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Quinta-Feira, 07 de Setembro de 2017, 09h:17

INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

Ponta Grossa é indústria

Millena Sartori

Reprodução

Ponta Grossa é indústria

A principal cidade dos Campos Gerais se consolida como um dos principais polo industrial do Paraná – setor que já gera R$ 4,6 bilhões por ano

O Paraná é um dos melhores destinos para investimentos e negócios no Brasil e na América Latina, seja em manufatura avançada, tecnologias ou serviços. Nesse cenário promissor, uma das cidades que mais tem se destacado nos últimos anos é Ponta Grossa, maior cidade da região conhecida como Campos Gerais.

A chamada “princesa dos campos” tem se configurado como uma opção adequada para o desenvolvimento industrial e para receber investimentos de grande porte. Desde 2013, foram viabilizadas a instalação ou ampliação de quase 40 indústrias na cidade, que se tornou o maior parque industrial do interior do estado – são mais de 1.200 empresas operando no local.

Tendo como principais setores o metal mecânico, o agroindustrial e o madeireiro, também se destacam o segmento químico, de borracha e plástico e a produção cervejeira, tanto com grandes fabricantes como Ambev e Heineken, quanto com micro cervejarias artesanais, por exemplo. E o crescimento não para: segundo o secretário de Indústria e Comércio, Paulo Carbonar, pelo menos 15 indústrias já iniciaram seus processos de implantação ou ampliação.

“Com a vinda destas indústrias temos a garantia da geração de no mínimo mais mil novas vagas de emprego diretas”, afirma Carbonar. Ele explica: “Considerando que cada emprego direto gera uma média de quatro indiretos, nossos saldos de empregabilidade tendem a aumentar ainda mais”. Seguindo esta estimativa e calculando todas as quase 40 ampliações e instalações de indústrias, o recente processo de industrialização da cidade gerou cerca de 19 mil vagas de emprego.

Todo esse crescimento impacta nos índices de Ponta Grossa. Nos últimos cinco anos a arrecadação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) cresceu 69%, e o parque industrial gera um valor adicionado de R$ 4,6 bilhões por ano na economia do município – é o terceiro maior gerador de valor adicionado do estado do Paraná.

Mas o que é que incentiva tanto esse crescimento explosivo no momento em que o país passa por uma das maiores crises econômicas da sua história? Segundo o prefeito de Ponta Grossa, Marcelo Rangel (PPS), uma soma de fatores, que envolve a valorização das características da cidade, investimento em infraestrutura e políticas públicas que fomentam o desenvolvimento econômico.
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LOGÍSTICA INTEGRADA
Com localização privilegiada, os caminhos de Ponta Grossa são um entroncamento importante no estado do Paraná, já que ligam facilmente a região a locais como o norte pioneiro, a capital estadual e o porto de Paranaguá, segundo maior porto do Brasil em volume geral. Inclusive, circula pelo município toda a produção agrícola do Sul do país destinada a este porto para exportação – afinal, opções não faltam.

O secretário de Governo, Mauricio Silva, destaca que as características da cidade contribuem para uma logística eficiente. “Entre os seus vários atrativos, Ponta Grossa oferece facilidade no escoamento de produção devido à sua localização estratégica. Aliada às políticas da atual gestão, que não mede esforços para viabilizar novos investidores, a nossa cidade atrai e recebe de braços abertos os interessados em investir no município”, avalia Silva.

Cortada por uma das malhas rodoviárias mais importantes do país, Ponta Grossa também dispõe de uma malha ferroviária em ação e desde o ano passado conta com um aeroporto ativo, que liga o município ao maior centro econômico brasileiro com voos comerciais regulares para Campinas, estado de São Paulo.

