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Quarta-Feira, 09 de Janeiro de 2019, 06h:44

TUDO EM FAMÍLIA

Relação de Emanuel Pinheiro com empresas familiares alimentam suspeitas

Cícero Henrique

Reprodução

Prefeito Emanuel Pinheiro

A corrupção e o tráfico de influência estão presentes todos os dias nos noticiários. O problema é que não passa dia sem que esse assunto esteja presente nos nossos telejornais e na imprensa séria do Brasil. Investigações sobre suspeitas de envolvimento de políticos com esquemas criminosos, suspeitas de cobrança e recebimento de propina, suspeita de favorecimento de empresas, de enriquecimento ilícito, de lavagem de dinheiro, suspeita de roubo de recursos públicos.

Em muitos desses casos, as suspeitas se consolidam em denúncias. Em outros tantos, as denúncias são acolhidas pela Justiça e políticos deixam de ser apenas suspeitos para se tornarem réus.

Na guerra travada pelas empresas de famílias de políticos em busca de contratos com órgãos públicos, o alvo são os desembolsos milionários dos governos. Para adicionar ainda mais polêmica nas relações desse setor com o serviço público, chama a atenção o fato de políticos terem ligações com boa parte das firmas.

A suspeitas agora recai sobre o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), que vem sendo investigado pelo Ministério Público diante de tantas irregularidades em sua gestão.

Para os leitores relembrarem em 28 de outubro de 2016, o jornal A Gazeta publicou uma reportagem com o seguinte título: 

Esposa, irmãos e cunhados de Emanuel possuem 31 empresas

Pelo menos 31 empresas foram abertas por parentes próximos do candidato a prefeito de Cuiabá, deputado estadual Emanuel Pinheiro (PMDB), nos últimos 15 anos. A informação, que pode ser conferida na Junta Comercial do Estado de Mato Grosso, desmente a tese de Emanuel, de que ele não tem ligação nenhuma com qualquer empresa da família.

Boa parte das empresas da Família Pinheiro foi aberta e teve o registro cancelado na Junta Comercial, por falta de movimentação.

A esposa de Emanuel, Márcia Pinheiro Kuhn, é dona de ao menos cinco empresas: Disauserv Prestação de Serviços, Dispecauto Distribuidora de Peças, Transportes Urbanos Centro Oeste, Feey Corretora de Seguros e Realeza Locadora de Veículos. Emanuel, o esposo, não aparece como sócio em nenhuma delas. Caso aparecesse, as empresas ficariam impedidas de prestar serviço a órgãos públicos.

Três outras, como provam notas fiscais apresentadas nesta quinta-feira (27) pelo candidato e também deputado estadual Wilson Santos (PSDB), podem ter sido utilizadas por Emanuel Pinheiro para receber dinheiro oriundo de propina da empresa Caramuru Alimentos S/A, beneficiada com a isenção de impostos no governo de Silval Barbosa (PMDB), em 2014, de forma irregular.

Marco Polo de Freitas Pinheiro (Popó), irmão de Emanuel, Bárbara Noronha de Freitas Pinheiro (esposa de Popó) e Fabíola de Cássia Noronha Pinheiro (irmã de Bárbara) possuem, juntos, 11 empresas. Os três são investigados pela Delegacia Fazendária (Defaz) e pelo Ministério Público Estadual (MPE) por intermediarem os pagamentos da Caramuru.

A empresa Pinheiro e Noronha Ltda, pertencente a Marco Polo e Bárbara, recebeu R$ 850 mil da Caramuru, de 4 de setembro a 2 de outubro de 2014, uma semana após o enquadramento da Caramuru no Prodeic (Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial). A Auctus Consultoria Econômica Ltda, pertencente a Bárbara, Fabíola e a José Atacir de Noronha, recebeu R$ 880 mil da empresa, naquele mesmo período. Curiosamente, era reta final das eleições de 2014.

Outras empresas de Popó e Bárbara, como a Mark Instituto de Pesquisa, Retorno Telemarketing, entre outras, são conhecidas por prestar serviços a órgãos do Governo do Estado, prefeituras e a políticos.

Além da grande quantidade de empresas abertas, muitas vezes com o propósito de participar de licitações específicas, também chama a atenção o amplo leque de serviços prestados por algumas empresas.

A Auctus, por exemplo, tem em seu objeto social a “elaboração de projetos industriais”, “tele-pesquisa”, “consultoria de recursos humanos”, “aluguel de máquinas agrícolas”, “locação de mão-de-obra”, “projetos elétricos”, “aluguel de veículos”, “terraplanagem”, “construção civil”, “tratamento de água”, “coleta de lixo”, “construção de portais de internet”, entre inúmeros outros serviços. A informação pode ser obtida na Junta Comercial.

Com um leque tão amplo de serviços, portanto, a empresa fica “preparada” para participar de qualquer licitação de governo ou prefeitura. Uma vez vencida a licitação, ela terceiriza o serviço e reparte os lucros.

Durante o Governo Silval Barbosa, as empresas da Família Pinheiro assinaram contratos com diversos órgãos estaduais, entre eles Detran e MT Fomento, para o fornecimento de pesquisa e outros serviços.

Além de Marco Polo, Bárbara e Fabíola, outros parentes de Emanuel abrem e fecham empresas como quem troca de roupa.

Antônio Ernani Kuhn, por exemplo, que é irmão da esposa de Emanuel, tem nove empresas em seu nome. Algumas já não registram movimentação na Jucemat há mais de 10 anos; duas pediram recuperação judicial: a Grantur Transportes e a Clautur Transportes.
Outro fato que chama a atenção na relação de empresas em nome de parentes de Emanuel é que seu irmão, Marco Antônio de Freitas Pinheiro (“Tatá”), apesar de ser dono de duas empresas (MM Factoring e MAF Pinheiro), exerce o cargo de técnico legislativo de nível médio da Assembleia, ganhando um salário de R$ 13,3 mil, sendo R$ 6,2 mil líquidos.

“CASO CARAMURU”

No total, os parentes de Emanuel receberam, de 4 de setembro a 2 de outubro de 2014, onze pagamentos, somando R$ 1,790 milhão.

Os pagamentos eram feitos conforme o processo da Caramuru ia caminhando dentro do governo.

Cada empresa recebeu um pagamento de R$ 150 mil, por exemplo, no dia 2 de outubro daquele ano, um dia depois de o Cedem (Conselho Estadual de Desenvolvimento Empresarial) aprovar a entrada da Caramuru no Prodeic.

E no dia 16 de outubro daquele ano, quando o ex-governador Silval Barbosa e os ex-secretários Alan Zanatta e Pedro Nadaf (Casa Civil) publicaram o enquadramento definitivo da Caramuru no Prodeic, uma terceira empresa de Fabíola Noronha recebeu mais um pagamento de R$ 60 mil.

1 COMENTÁRIO:

Kd o MP em cima desse caso????? Ja passou da hora desse pref do paleto ser afastado e PRESO.
enviado por: Alvares Neto em 09/01/2019 às 08:46:51
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