se no primeiro líder da Coreia do Norte a cruzar a linha de demarcação que divide a Península e pisar el solo sulcoreano. Com um gesto sério, saiu do pavilhão Panmungak e desceu os degraus para se aproximar da linha de demarcação, a fronteira entre os dois países. Ao outro lado da estreita linha de cimento o esperava o presidente do Sul, Moon Jae-in. Ambos se saudaram com um efusivo – e histórico – aperto de mãos, enquanto trocavam sorrisos e palavras, com gestos distendidos. Inclusive com ares despreocupados: depois de posar para os fotógrafos no lado sulcoreano, Kim murmurou umas palavras a Moon e ambos cruzaram a linha de demarcação para o lado do Norte, em um ato espontâneo, e assim tirar fotografias também em chão nortecoreano.

Em seguida, em um dia de sol radiante,  ambos caminharam pelo tapete vermelho estendido especialmente para receber Kim. Os delegados militares norte-coreanos saudaram Moon; Kim não fez o mesmo com os soldados do Sul. Depois da solene cerimônia de boas-vindas, ambos celebrarão ao longo de todo o dia na Casa da Paz de Panmunjom, na Zona Desmilitarizada, a primeira cúpula de mandatários coreanos em onze anos. O líder da Coreia do Norte escreveu no livro de honra: "Uma nova história começa agora" e " é tempo para a paz e para começar um novo momento na história". Além disso Kim Jong-un disse na reunião com o presidente Moon Jae-in que não quer que se produza uma repetição do passado onde não puderam ser "cumpridos os acordos", afirmou.

"Sinto-me muito feliz. A primavera está aqui na Coreia e espero que todo mundo esteja pendente desta primavera", disse por sua vez Moon Jae-in em referência à cúpula na que ambos países esperam alcançar uma paz que "florescerá" a partir do encontro. Assim mesmo, o líder sul-coreano agradeceu ao "secretário geral do Partido dos Trabalhadores por ter aceito se reunir". "Por que não selamos um acordo de paz que seja um presente para o mundo?", afirmou. "Nas últimas sete décadas não pudemos falar e poderíamos estar falando diariamente", continuou Moon. 

Kim e Moon preveem dialogar a respeito de um possível acordo de paz permanente que ponha fim à guerra (1950-1953) que ainda mantêm tecnicamente; vão debater vias para melhorar as relações entre os dois países e, sobretudo, falar sobre os passos para a desnuclearização da Coreia do Norte, a grande chave.

Durante uma pausa ao meio dia local, e depois de um almoço que a cada delegação consumirá por separado, os dois líderes plantarão conjuntamente um pinho, que invoca suas origens em 1953, no ano em que se assinou o armistício militar. A cúpula, a terceira da história entre dois líderes coreanos, servirá para preparar a reunião que Kim Jong-un têm previsto celebrar em maio ou junho com o presidente norte-americano, Donald Trump.

Kim veio acompanhado de uma comitiva na que se encontram sua irmã e assessora de confiança, Kim Yo-jong, e o veterano chefe de Estado, Kim Yong-nam. Após a conclusão das conversas, espera-se que os dois líderes assinem os acordos que venham a estabelecer, e façam a partir daí algum tipo de anúncio. A jornada será concluída com um banquete de boas-vindas antes que a delegação norte-coreana regresse a Pyongyang.

ESTADOS UNIDOS CELEBRA A REUNIÃO

EFE

O Governo dos EUA assinalou o desejo hoje de que ambos os presidentes "consigam um progresso" para a península com as conversas que celebram nestes momentos em sua fronteira: "Esperamos que as conversas consigam um progresso para um futuro de paz e prosperidade para toda a península da Coreia", disse a Casa Branca em um comunicado.

Estados Unidos, que desejou "o melhor" ao povo coreano, também agradeceu a Seul "a estreita coordenação" neste processo de aproximação com Pyongyang. Assim mesmo, mostrou seu interesse em "continuar os debates sólidos de preparação" da histórica reunião prevista para meados de maio entre Kim Jong-un e o presidente norte-americano, Donald Trump.

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