Quarta-Feira, 11 de Dezembro de 2019

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Segunda-Feira, 22 de Julho de 2019, 10h:37

BOLSONARO FORA?

Huck, Tabata, Moro, Doria e Kajuru são tidos como players da disputa presidencial

Jornal Opção

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Kajuru, Luciano Huck, Doria e Moro

Nem chegou a eleição para prefeito e políticos nacionais começam a encomendar pesquisas sobre viabilidade eleitoral para presidente da República. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) planeja disputar a reeleição, tanto que já está em campanha, comportando-se mais como candidato do que como presidente. Não só: com certa habilidade, para manter ao menos parte do eleitorado — já que a crise econômica não foi debelada e está derrubando seu índice de popularidade — age como se fosse governante e seu próprio opositor.

Ante a possibilidade de Jair Bolsonaro chegar fragilizado em 2022, talvez seja possível trocá-lo por Sergio Fernando Moro, que a Vaza Jato está transformando em herói nacional. Porque a população — não os formadores de opinião que escrevem em jornais e blogs e cobram uma perfeição que não existe na vida real — raciocina mais ou menos assim: para combater o crime organizado (parte da política é mafiosa) vale quase tudo, menos roubar. E roubar, Sergio Moro, assim como Deltan Dallagnol, não roubou. Trata-se de pragmatismo absoluto e realpolitik do bom senso.

Sergio Moro não é político, mas seu perfil, até por ser mais consistente do que Jair Bolsonaro, pode agradar os eleitores. No momento, supera o presidente e é popularíssimo.

As pesquisas sugerem que ao menos cinco políticos podem ser adversários de Jair Bolsonaro e de Sergio Moro.

João Doria Jr., governador de São Paulo |Foto: Luigi Brugnaro.

O primeiro é o governador de São Paulo, João Doria Jr. (PSDB). Se conseguir expurgar os lava-jateiros do PSDB, como o deputado federal Aécio Neves, tem chance de se tornar consistente eleitoralmente. Entretanto, se for para a campanha tendo como “parceiros” Geraldo Alckmin e Aécio Neves, ainda que mantidos à parte, terá de passar o tempo todo se explicando. E, candidato que tem de se explicar, em plena campanha, não tem tempo para ganhar eleição.

Luciano Huck, apresentador do programa Caldeirão do Huck, da Globo | Foto: Reprodução

Luciano Huck, cotado para se filiar ao Novo, tem perfil semelhante ao de João Doria, o que pode prejudicar os dois. Mais adequado seria uma composição, com Huck aceitando a vice. Mas, dependendo das pesquisas, o apresentador de televisão não aceitará o posto secundário. A tendência é que candidatos de perfis similares — políticos que, a rigor, não são vistos como políticos (caso também de Sergio Moro) — se esvaziem.

Tabata Amaral, deputada federal do PDT | Foto: Reprodução

A deputada federal Tabata Amaral tende a se tornar mais popular do que Ciro Gomes, o Sr. Agressividade. O PDT certamente vai bancar Ciro Gomes em 2022, possivelmente para perder mais uma vez. Investir em Tabata Amaral, mais suave e focada em determinados assuntos — como educação —, poderia render mais frutos. Mas, como não está bem no partido, depois de ter votado a favor da Reforma da Previdência, tende a disputar, se disputar, a Prefeitura de São Paulo.

A rigor, o PDT precisa de Tabata Amaral, para limpar sua imagem de partido fisiológico — não se fala em “punir” filiados que são réus em processos judiciais —, mas seus líderes, que são menores, exceto Ciro Gomes e Cid Gomes, não querem que cresça tanto. Teme-se o surgimento de uma Brizola de saia.

O perfil de Tabata Amaral não difere muito dos perfis de Sergio Moro, Luciano Huck e João Doria — políticos que não têm cara de políticos tradicionais.

João Amoêdo, que foi moído na última eleição, certamente será atropelado pelas figuras novas, como Sergio Moro, Luciano Huck e, talvez, Tabata Amaral, ou quase novas, como João Doria.

Jorge Kajuru, senador | Foto: Reprodução

Não deixa de ser curioso que o nome do senador Jorge Kajuru (sem partido) tenha aparecido nas pesquisas feitas nos Estados do Sudeste. É visto como um político da mesma linhagem de Sergio Moro, Luciano Huck, Tabata Amaral e João Doria, quer dizer, a dos que não têm envolvimento com corrupção e pertencem à nova geração.

Ciro Gomes: líder do PDT | Foto: Reprodução

Frise-se que, como Jair Bolsonaro não emplacou, ao menos até agora, não se deve subestimar Ciro Gomes. Se o político pedetista aceitasse conselhos dos marqueteiros, para, sem deixar de ser firme e posicionado, suavizar a linguagem — como parar de chamar adversário de “imbecil” e “anta” —, talvez se tornasse mais palatável à maioria dos eleitores. A imagem cristalizada do Ceará, que tem certo preparo, é que se trata de um grosseirão. Na verdade, é melhor do que demonstra, mas o que aparece, cristalizado, é o demonstra — o Bolsonaro da esquerda.

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