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Terça-Feira, 13 de Março de 2018, 07h:28

TERAPIAS ALTERNATIVAS

Ministério da Saúde inclui dez novas terapias alternativas no SUS

Apesar da decisão, o Conselho Federal de Medicina (CFM) é contra e afirma que os médicos estão proibidos de prescrever as terapias.

Maiza Santos

Maj Rundlöf/Divulgação

A apiterapia, que busca a cura por meio de produtos vindos das abelhas, está entre as práticas incluídas

O Ministério da Saúde abriu espaço para o conhecimento tradicional na medicina e incluiu 10 novas terapias alternativas no Sistema Único de Saúde (SUS). Chamados de Práticas Integrativas e Complementares (PICS), os tratamentos utilizam recursos terapêuticos baseados em conhecimentos milenares e voltados à cura e à prevenção de doenças, como a depressão e a hipertensão. Apesar da decisão, o Conselho Federal de Medicina (CFM) é contra e afirma que os médicos estão proibidos de prescrever as terapias.

Na lista das novidades estão práticas como aromaterapia, cromoterapia, hipnoterapia, terapia de florais, entre outros. Com as atividades, ao todo, o SUS passa a ofertar 29 procedimentos à população. A mudança foi anunciada durante a abertura do 1º Congresso Internacional de Práticas Integrativas e Saúde Pública no Rio de Janeiro. “Com isso, somos o país líder na oferta dessa modalidade na atenção básica. Essas práticas são investimento em prevenção à saúde para evitar que as pessoas fiquem doentes. Precisamos continuar caminhando em direção à promoção da saúde em vez de cuidar apenas de quem fica doente”, ressaltou o ministro Ricardo Barros.

Apesar de o ministério afirmar que a incorporação das terapias é baseada em evidências científicas e na tradição, o Conselho Federal de Medicina é contra. Atualmente, apenas duas delas são reconhecidas pelo CFM: a acupuntura e a homeopatia. Segundo o presidente do CFM, Carlos Vital, os médicos não estão autorizados a prescrever tais tratamentos. “Entendemos que as práticas alternativas não têm base, na medicina, em evidências e, portanto, oneram o sistema. Os médicos só podem atuar na medicina com procedimentos terapêuticos que tenham reconhecimento científico. Há uma especialidade médica, a acupuntura, que é feita de maneira completamente diferente do que está colocado no SUS como Prática Integrativa. Ela é feita com base em evidência científica e atinge alto grau de complexidade”, diz.

Incorporação


A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, publicada em 2006, instituiu cinco tratamentos alternativos: acupuntura, homeopatia, fitoterapia, antroposofia e termalismo. No ano passado, foram incluídas mais 14: ayurveda, arteterapia, biodança, dança circular, meditação, musicoterapia, naturopatia, osteopatia, quiropraxia, reflexoterapia, reiki, shantala, terapia comunitária integrativa e yoga. Entre os novos tratamentos menos conhecidos está a constelação familiar, uma técnica de representação espacial das relações familiares que permite identificar bloqueios emocionais de gerações, e a imposição de mãos, a cura pela transferência de energia de uma pessoa a outra.

Entre os mais populares está a terapia de florais, que consiste no uso de essências de flores que modificam certos estados vibratórios, auxiliando no equilíbrio e harmonização do indivíduo. A ozonioterapia — mistura dos gases oxigênio e ozônio por diversas vias de administração com finalidade terapêutica — também vem se popularizando no país. A prática já é usada na odontologia, neurologia e oncologia e os defensores travam, há décadas, uma luta com o CFM para obter reconhecimento da terapia.

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