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'Financial Times': Corrupção e populismo atravessam Brasil sem fé na democracia | Caldeirão Político

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Quinta-Feira, 21 de Setembro de 2017, 15h:10

CORRUPÇÃO

'Financial Times': Corrupção e populismo atravessam Brasil sem fé na democracia

Redação

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Financial Times

A edição desta quinta-feira (21) do jornal britânico Financial Times traz um caderno especial sobre a crise política e financeira do maior país da América Latina. 

O texto afirma que tudo no Brasil pode parecer maior do que em outros lugares - e o mesmo vale para suas crises. De fato, o humor atual é tão ruim que, segundo Boris Fausto, historiador de renome, a crise atual é "a maior e mais dramática da história do Brasil".

"O país começa a emergir da sua pior recessão: cerca de 14 milhões de brasileiros estão desempregados, uma série de escândalos de corrupção em grande escala; o departamento de Justiça dos EUA chamou a empresa que cercou a Odebrecht, uma vez que a maior empresa de construção da América Latina, o maior esquema de suborno estrangeiro do mundo", descreve Financial Times.

No entanto, destaca o diário britânico: "é na política que a crise é sentida talvez com mais força. Até um terço dos membros do congresso enfrentam investigações sobre contribuições ilegais para campanha. No ano passado, a presidente Dilma Rousseff foi acusada. É bem possível que Michel Temer, seu sucessor, possa enfrentar o mesmo destino antes do término de seu mandato em 2018".

"Os escândalos de corrupção em torno da presidência de Temer comprometeram uma agenda de reformas que começaram a levantar a economia, no entanto, as consequências políticas podem ser maiores ainda. No ano passado, a fé brasileira na democracia caiu 22 pontos para 32%, de acordo com Latinobarómetro, a organização de pesquisa baseada no Chile. Dado o descrédito quase completo da classe política do Brasil, seria notável que as pessoas não perdessem ainda mais fé na democracia".

Como resultado, ninguém tem uma pista de quem possa ganhar as eleições presidenciais de outubro de 2018 e ajudar o país a se recuperar.Temer, por exemplo, repetidamente disse que não vai concorer. Nenhuma dessas incertezas é boa para o investimento em infra-estrutura, que é inerentemente longo prazo, aponta o periódico.

Financial Times ressalta que a possibilidade de uma volta ao populismo parece bastante real. Luiz Inácio Lula da Silva, presidente duas vezes e populista, é o melhor candidato possível, com cerca de 30 por cento. Mas Lula, como ele é amplamente conhecido, mas ele também sofre com a maior taxa de rejeição - cerca de 46 por cento. 

"Do outro lado do espectro político, outro proto-populista é Jair Bolsonaro, um congressista e ex-capitão do exército. Apesar de suas visões extremas - como criticar homossexualidade e ideologias de gênero, torturando esquerdistas e seu infame comentário de 2014 a um colega legislador de que ele nunca "a estupraria, porque você não merece isso" - Bolsonaro segue na pesquisa em segundo ou terceiro lugar  na maioria dos cenários, com cerca de 18 por cento". 

"Nos tempos normais, tal candidato nunca poderia ganhar em um país conhecido por seu pragmatismo não-conflituoso. Mas como a vitória eleitoral dos EUA de Donald Trump mostrou, estes não são tempos normais. Ainda assim, embora o apoio de Bolsonaro esteja aumentando nas pesquisas, ele também sofre de altas taxas de rejeição". 

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