Sábado, 16 de Dezembro de 2017

União
Quarta-Feira, 02 de Agosto de 2017, 09h:08

HORA DA XEPA

Para se manter no poder, Temer transforma Câmara em feira

Jô Navarro

Divulgação

O presidente Michel Temer vai ao limite para garantir uma votação expressiva na Câmara na tarde desta quarta-feira, quando o plenário decide se aceita a denúncia da PGR contra ele.

Negociou pessoalmente com parlamentares em troca de cargos e emendas, para falar o básico. Ontem reuniu-se com a bancada ruralista, dentre eles deputados de Mato Grosso, que ‘negociaram’ com o presidente o perdão de dívidas dos produtores rurais. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), nega que a reunião/almoço que reuniu 70 parlamentares representantes de 42 entidades ligadas aos etor produtivo, tenha sido para discutir apoio ao presidente Temer. Leitão alega que que reunião discutiu "questões prioritárias".

Temer, despudoradamente, está ‘comprando’ os votos dos parlamentares que veem nesta a ocasião perfeita para garantir seus interesses. A Câmara Federal se tornou uma grande feira com direito até à hora da Xepa. A falta de limite é enojante, lembra o estilo de Maduro na Venezuela, que manipula tudo e todos para permanecer no poder.

Os brasileiros assistirão na tarde de hoje um espetáculo deplorável, uma sessão orquestrada por Temer, que já presidiu a Câmara e sabe muito bem como usar o regimento a seu favor.

As evidências de corrupção passiva contra o presidente no caso JBS, muito bem apresentadas pelo PGR Rodrigo Janot, pouco importa para os deputados que se vendem descaradamente.

Devemos estar atentos e guardar muito bem na memória os nomes destes parlamentares e repudiá-los nas urnas em 2018.

Votação
A Câmara dos Deputados deverá votar hoje (2) o parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), contrário à admissibilidade da denúncia contra o presidente Michel Temer pelo suposto crime de corrupção passiva. O início da sessão está marcado para as 9h e os trabalhos devem se estender por todo o dia.

A discussão da denúncia só poderá ser iniciada quando estiverem presentes no plenário pelo menos 52 deputados. A votação só pode começar com a presença de 342 parlamentares. A votação será por chamada nominal, começando pelos deputados de um estado da Região Norte e, em seguida, os deputados de um estado da Região Sul.

Entenda a denúncia
Michel Temer foi denunciado ao Supremo pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pelo crime de corrupção passiva nas investigações decorrentes da delação de Joesley Batista, do grupo J&F.

Temer foi acusado de ser beneficiário dos recursos entregues pela empresa ao ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, que havia sido assessor especial da Presidência da República. Conforme a Constituição, um eventual processo contra o presidente da República no Supremo, por crime comum, só pode ser aberto com aval de 2/3 dos deputados (342 do total de 513).

Parecer

Em julho, a CCJ aprovou o parecer contrário ao andamento das investigações. O texto vencedor, por 41 votos a 24, foi o do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que rejeita o pedido de Janot para investigar Temer.

No parecer, Abi-Ackel questiona a legalidade da gravação feita por Batista, que, na avaliação do deputado, conduziu uma “conversa maliciosa e mal intencionada”. Abi-Ackel também afirma que, nos diálogos, não houve crime.

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