O Aeroporto Municipal Comandante Antonio Amilton Beraldo foi reaberto em 2016 e tem recebido investimentos constantes para se consolidar como uma alternativa ao Aeroporto Afonso Pena, de Curitiba, localizado a 137 km de Ponta Grossa. “Nós investimos cerca de R$ 10 milhões e estamos percebendo o retorno deste montante. Ele é mais um atrativo para investidores, já que recebe voos comerciais, executivos, aeromédicos e de instrução”, aponta o prefeito Marcelo Rangel.
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Rangel também conta que meses atrás apresentou um projeto de R$ 40 milhões para o Ministério dos Transportes, que propõe melhorias e ampliações para o Aeroporto Sant’ana, como também é chamado o aeródromo municipal de Ponta Grossa. “Os recursos estão assegurados no Plano Plurianual (PPA), para quatro anos, mas nós queremos mais rapidez na liberação porque os nossos voos estão com procura e queremos atender as necessidades da população e dos investidores que confiam no potencial da nossa cidade”, pontua o prefeito.

Além disso, o objetivo também é aumentar a infraestrutura do “PGZ”, de forma que ele tenha condições de receber aeronaves maiores, bem como garantir a instrumentalização dos voos, para que o aeroporto possa também operar em dias de chuva e neblina – para atender essa demanda já está sendo instalada uma Estação Prestadora de Serviços de Telecomunicações e de Tráfego Aéreo (EPTA), que será responsável por apoiar a navegação aérea transmitindo informações para as aeronaves que estão no ar.

INFRAESTRUTURA
Conforme a sua definição, infraestrutura é o conjunto de atividades e estruturas que contribuem para a economia de uma região e servem de base para o desenvolvimento de outras atividades. Ou seja: sem o planejamento de uma infraestrutura, não há desenvolvimento.

Pensando nisso, a cidade de Ponta Grossa tem promovido uma verdadeira revolução na educação e na qualificação de mão de obra. Reflexo direto do investimento estrutural que abrange desde a infância até a fase profissionalizante, a elevação dos indicadores de ensino comprovam o fortalecimento de uma rede de educação pautada na qualidade em todas as instâncias e no acesso universal.

Com um suporte composto por mais de 140 instituições, a Secretaria de Educação atende, atualmente, mais de 30 mil alunos – entre educação infantil, ensino fundamental e educação de jovens e adultos – e registra um nível de evasão equivalente a zero, índice inimaginável em outras realidades. Cerca de 60% dos estudantes passam o dia todo na escola, em um ensino integral consolidado e baseado em qualidade.
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Duas grandes universidades públicas compõem o ensino superior oferecido pela cidade: a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e o campus local da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), que somadas às instituições particulares promovem pesquisas e inovação através dos seus cerca 100 cursos de graduação ofertados – número divulgado pelo Censo MEC/INEP de 2015.

A máquina municipal também dispõe de um setor especializado em oferecer mão de obra capacitada. A Sala da Qualificação Profissional promove ações que visam fomentar o mercado de trabalho valorizando a força local e o desenvolvimento do profissional ponta-grossense.

Outra ação do Município é a realização de um mapeamento do ecossistema de inovação de Ponta Grossa, que engloba a identificação de setores estratégicos e a criação de um plano de ação para desenvolvimento local das micro e pequenas empresas.

“Estamos desenvolvendo este projeto em parceria com o Sebrae. Ele chega ao encontro com o desenvolvimento industrial porque fomenta a inovação e a pesquisa, itens que serão trabalhados no Parque Tecnológico que a Prefeitura vem incentivando”, explica o secretário de Indústria e Comércio, Paulo Carbonar, referindo-se ao projeto de dedicar uma área da cidade para a instalação de laboratórios e centros de inteligência.

INVESTIMENTOS VIÁRIOS

Para acompanhar o crescimento exponencial, uma das estruturas básicas que uma cidade deve oferecer é a mobilidade urbana – e esse é um dos setores que têm sido prioridade para o governo de Rangel. Uma das apostas do prefeito é a criação de ligações interbairros, que funcionam como alternativas para o escoamento das vias principais.
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Apenas em 2017, cinco ligações interbairros estão em desenvolvimento. Destas, duas já foram finalizadas e outras duas estão projetadas para iniciar em breve. Há ainda outras seis obras de pavimentação por todo o Município – que possui uma área total que ultrapassa a marca de dois mil quilômetros quadrados. Aliás, considerando todas as obras municipais, que contemplam desde reformas e construções de unidades escolares até a criação de campos de futebol society públicos e pavimentações, segundo a secretaria de Planejamento atualmente há mais de 40 obras em execução e mais de 30 já foram entregues neste ano.

