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Segunda-Feira, 02 de Setembro de 2019, 06h:15

DIA DO FOGO

Jornalista que noticiou "Dia do Fogo" é ameaçado e perseguido em Novo Progresso

Jô Navarro

Reprodução

O jornalista Adécio Piran, proprietário do jornal Folha do Progresso, que circula no município de Novo Progresso, no Pará, foi alvo de ameaças nas redes sociais com a postagem de um folheto que foi distribuído na cidade, onde é exibida a sua foto com um texto que o acusa de ser estelionatário e responsável por incêndio criminoso.

Piran registrou Boletim de Ocorrências na Polícia Civil de Novo Progresso, que deu início às investigações e já identificou o responsável pelas ameaças, Donizete Severino Duarte. As investigações apontaram que as ameaças foram feitas por meio de um grupo de Whatsapp denominado "Direita Unida Renovada", administrado por Duarte. Ele foi intimado a comparecer à delegacia onde prestou depoimento e foi responsabilizado pelas ameaças. O procedimento seguiu para a Justiça, segundo a PJC.

A autoria do panfleto difamatório continua em investigação.

Arquivo pessoal

Adecio Piran

 

Boicote
Adécio Piran também denunciou que os anunciantes do jornal Folha do Progresso estão sendo ameaçados para retirarem apoio ao jornal que circula há 20 anos no município.

Leia também: Polícia identifica e prende suspeitos de incendiar floresta no Pará

Dia do Fogo
Antes do pico de incêndios no Pará o jornalista publicou a notícia de que um grupo de ruralistas estavam se organizando por meio do Whatsapp para realizar o que chamaram de Dia do Fogo. O grupo com cerca de 70 pessoas planejouação coordenada para incendiar as matas ao longo da BR-163 "para chamar a atenção do presidente Bolsonaro" e mostrar que querem produzir.

No dia marcado para a ação criminosa coordenada, 10 de agosto, e nos dias posteriores, o Inpe registrou um incremento significativo nas queimadas principalmente nos municípios de Novo Progresso e Altamira, ambos cortados pela BR-163 e campeões de desmatamento na região amazônica. De acordo com o Inpe, Novo Progresso teve 124 registros de focos de incêndio no “dia do fogo”, um aumento em 300% em relação ao dia anterior. No dia seguinte foram 203 focos. Em Altamira, os satélites detectaram 194 focos de queimada em 10 de agosto e 237 no dia seguinte, um aumento impressionante de 743% nos focos de incêndio.

MPF

O MPF/PA está investigando o Dia do Fogo e solicitou ao INPE dados sobre as queimadas no mês de agosto. O MPF também investiga a retirada de apoio da Polícia Militar às fiscalizações do Ibama, supostamente determinadas pelo governador Helder Barbalho (MDB).

 

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