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Estadual
Domingo, 24 de Fevereiro de 2019, 18h:11

RORAIMA

Governador de Roraima decreta estado de calamidade na saúde

Além dos problemas na saúde, os cortes de energia importada da Venezuela são diários

Redação

José Cruz/Agência Brasil

Antônio Denarium,governador de Roraima

O governador de Roraima, Antônio Denarium, anunciou hoje (24) que decretará estado de calamidade na saúde pública do estado. Segundo Denarium, a decisão foi tomada após o agravamento dos conflitos na Venezuela, que resultou no aumento do número de feridos que são removidos para hospitais do estado.

"Nós já estávamos com a situação crítica na saúde aqui no estado de Roraima e, com a onda de violência na Venezuela, essa crise se agravou mais ainda", afirmou em coletiva de imprensa. O decreto já foi assinado e deverá ser publicado na edição desta segunda-feira (25) do Diário Oficial do estado.

Somente nas últimas 36 horas, 18 feridos deram entrada no Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista, com ferimentos por arma de fogo. Desse total, 13 tiveram que passar por cirurgia e estão internados em unidades de terapia intensiva (UTIs).

O governo do estado também analisa a possibilidade de contratar leitos hospitalares privados, caso aumente a demanda por internação. Segundo o governador, no HGE, principal hospital do estado, já não há mais disponibilidade de UTI nem de leitos.

Cortes de energia acontecem diariamente

O governador Antônio Denarium, afirmou que foi determinada a urgência na construção do linhão de Tucuruí, que vai permitir interligar o estado ao sistema elétrico nacional. Atualmente, o estado depende do fornecimento de energia por parte da Venezuela e o agravamento da crise política no país vizinho tem prejudicado a oferta do serviço.

"Com esse agravamento da crise política na Venezuela, nós já estamos tendo alguns cortes durante o dia, do fornecimento [de energia]", afirmou. Segundo ele, em uma reunião por videoconferência com o presidente Jair Bolsonaro, na última sexta-feira, ficou acertado a prioridade dos investimentos no setor, para que o estado deixe de depender da compra de energia da Venezuela.

"Já teve um alinhamento, por parte do governo do estado de Roraima, com o presidente Bolsonaro, sobre a construção do linhão de Turcuruí. Fizemos uma reunião e ficou determinada a urgência", informou.

Roraima é o único estado que não está interligado ao sistema elétrico nacional. Desde julho de 2001, grande parte do estado, incluindo a capital, Boa Vista, é suprida por energia elétrica proveniente da Venezuela, por meio de um sistema de transmissão situado parte em território venezuelano, parte em território brasileiro.

O contrato da Eletronorte com a Corpoelec, empresa encarregada do setor elétrico na Venezuela, prevê o fornecimento de até 200 megawatts (MW) para a empresa de distribuição de energia local, Eletrobras Distribuição Roraima. O prazo final do contrato é 2021 e, até o momento, a empresa não manifestou interesse em renová-lo. Desde 2010, a Corpoelec passou a reduzir o montante de energia exportada, trazendo dificuldades ao atendimento do mercado do estado de Roraima.

(Agência Brasil)

 

 

 

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