Caldeirão Político

Sábado, 20 de Abril de 2019, 05h:22

Marcos Marcola também pode dar entrevista?

Redação

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, revogou a decisão de abrir inquérito para investigar fakes news, censurando consequentemente o site da revista Crusoé, que trouxe postagem com o depoimento do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, comprometendo o ministro Dias Toffoli, presidente do STF. Este pegou carona no ato e liberou o ex-presidente Lula para entrevistas.

Lula está detido na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, desde o dia 7 abril do ano passado. Ele foi condenado pelo caso tríplex no Guarujá e pelo sítio de Atibaia, ambos no interior de São Paulo.

A condenação foi feita por Sergio Moro, hoje ministro da Justiça e Segurança Pública no governo de Jair Bolsonaro, em primeira instância. A pena decidida pelo ex-magistrado foi de 9 anos e meio. A defesa de Lula recorreu da decisão, mas o TRF4, em segunda instância, aumentou a pena para 12 anos e um mês.

Já a segunda condenação foi julgada em fevereiro pela juíza Gabriela Hardt, 13ª Vara Federal do Paraná, responsável por substituir Moro. O petista foi sentenciado por três crimes de corrupção e dois de lavagem de dinheiro, tendo a pena decidida por 12 anos e 11 meses.

Com a imagem extremamente arranhada pela beliscada que deu na dinheirama da Lava Jato, Toffoli, nomeado por Lula, passou por cima da lei para agradar a quem deu a canetada da sua ascensão ao Supremo. Mas cometeu uma tremenda arbitrariedade, porque presidiário nenhum goza da liberdade de conceder entrevistas. O ministro abriu um precedente grave. Lula não é preso político, é preso comum. Não está por trás das grades por uma figura histórica. Lula está preso por ser ladrão.

Ficou bilionário com a roubalheira instalada no seu duplo governo na relação promíscua com as empreiteiras, especialmente a Odebrecht e a OAS, suas preferidas. Se Toffoli abre exceção para o ex-presidente falar, o precedente será reclamado por outros presidiários e gente perigosa, como Marcola e Fernandinho Beira-mar. Se Lula pode receber jornalistas, por que Beira-mar não pode?

Nunca na história deste País aconteceu nada mais grave e absurdo do que esta decisão de Toffoli. Rasgou todos os princípios da toga que julgou cumprir e colocou o Supremo sob suspeita. Em setembro do ano passado, o ministro Luiz Fux suspendeu uma liminar concedida por Ricardo Lewandowski que autorizava a Folha de São Paulo a entrevistar Lula na prisão, em Curitiba.

Fux não apenas cassou a permissão como disse, em sua decisão, que, se a entrevista já tivesse sido realizada, sua divulgação estaria censurada, estabelecendo uma censura prévia que é expressamente proibida pela Constituição. O magistrado merece uma homenagem por proibir a entrevista

Bomba – A notícia do suicídio do ex-presidente Alan García, do Peru, caiu como uma bomba na Odebrecht. Executivos da empresa delataram o político, que se matou antes de ser preso. De acordo com pessoa próxima da empresa, Jorge Barata, que dirigiu as operações no Peru por cerca de 15 anos e foi um dos delatores, estava arrasado. Executivos lembravam que as delações relatavam ilícitos do governo de García, além de contribuições para campanhas eleitorais – e não roubos pessoais dele. O único benefício pessoal, ainda investigado pela procuradoria, seria o pagamento, pela empreiteira, de US$ 100 mil por uma palestra que ele efetivamente deu na brasileira Fiesp. A ação foi delatada por um advogado terceirizado da Odebrecht.

 


Fonte: Caldeirão Político

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