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Segunda-Feira, 18 de Maio de 2020, 08h:11

EPICOVID-19

Após prisão de pesquisadores, Ibope e Ministério da Saúde informam sobre pesquisa Epicovid19-RS

Ibope não informa que dados estão sendo coletados por meio de questionário aplicado pelos pesquisadores

Jô Navarro

Reprodução

Depois que pesquisadores foram detidos em diversos municípios brasileiros, o Ministério da Saúde e o Ibope publicaram informações sobre a Epicovid19-RS. Pesquisadores do Ibope estão aplicando testes rápidos de detecção de anticorpos de covid-19 e aplicando questionário socioeconômico. Segundo o Ministério da Saúde, as secretarias estaduais de Saúde foram informadas por meio de ofício sobre a pesquisa, mas não comunicaram as secretarias municipais de Saúde.

A imprensa só foi informada sobre a pesquisa após questionar o Ministério da Saúde, depois que dezenas de pesquisadores foram detidos pela polícia. Em Mato Grosso ocorreram prisões em Rondonópolis, Cáceres e Barra do Garças

Nesta segunda-feira o Ibope Inteligência enviou para a imprensa uma nota sobre a pesquisa em curso, mas não explica como foram qualificados os pesquisadores.

Qualificação

Segundo o Ibope Inteligência, a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) foi conusultada pelo instituto e pela Universidade Federal de Pelotas, "que autorizou a utilização de entrevistadores e pessoas que não são formadas em enfermagem nesta pesquisa por entender se tratar de um procedimento simples. A equipe foi treinada por biomédicos e técnicos de enfermagem para as questões de biossegurança para a realização da coleta. A aplicação do teste rápido não exige a solicitação de um médico ou enfermeiro."

Sobre o questionário aplicado, o Ibope Inteligência afirma que não está disponível para divulgação enquanto a pesquisa estiver em campo.

Veja abaixo íntegra da Nota do ibope Inteligência:

EPICOVID19: uma pesquisa para salvar vidas

A administração da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) vem a público prestar necessários esclarecimentos sobre a pesquisa EPICOVID19-BR, o maior estudo populacional sobre o coronavírus no Brasil. O estudo é coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da UFPel, que há cerca de 40 anos realiza estudos populacionais em Pelotas, no Rio Grande do Sul, no Brasil e no mundo. O EPICOVID19-RS é financiado e apoiado pelo Ministério da Saúde, como consequência da experiência exitosa do EPICOVID19-RS, que já testou 13.189 gaúchos, de nove cidades, com total sucesso.

O projeto EPICOVID19-RS foi submetido à apreciação ética da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), tendo sido aprovado no dia 28 de abril (CAFE 30721520.7.1001.5313). Para a coleta de dados, foi contratado, via processo seletivo, o IBOPE Inteligência, empresa com larga experiência em pesquisas. Todos os requisitos éticos e de segurança são seguidos, incluindo o uso de equipamentos de proteção individual, a inclusão apenas de entrevistadores com teste negativo para coronavírus e protocolos para o descarte dos materiais, conforme pactuado com o Ministério da Saúde.

O Ministério da Saúde responsabilizou-se por contatar os 133 municípios participantes da pesquisa, o que ocorreu por meio de ofício durante essa semana. Além disso, o estudo está divulgado na página oficial do Ministério (www.saude.gov.br). Infelizmente, desde o início do trabalho de campo, no dia 14 de maio, as equipes de pesquisa vêm passando por diversas situações constrangedoras, amplamente noticiadas na mídia. Em cerca de 30 cidades, os pesquisadores estão de braços cruzados esperando autorização dos gestores municipais, num processo burocrático que pode causar prejuízo aos cofres públicos, visto que a pesquisa é financiada com recursos públicos.

Nas situações mais graves, os entrevistadores do IBOPE Inteligência foram detidos, com uso de força policial, tendo sido tratados como criminosos. Trata-se de cerca de 2.000 brasileiros e brasileiras, que estão trabalhando para sustentar suas famílias, numa pesquisa que pode salvar milhares de vidas. Esses pesquisadores mereciam proteção das forças de segurança e uma salva de aplausos por parte da população. Ao invés disso, as forças de segurança em algumas cidades foram responsáveis por cenas lamentáveis e ações truculentas, algumas delas felizmente registradas. Por mais que a comunicação formal do Ministério da Saúde aos municípios possa ter chegado muito perto do início da coleta de dados, nada justifica o comportamento de "xerifes" assumido por alguns gestores municipais, que impedem ou atrapalham a realização da pesquisa que pode ajudar a salvar milhares de vidas no país.

Em meio a uma pandemia sem precedentes, o Brasil merecia que os gestores municipais das 133 cidades incluídas na pesquisa tivessem o mesmo comportamento da Prefeitura de Manaus, a cidade mais afetada pela pandemia no país, e que, mesmo assim, foi a primeira na qual a coleta de dados foi encerrada, onde nossos pesquisadores receberam todo o apoio e suporte necessário.

Pedimos que essa nota seja amplamente divulgada pela mídia e por toda a população. Apesar de tudo, nossas equipes estarão em campo até terça-feira (19/5) para garantir que o maior estudo populacional sobre coronavírus do país continue, e que, no final, nossos pesquisadores sejam aplaudidos e não agredidos.

(Matéria atualizada às 11:38 para acréscimo de informações sobre a qualificação dos pesquisadores)

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