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Quinta-Feira, 01 de Agosto de 2019, 14h:17

MEIO AMBIENTE

Governo muda forma de analisar dados de desmatamento; entenda

Jô Navarro

Reprodução

O ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles anunciou que será aberto processo licitatório para contratar imagens de alta resolução em tempo real que irão monitorar o desmatamento.

Salles exibiu imagens de satélite para demonstrar que pelo menos 31% do total do desmatamento apurado em junho ocorreram em anos anteriores, principalmente em 2017 e 2018, mas só foram computados depois. Para chegar a essa conclusão, segundo ele, foram analisadas imagens de 56% das áreas desflorestadas em junho indicadas pelo Deter.

O Deter é usado desde 2004 para detectar o desmatamento em tempo real em áreas maiores do que 3 hectares (30 mil metros quadrados). Utilizando imagens dos satélites WFI/CBERS 4 e AWiFS/IRS, que cobrem a Amazônia a cada cinco dias, o sistema emite alertas de desmatamento que servem de apoio às ações de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Só em junho deste ano, foram emitidos 3.250 alertas.

De acordo com o próprio Inpe, o sistema não deve ser entendido como taxa mensal de desmatamento. "A cobertura de nuvens, intensa na região amazônica, pode impedir que uma área de devastação seja identificada no mês que ela ocorre, e só apareça quando a visibilidade melhorar", diz o órgão. Além do lapso temporal, Ricardo Salles argumentou que houve ainda sobreposição de imagens de desmatamento.

Segundo os dados apresentados à imprensa nesta tarde com a presença do presidente Jair Bolsonaro, os números apresentados pelo Inpe estão equivocados e foram calculados com sobreposição de dados, o que levou ao alto índice de desmatamento divulgado em julho. O governo não informou qual foi o real desmatamento de acordo com a revisão dos dados.  “Não há acurácia necessária para fazer isso... É uma informação inconsequente”, afirmou.

O presidente Bolsonaro voltou a mencionar que suspeita de manipulação dos dados 'por alguém que quer prejudicar o governo' e prejudicam a imagem do governo no exterior. Questionado sobre mudanças na diretoria do Inpe, presidente afirma que: "Se quebrou a confiança, vai ser demitido sumariamente".

"A pessoa que passou uma informação, no mínimo, duvidosa tem que ser responsabilizada, sim", reforçou o presidente.

O diretor do Inpe, Ricardo Galvão, ressaltou ontem que o sistema não deve ser usado para medir o desmatamento "mês a mês".

Novo modelo de monitoramento
O ministro do Meio Ambiente confirmou que há uma tendência de ampliação do desmatamento na região, que vem sendo percebida desde 2012. Ele anunciou que um novo modelo de monitoramento de desmatamento na Amazônia será adotado pelo governo. A ideia é contratar novos serviços de imagens de satélites, com alta resolução, para complementar o trabalho do Deter. Na prática, o governo deve manter a divulgação dos dados, mas qualificando melhor a análise dos comparativos mensais, a partir de imagens mais precisas.

"Nosso objetivo não foi, em nenhum momento, esconder informação ou negar uma realidade, realidade essa, do desmatamento na Amazônia, que vem aumentando desde 2012, por diversas razões de pressão ilegal sobre a floresta, vem aumentando neste período, e nós precisamos, a partir da real análise desses números, finalmente tratar de maneira franca, madura, direta, aberta quais são as razões para o desmatamento ilegal na Amazônia, de que forma dar alternativas de dinamismo econômico para aqueles que vivem na região", afirmou. De acordo com o ministro, ainda não há prazo para a implantação do novo sistema que, segundo ele, ainda depende da contratação, por meio de licitação, do serviço de detecção de imagens mais precisas.

 

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