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Quarta-Feira, 12 de Setembro de 2018, 06h:25

OPERAÇÃO VOSTOK

Governador de MS, Legislativo, TCE e pecuaristas são alvos de operação da PF

PF investiga pagamento de propina a representantes da cúpula dos Poderes Executivo, Legislativo estaduais, além do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul.

Redação com Agências

Reprodução

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (12) uma operação em Campo Grande (MS). O governador do estado, Reinaldo Azambuja (PSDB), foi alvo de busca e apreensão. Agentes federais estiveram na casa do governador e governadoria do estado.

Os mandados foram  expedidos pelo ministro Félix Fischer do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A operação está baseada em denúncias que constam na delação premiada de Joesley e Wesley Batista, da JBS, de suposto pagamento de propinas.

Azambuja é candidato à reeleição.

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã de hoje (12/9), "operação Vostok*, com o objetivo de combater um esquema de pagamento de propina a representantes da cúpula dos Poderes Executivo e Legislativo estaduais, além do Tribunal de Contas do Estado,  no Mato Grosso do Sul.

O inquérito foi autorizado e tramita perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, que decretou as medidas em cumprimento. Aproximadamente 220 policiais federais cumprem 41 mandados de busca e apreensão e 14 mandados de prisão temporária, na capital do estado e nos municípios de Aquidauana, Dourados, Maracaju, Guia Lopes de Laguna; e Trairão no Estado do Pará. São alvos das medidas os endereços residenciais e comerciais dos investigados e os seus locais de trabalho.

As investigações foram iniciadas no início deste ano, tendo por base os termos de colaboração premiada de executivos de uma grande empresa do ramo frigorifico. Os colaboradores detalharam os procedimentos adotados junto ao governo do Estado para a obtenção de benefícios fiscais - TARE's.

Segundo apurado, do total de créditos tributários auferidos pela empresa dos colaboradores, um percentual de até 30% era revertido em proveito da organização criminosa investigada. Nos autos do inquérito, foram juntadas cópias das notas fiscais falsas utilizadas para dissimulação desses pagamentos e os respectivos comprovantes de transferências bancárias.

Apurou-se também que parte da propina acertada teria sido viabilizada antecipadamente na forma de doação eleitoral oficial, ainda durante a campanha para as eleições em 2014. Alguns pagamentos também teriam ocorridos mediante entregas de valores em espécie, realizadas nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, no ano de 2015.

Dentre os alvos da operação, estão pecuaristas locais responsáveis pela emissão das notas fiscais “frias”, inclusive, um deputado estadual e um conselheiro do Tribunal de Contas Estadual. Também emitiram notas fiscais frias para dissimulação do esquema de pagamento de propina outras empresas do ramo agropecuário e frigorifico.

Em razão dos acordos de benefícios fiscais concedidos pelo governo estadual, somente nos dois primeiros anos da gestão atual, a empresa frigorífica teria deixado de recolher aos cofres públicos um montante de mais de R$ 200 milhões. No bojo da ação de hoje, foram cumpridos, ainda, três mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Estadual do Mato Grosso do Sul, no interesse da Promotoria do Patrimônio, cujo objeto vincula-se aos fatos investigados pela Polícia Federal.

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