Terça-Feira, 22 de Setembro de 2020

Economia
Terça-Feira, 21 de Julho de 2020, 05h:26

ENTREVISTA

Os representantes comerciais e a crise do novo coronavírus

Redação

Reprodução

Considerados desbravadores, os representantes comerciais terão que se reinventar para o “novo normal” que já está bem aí, batendo à nossa porta. São novos modos de se relacionar e, inclusive, de fazer negócios. O presidente do Sindicato dos Representantes Comerciais do Estado de Mato Grosso (Sirecom-MT), José Pereira Filho, falou dos impactos da pandemia para os representantes comerciais, dos desafios do presente e para o futuro, do uso da tecnologia a favor do segmento para que os representantes continuem sendo um dos maiores geradores de impostos e de emprego para o estado. Além disso, Pereira fala da atuação dos poderes públicos no estado e do impacto disso no comércio em geral, em especial nas empresas.

De que maneira o segmento representado sofreu com os impactos da pandemia?

Acredito que o comércio em geral sofreu e continua sofrendo com o atual cenário econômico e em especial, pelas medidas restritivas que nossa atividade vem enfrentando. Falando especificamente dos representantes comerciais, com exceção daqueles que atuam no segmento alimentício e de higiene, todos os demais estão sendo duramente penalizados com a pandemia. Muitos estão em situação extremamente crítica, pois sobrevivemos das comissões sobre as vendas, e sem poder vender há mais de três meses, o resultado não poderia ser outro.

Quais os desafios do representante comercial para fomentar as vendas no estado?

O momento atual realmente é desafiador para todos os empresários no mundo inteiro, mas em Mato Grosso, acredito que estamos padecendo muito mais, isso porque, infelizmente, os nossos governantes, tanto a nível estadual como municipal em Cuiabá, estão deixando a desejar. O maior desafio é ter um respiro, com linhas de crédito por exemplo. No entanto, o que mais faria diferença seria liberar a atividade econômica. O vírus está aí, já está circulando. Do jeito que as coisas estão sendo conduzidas, parece que a culpa é do comerciante, mas o que tenho visto, é o comércio tomando todas as medidas necessárias para garantir a segurança dos clientes e fornecedores. Proibir a nossa atividade só está piorando todo o panorama econômico, fazendo com que muitas empresas fechem as portas, demitam funcionários, sendo que alguns destes não conseguirão reabrir no pós-crise. Sendo assim, acredito que o maior desafio nem seja diretamente pelo risco do coronavírus, e sim em lidar com os impactos que essas medidas de restrição do comércio estão causando.

Como o senhor enxerga o futuro do segmento com as mudanças impostas neste momento da economia?

Vender é relacionamento, é criatividade e é ter coragem para seguir em frente

O representante comercial é e sempre será um desbravador. Quando as cidades ainda nem existiam nos mapas, já havia ali um representante comercial trabalhando, contribuindo com o progresso. Diante de toda essa mudança de comportamento do consumidor e das relações de consumo em si, também iremos nos reinventar. A tecnologia está aí, não para substituir nossa atividade, porque nada pode substituir esse contato direto entre fornecedor, fábrica e comércio. Mas sabemos que podemos utilizar essa tecnologia a nosso favor. Vender é relacionamento, é criatividade e é ter coragem para seguir em frente, em momentos bons e em momentos desafiadores como este em que estamos vivendo.

Qual a contribuição do segmento para a economia em Mato Grosso?

Nossa atividade profissional, a de representação comercial, está entre as que mais geram impostos para os cofres públicos. Somos também grandes geradores de emprego. Tudo isso mostra que nossa categoria contribui diretamente para o avanço da economia. O volume de ICMS gerado com o trabalho desenvolvido pelos representantes comerciais é extremamente significativo. É por isso que não entendemos a postura dos nossos governantes, já que, quando atuamos, todos saem ganhando. Parados temos grandes prejuízos e o governo por sua vez também deixa de arrecadar.

De que forma o sindicato atua para representar o segmento com relação às demandas políticas?

O Sirecom sempre foi muito atuante. Atualmente, fazemos parte, junto com outros 36 sindicatos de outros estados, do Fórum Sindical dos Representantes Comerciais. Além disso, também integramos a Câmara de Serviços através da CNC (Confederação Nacional do Comércio). Isso significa dizer que, além de atuarmos em nível regional, em prol de ações que possam a vir beneficiar nossa categoria, como isenção de impostos para compra de veículos novos e também isenção do mostruário, que é nosso material de trabalho, atuamos também em nível nacional. Sabemos da importância de unir forças para cobrar direitos e melhorias em políticas públicas, por isso, tanto o Fórum Sindical, quanto à Câmara de Serviços da CNC, são ferramentas que podem nos fortalecer e potencializar nossas reivindicações.

Como o senhor tem visto a atuação de nossos governantes nas tratativas para superar a crise?

Como dito em respostas anteriores, infelizmente, o governo tem atuado de maneira decepcionante. Eu percebo que o comércio está sendo duramente penalizado durante essa pandemia. Existe uma divergência entre poder público e judiciário, uma queda de braços onde nós, os empresários, ficamos no meio. A questão é que, se uma empresa fecha as portas, não é apenas aquele empresário que passará por dificuldades. Quando uma empresa fecha as portas, todos os funcionários que trabalham naquela empresa, também irão sofrer as consequências, além da fábrica que deixa de vender, o que gera uma cadeia de impactos negativo, proporcionando a alta no preço dos produtos e o consumidor também pagando mais caro. Precisamos de uma atuação mais firme do Governo do Estado, do prefeito de Cuiabá, a fim de garantir que possamos exercer nossa atividade, já que ninguém vai se responsabilizar em pagar nossas contas. (Fonte: Fecomércio)

 

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