Sexta-Feira, 23 de Agosto de 2019

Economia
Quinta-Feira, 06 de Junho de 2019, 23h:20

EXCESSO DE OFERTA

"Vaca louca" leva aflição à indústria da carne em Mato Grosso

Aproximadamente 250 contêineres semanais são adicionados ao mercado interno, alerta Sindifrigo

Jô Navarro

Sindifrigo

A ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) disse esperar que nos próximos dias a China avalie a documentação enviada pelo Brasil sobre as exportações de carne do Brasil para o país asiático.

A suspensão foi anunciada pela China logo após a confirmação pela Secretaria de Defesa, na última sexta-feira (31-05), da ocorrência de um caso atípico de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), popularmente conhecida como 'vaca louca'. A OIE já determinou o encerramento do caso sem alteração do status sanitário brasileiro, que segue como risco insignificante para a doença.

Apesar disso, enquanto a China não retomar a importação, o mercado interno tenta absorver o que não foi exportado.

O aumento da oferta de carne no mercado interno significa perda para a indústria frigorífica e pecuaristas, do outro lado da cadeia produtiva, o consumidor espera a queda dos preços e aumento da oferta de cortes especiais que seriam exportados. A oferta de carne ainda não levou à queda dos preços nas gôndulas dos supermercados e açougues e o churrasco do final de semana ainda continua caro.

Os pecuaristas e a indústria frigorífica estão apreensivos e torcem para a retomada das exportações o mais breve possível.

A preocupação dos pecuaristas é compartilhada pelo criadores de suínos. Somente em Mato Grosso há 2.559.616 de cabeças de suínos e 29.725.378 cabeças de bovinos, segundo dados estatísticos divulgados pelo Ministério da Agricultura. 

Apreensão em MT

O presidente do Sindifrigo (Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso), Paulo Bellincanta, publicou uma nota sobre a relação comercial entre MT e a China. Nela, Belincanta apela aos filiados por equilíbrio e "conclama as empresas que representa para a busca do equilíbrio, da serenidade e do bom senso".

O presidente do Sindifrigo orienta as empresas sobre a necessidade de fazer adequações, com redução da oferta de animais às indústrias e a redução dos abates, que avalia serem "imprescindíveis para amenizar prejuízos". Bellincanta alerta que não será possível equacionar em pouco tempo este volume de produtos. "Haverá uma perda de valores, que esperamos momentânea, até que o mercado encontre equação para este volume excedente".

Íntegra da nota do Sindifrigo (grifo nosso)

Após a suspensão temporária das exportações de carne bovina para a China, é essencial que o setor busque o equilíbrio adaptando-se aos novos números do mercado. Adequações como redução da oferta de animais às indústrias, e a redução dos abates são imprescindíveis para amenizar prejuízos.

Neste momento temos uma produção de aproximadamente 250 contêineres semanais adicionados ao mercado interno.

Não é hora de acharmos culpados, tão pouco de fazermos acusações.

Não podemos desvalorizar nossos produtos.

A lei da oferta e procura não é como medida provisória em que se coloca emendas, perde validade ou se aprova com, ou sem ressalvas.

Não será possível equacionar em pouco tempo este volume de produtos. Haverá uma perda de valores, que esperamos momentânea, até que o mercado encontre equação para este volume excedente.

Todos perdemos, isto é fato. Minimizar este prejuízo e sairmos dele é nossa primeira tarefa.

Entendemos a paralisação momentânea nas compras como ocorre do outro lado nas vendas, porém é urgente a busca do equilíbrio e a volta ainda que gradual da atividade.

Se por um lado se busca o equilíbrio e bom senso sem tirar proveito de uma situação, por outro seria irresponsabilidade pedir às empresas que trabalhem com prejuízos.

O Sindifrigo/MT conclama as empresas que representa para a busca do equilíbrio, da serenidade e do bom senso.

Só o trabalho em conjunto entre produtores e indústria poderá restabelecer em alguns dias o equilíbrio do setor ainda que os preços estejam nas mãos do mercado e não nas mãos das partes.

Paulo Bellincanta – presidente do Sindifrigo-MT

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