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Estadual
Domingo, 26 de Maio de 2019, 08h:41

Ibaneis Rocha

“Fui eleito para resolver os problemas e não para ficar lamentando”

Rodrigo Hirose

Reproduçã

Governador Ibaneis Rocha formalizou a doação de todo o salário do ano

Eleito na primeira eleição que disputou, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) encontrou as contas públicas com um rombo que pode chegar a R$ 10 bilhões. A situação agravou-se ainda mais com a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de cobrar R$ 70 milhões por mês relativos ao Imposto de Renda das Forças de Segurança – decisão contornada liminarmente no Supremo Tribunal Federal (STF).

Ainda assim, o emedebista tem conseguido movimentar a máquina pública. Na saúde, área que considera prioritária, realizou mais de 23 mil cirurgias e iniciou a reforma de Unidades de Pronto-Atendimento. Nessa entrevista ao Jornal Opção, Ibaneis fala um pouco sobre o início do governo: 

Assim como praticante todos os governadores empossados em janeiro, o sr. recebeu o Governo do Distrito Federal com déficit. Como atender a demanda por políticas públicas com rombo nas contas públicas?
O déficit é imenso, o maior da história do Distrito Federal, superando os R$ 8 bilhões. Encontramos também um desacerto completo nas contas públicas. O que foi agravado com uma decisão do Tribunal de Contas da União [TCU] de tirar mais R$ 70 milhões mensais, correspondente ao Imposto de Renda recolhido das forças de segurança.

Mas eu fui eleito para resolver os problemas e não para ficar lamentando. Já estamos equacionando os recursos e sem abandonar os investimentos. Inicialmente nos dedicamos a arrumar a cidade com um amplo programa de recuperação e recolhimento de lixo e entulho; hoje, todas as cidades estão bem cuidadas.

Estamos dando prioridade às obras que estavam paradas, praticamente todas retomadas, e logicamente à saúde, que é o problema mais sensível. Vamos indo bem: fizemos mais de 23 mil cirurgias, recuperamos todas as UPAs [Unidades de Pronto-Atendimento], o Hospital de Santa Maria, vamos começar a reformar o Hospital de Ceilândia, estamos reformando as Unidades Básicas de Saúde e abastecemos as farmácias. Há muito a ser feito, mas já se pode verificar as mudanças.

Quais foram os principais problemas encontrados quando o sr. assumiu? Como enfrentá-los?
Problemas estão em toda parte, em todas as áreas. Mas acredito que o maior entrave é o da economia. O Distrito Federal atravessou um período de estagnação completa; pior até, com empresas fechando as portas, muito desemprego e nenhum incentivo aos empresários, que eram muito mal tratados. Nós estamos destravando a atividade econômica.

Antes mesmo de começar o mandato, consegui a transferência da Junta Comercial para o DF, já reduzimos impostos, estamos revitalizando a W3, importante avenida comercial da cidade, fazendo melhorias nas áreas  de desenvolvimento econômico e facilitando a vida de quem quer investir do DF. O objetivo é criar emprego.

Os governos enfrentam comprometimento grande das receitas com a folha do funcionalismo e despesas de custeio. Como realizar investimentos nesse contexto?
É preciso investir no aumento da arrecadação. Já reduzimos em 30% o gasto com pessoal, estamos buscando economizar no custeio da máquina, tudo para poder aumentar os investimentos. Estamos investindo também em parcerias com a iniciativa privada – o programa Adote uma Praça é um exemplo. O mesmo ocorre na revitalização da W3 Sul, com grande participação dos empresários da área. Queremos fazer o mesmo com os parques e em outras áreas.

Quais as principais ações de governo até agora? Quais os resultados?
A primeira preocupação foi colocar o Distrito Federal em ordem. Fizemos mais de 50 mil ações em apenas 100 dias. Ao mesmo tempo, fizemos uma série de ações para preparar os próximos passos e retomar as obras que estavam paradas em toda a cidade.

Enfrentamos muitos problemas por causa das chuvas torrenciais – que ao mesmo tempo em que encheram as barragens, destruíram muito, especialmente no bairro Vicente Pires – mas a partir desse mês faremos entregas de obras importantes, como o viaduto que caiu no centro de Brasília, e o conjunto de viadutos e vias na saída norte.

O sr. enviou um projeto de orçamento pra 2020 menor que o de 2019. Por que essa medida? Vai haver recursos para cumprir os compromissos de campanha?
Por muitos anos os orçamentos eram peças de ficção. Optei por fazer um orçamento real, que retrate fielmente as finanças do DF. Vamos trabalhar com o pé no chão, mas vamos cumprir todos os compromissos assumidos na campanha, mesmo que demore um pouquinho mais. No final do mandato quero entregar uma cidade arrumada, com perspectivas para o futuro e que recupere a capacidade de sonhar do morador do Distrito Federal.

A reforma da Previdência terá qual peso na viabilidade econômica do GDF?
Vamos ver qual reforma sairá do Congresso Nacional. Mas acredito que qualquer que seja, poderemos ter uma folga maior para investir em obras e ações que beneficiem toda a sociedade.

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