Domingo, 16 de Dezembro de 2018

Cidades

Quarta-Feira, 07 de Março de 2018, 13h:13

CPI DO PALETÓ

Ex-servidor que ajustou câmera de vídeo diz que Emanuel não estava na lista

Jô Navarro

Câmara de Cuiabá

Valdecir Cardoso

Cuiabá - Na Câmara Municipal de Vereadores, a CPI do Paletó ouviu hoje (7) o ex-servidor do governo de Mato Grosso, Valdecir Cardoso. Ele foi o responsável por ajustar o equipamento de gravação que filmou deputados recebendo dinheiro de Silvio Corrêa. A CPI apura se o prefeito Emanuel Pinheiro, quando era deputado, cometeu quebra de decoro. Emanuel foi filmado guardando maços de dinheiro no bolso do paletó, daí o nome da CPI.

Ao longo da oitiva Valdecir foi questionado se sabia o que estava acontecendo na sala de Silvio Corrêa naquele dia da gravação, se o dinheiro entregue a Emanuel era propina e sobre o documento que registrou em cartório, no qual afirma que Emanuel tinha ido até o gabinete de Silvio Corrêa receber uma dívida do governador com seu irmão Marco Polo Pinheiro, o Popó.

Valdecir foi categórico ao afirmar que Emanuel Pinheiro não recebeu propina, mas caiu em contradição ao detalhar o registro do documento em cartório. Disse que foi espontaneamente ao cartório, sozinho, sem a companhia de qualquer pessoa ligada ao hoje prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro. “Fiz a declaração em cartório simplesmente porque achei que estava errado. Não era pertinente aquela gravação estar sendo feita lá. Emanuel não estava para ser ouvido aquele dia”, disse.

Valdecir admitiu ser filiado ao MDB, mesmo partido de Emanuel Pinheiro, e trabalha no gabinete do deputado estadual Romoaldo Júnior, também do MDB. Afirmou ser amigo de Silval Barbosa e Silvio Corrêa, mas decidiu registrar o documento por ter certeza que o dinheiro recebido por Emanuel Pinheiro naquele dia era para pagar Popó, que frequentemente ligava cobrando a dívida referente a pesquisas.

Questionado, respondeu que chegou a esta conclusão porque Silvio chegou a comentar: 'Deve ser o negócio do Popó'. “Vi o Emanuel lá aquele dia. Ele chegou pela recepção principal. Não estava junto com os demais deputados que estavam atrás, no Palácio. Estranhei presença dele, porque não era para ele estar lá naquele dia”, disse o ex-servidor. “Eu perguntei ao Silvio se ele atenderia o Emanuel. E ele disse que não. Nesse momento pedi para o deputado aguardar. Depois o Silvio disse: ‘manda ele entrar logo, vou resolver logo’.

“Neste dia, estava meio tumultuado lá atrás, porque tinha uma agenda lotada de vários deputados. Emanuel não estava na relação de pessoas que era para estar lá”, afirmou o servidor.

Valdecir afirmou ter presenciado conversa entre Popó e Silvio. Na ocasião, Silvio pagou por pesquisas com alguns cheques sem fundo, motivando dezenas telefonemas de Popó cobrando a dívida.

A oitiva desta manhã foi tensa em alguns momentos, com provocações entre os vereadores.

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