O secretário da pasta, Celso Sant’anna, também destaca que em maio deste ano o município conseguiu junto ao governo estadual um financiamento de mais R$ 30 milhões para obras de pavimentação. “Todos os projetos, que contemplam desde revitalizações de vias de grande tráfego até a compra de material estrutural, já estão prontos e em fase de aprovação”, explica o secretário de Planejamento.

CONSOLIDAÇÃO
Após fechar mais um semestre com saldo positivo (403 vagas) no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) que avalia as admissões e demissões no mercado de trabalho local, o prefeito de Ponta Grossa avalia que grande parte do desenvolvimento econômico pelo qual a cidade vem passando se deve ao recente processo de industrialização.
“Desde quando assumimos a gestão, em 2013, focamos em atender os pontos necessários para o desenvolvimento. Emprego é a base da economia, e viabilizar a instalação ou ampliação de 38 indústrias, que estão abrindo mais de 3.700 vagas diretas, é um grande orgulho para a minha equipe”, aponta Marcelo Rangel. Somadas, esta quase 40 indústrias estão investindo quase R$ 3 bilhões na economia local. São quase quatro mil empregos diretos no setor industrial.

Umas delas é a fábrica do grupo Madero. A unidade de Ponta Grossa é o único polo de produção da rede instalado no Brasil. Ainda na inauguração da indústria, em junho de 2016, o presidente do Madero já anunciou o seu interesse em investir mais na cidade. Na ocasião, ele também afirmou: “Este momento consolida todo um processo. Mais do que isso, estamos muito felizes por ter a certeza de termos feito a escolha pelo melhor lugar do Brasil para instalação da nossa fábrica. Isso tanto pela logística quanto pela mão de obra e pelo tratamento que nos é oferecido pela Prefeitura e pelos outros órgãos públicos. Tudo foi espetacular”, atestou Luiz Renato Durski Junior.
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E, menos de um ano depois, mostrou que a aposta na cidade foi certeira, quando recebeu da Prefeitura a doação de um terreno para ampliar a sua fábrica, em um investimento avaliado em pelo menos R$ 40 milhões – com a garantia de gerar no mínimo 187 empregos diretos para ampliar a produção alimentícia da rede no município.

Agora, com o parque industrial consolidado como um potência estadual, a Prefeitura de Ponta Grossa também está desenvolvendo o projeto de um Parque de Confecções, que deverá abrigar indústrias do ramo para fortalecer a cidade em mais um setor. A fase é de negociação, e a expectativa é garantida pelo resultado do Distrito Industrial Cyro Martins.

Outro ramo que também injetou capital de giro na economia ponta-grossense foi o de supermercados. Nos últimos anos quatro grandes redes investiram, juntas, quase R$ 100 milhões para a instalação dos seus negócios, o que gerou cerca de mil novas vagas de emprego diretas.

“O mercado de trabalho da nossa cidade está sendo muito aquecido nos últimos anos com os crescentes empreendimentos que têm confiado na nossa cidade. Mas não é por isso que vamos parar! Estamos desenvolvendo um projeto de diagnóstico que deverá trazer ainda mais negócios para Ponta Grossa”, analisa o secretário municipal Paulo Carbonar, fazendo referência ao Plano Municipal de Atração de Investidores (PMAI).

O PMAI é um processo de análise com o objetivo de estimular o crescimento econômico local, e deve contemplar o estudo das fontes internas do crescimento regional, considerando as suas vantagens locacionais, a dotação de fatores, a estrutura urbana (economias de aglomeração), o mercado interno e os polos de crescimento. O resultado será a elaboração de um projeto que deverá prospectar novos investimentos para o município elegendo os setores prioritários e a estruturação das propostas de valor pautadas nos resultados dos mapeamentos realizados.

Para o prefeito Marcelo Rangel, esse é mais um compromisso que foca no planejamento do desenvolvimento da cidade e prova que, mesmo em um momento de dificuldades no panorama geral brasileiro, o município tem fôlego para se consolidar como uma potência paranaense. “Basta checar os nossos índices e conversar com os nossos investidores: Ponta Grossa está, sim, no rumo certo. Como cidadão, fico orgulhoso de fazer parte desta história”, ressalta o prefeito.

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