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Estadual
Sexta-Feira, 03 de Novembro de 2017, 09h:42

CORTANDO NA PRÓPRIA CARNE

Com Estado à beira da falência, governador e comitiva viajam para a China

Cícero Henrique

Reprodução

Governador Pedro Taques(PSDB)

O caixa do governo de Mato Grosso está baixo. Tanto que o governador Pedro Taques já admitiu escalonar o pagamento de salários de novembro, como já aconteceu em setembro. O secretário-chefe da Casa Civil, Max Russi, afirmou: “Queremos fazer ajustes em todas as pastas para encerrar o ano. Temos aí dois meses pela frente e iremos cortar na própria carne”.

Mesmo assim, o governador viaja no próximo domingo para a China, onde pretende conseguir investimentos para Mato Grosso.

Taques já esteve em Paris (em dezembro de 2015), Dubai (fevereiro de 2016), Nova York (maio de 2016), além de viajar com grande comitiva para a Bolívia, sempre em busca de investimentos. Porém, até o momento, os resultados são poucos, resumindo-se a parcerias em projetos sociais e no investimento realizado em MT pelo frigorífico BRF, no valor de R$ 1,1 bilhão. Bom para o BRF.

As viagens de prospecção de negócios têm beneficiado setores do agronegócio, que ao exportar não pagam impostos devido à Lei Kandir. Representantes do 'Agro' costumam acompanhar o governador. Na viagem à China, Pedro Taques terá a companhia de empresários dos ramos de mineração e energia, e representantes da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) e da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat). Compõem a comitiva 11 prefeitos, cujos nomes ainda não foram divulgados pelo Governo.

O que Mato Grosso precisa mesmo é de investimentos que gerem emprego e renda, contribuindo para a arrecadação de impostos. Os resultados das viagens dispendiosas realizadas até agora resultaram em gastos com hotéis 5 estrelas, diárias e bons resultados apenas para os poderosos do Agronegócio, que geram poucos empregos e são isentos de impostos de exportação.

Na era da tecnologia da informação, há que se pensar na realização de eventos à distância, por meio de videoconferências. Em casos em que a presença física do gestor público seja indispensável, o ideal é reduzir o número de acompanhantes com despesas pagas pelo erário, não fazer as refeições em restaurantes caríssimos e se hospedar em hotéis mais modestos. Assim estará dando exemplo de como se 'cortar na prória carne' para economizar.

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