Terça-Feira, 26 de Maio de 2020

Brasil

Domingo, 17 de Maio de 2020, 11h:03

INTERFERÊNCIA NA PF

"Foi Ramagem quem comandou a operação cujo desdobramento produziu o primeiro relatório sobre Fabrício Queiroz"

A PGR deve se manifestar sobre a denúncia e peticionar a Celso de Mello para que Paulo Marinho seja ouvido

Jô Navarro

Reprodução

Alexandre Ramagem

Em entrevista que concedeu à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, o empresário Paulo Marinho, suplente de Flávio Bolsonaro, fez revelações bombásticas que podem influenciar o inquérito que apura se o presidente Jair Bolsonaro interferiu politicamente na Polícia Federal.

Paulo Marinho revelou que um delegado da PF no Rio de Janeiro vazou para Flávio Bolsonaro, entre o 1º e 2º turno das eleições em 2018, que seria deflagrada a operação Furna da Onça, que tinha Fabrício Queiroz como um dos alvos. O delegado disse a Flavio que apoaiva a candidatura de Jair Bolsonaro e que atrasaria a operação para não influenciar a eleição.

Na entrevista, Paulo Marinho não cita o nome do delegado que vazou a informação. Mas uma reportagem publicada pela Folha Press dias antes revela que Alexandre Ramagem, o pivô da crise que resultou no pedido de demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça, revela: "Foi Ramagem quem comandou a operação cujo desdobramento produziu o primeiro relatório sobre Fabrício Queiroz, suspeito de ser o operador da "rachadinha" no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro".

Diante da gravidade desta revelação, a PGR deve se manifestar sobre a denúncia e peticionar a Celso de Mello para que Paulo Marinho seja ouvido. Se não fizer, a defesa de Sergio Moro o fará.

QUEM É ALEXANDRE RAMAGEM

Segundo reportagem de GUSTAVO URIBE E ITALO NOGUEIRA publicada pela Folha Press no dia 28 de abril de 2020, "Alexandre Ramagem integrou, em 2017, a equipe responsável pela investigação e inteligência de polícia judiciária na Operação Lava Jato. Em uma das ações que comandou, a Operação Cadeia Velha, ocorreu a prisão de integrantes da cúpula da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Em 2018, antes de atuar na segurança de Bolsonaro, assumiu a Coordenação de Recursos Humanos da Polícia Federal, na condição de substituto. Após a eleição, em janeiro de 2019, foi para Secretaria de Governo e, de lá, para a Abin.

Foi Ramagem quem comandou a operação cujo desdobramento produziu o primeiro relatório sobre Fabrício Queiroz, suspeito de ser o operador da "rachadinha" no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Ramagem foi o responsável na PF pela Operação Cadeia Velha, que prendeu em novembro de 2017 três deputados estaduais da cúpula do MDB-RJ (Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi). Na ocasião, o delegado era o responsável por coordenar o trabalho da PF junto ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região, no Rio de Janeiro foro no qual os deputados foram investigados.

A segunda fase dessa investigação foi a Furna da Onça, cujo início contou com o relatório federal que citava as movimentações suspeitas de R$ 1,2 milhão de Queiroz e outros 74 assessores de deputados da Assembleia.

Ramagem não atuou na Furna da Onça na PF e encerrou seu relatório sobre a Cadeia Velha em dezembro de 2017. O relatório federal de inteligência financeira que indicou a movimentação de Queiroz foi produzido e enviado aos órgãos de investigação em janeiro de 2018."

 

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