Segunda-Feira, 23 de Julho de 2018

Internacional

Domingo, 08 de Abril de 2018, 11h:03

SÍRIA

Equipes de resgate denunciam ataque químico do regime sírio com dezenas de mortos

JUAN CARLOS SANZ do El País

AP

Crianças afetadas após um ataque com gás em Duma.

As equipes de resgate Capacetes Brancos, socorristas voluntários que operam nas áreas rebeldes da Síria, denunciaram que um ataque do regime com armas químicas no último bastião insurgente de Guta Oriental, próximo a Damasco, causou dezenas de mortos. Os Capacetes Brancos divulgaram imagens nas redes sociais que mostram pessoas com supostos sintomas de intoxicação por inalação de gases, assim como vários cadáveres amontoados na noite de sábado para domingo. O Governo sírio considera as acusações uma montagem pela qual responsabilizou os insurgentes islâmicos entrincheirados em Duma, a principal cidade do enclave que ainda não foi reconquistada pelo Exército.

Não há nenhuma confirmação independente do ataque com armamento proibido. A Organização para a Proibição das Armas Químicas, ligada à ONU, está investigando a denúncia, de acordo com a BBC. “Essas informações, se confirmadas, são pavorosas e exigem uma resposta imediata por parte da comunidade internacional”, afirmou a porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Heather Nauert, que pediu a Moscou que acabe “imediatamente” com seu “apoio incondicional” ao regime do presidente Bashar al-Assad. “A Rússia não cumpriu seus compromissos com a ONU e traiu a Convenção sobre Armas Químicas”, alertou a porta-voz diplomática norte-americana.

A agência oficial de notícias síria, SANA, negou qualquer responsabilidade das forças sírias nos fatos e afirmou que “as denúncias do uso das substâncias químicas em Duma são uma clara tentativa de impedir o avanço do Exército”. As milícias do grupo rebelde “Jaish al Islam (Exército do Islã) estão prestes a ser derrotadas”, disse a mesma fonte.

Os Capacetes Brancos e outros grupos ligados à oposição ao regime elevaram a 80 o número de mortos no suposto ataque químico em Guta Oriental, e a mil os afetados pelos gases tóxicos, que apresentavam quadros de convulsões e vômitos. Afirmam que no final da noite de sábado um helicóptero do regime lançou um barril-bomba que continha gás sarin, que age no sistema nervoso e pode ser letal, e gás de cloro, altamente tóxico.

A Organização para a Proibição das Armas Químicas constatou em agosto de 2013 a existência de um ataque com foguetes que continham gás sarin que causou centenas de mortos e deixou milhares de afetados exatamente em Duma. A ONU, entretanto, não pôde atribuir a responsabilidade do ataque a nenhuma das partes em confronto na guerra civil na Síria. Após um acordo entre os Estados Unidos e a Rússia, a comunidade internacional forçou o regime de Al Assad a entregar seu arsenal químico à ONU para que fosse destruído. Fontes da inteligência militar israelense afirmam que Damasco conservou até 2% de suas armas químicas.

Em abril do ano passado, mais de 80 pessoas morreram em um suposto ataque com gás sarin em Khan Shaykhun, uma cidade do norte da Síria em poder dos rebeldes. Os Estados Unidos responderam com um bombardeio com mísseis de cruzeiro contra o aeroporto do regime de onde decolou o avião que lançou o ataque químico.

O regime sírio realizou durante o final de semana intensos bombardeios aéreos contra Duma, o último bastião rebelde nas proximidades de Damasco. Trinta civis, entre eles oito crianças, morreram durante o sábado nos ataques aéreos, de acordo com um balanço do Observatório Sírio dos Direitos Humanos. No dia anterior os bombardeios mataram 40 pessoas.

O regime de Al-Assad lançou uma ofensiva em 18 de fevereiro para reconquistar o reduto insurgente na periferia da capital. Após vários acordos à evacuação de rebeldes armados e civis, recuperou o controle sobre 95% do território de Guta Oriental. Em Duma ainda resistem aproximadamente 10.000 combatentes do grupo Jaish al Islam.

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