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Brasil

Quarta-Feira, 02 de Janeiro de 2019, 16h:51

CORRUPÇÃO

“Brasil foi corrompido pelo excesso de gastos”, diz Paulo Guedes

Redação

Reprodução

Ministro Paulo Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quarta-feira, durante cerimônia de transmissão de cargo, que é preciso aprofundar reformas para resolver o problema fiscal. De acordo com Guedes, o Brasil foi “corrompido pelo excesso de gastos” e o descontrole é hoje um mal maior Na avaliação dele, a crise fiscal é o principal entrave para o crescimento do país há pelo menos quatro décadas. Ele defendeu que a principal reforma é a da Previdência. Criticou ainda a aposta em um Estado que atue como motor do crescimento e defendeu a economia de mercado.

— Essa insistência no Estado como motor de crescimento produziu essa expansão de gastos públicos, corrompendo a política e estagnando a economia. São dois filhos bastardos do mesmo fenômeno. O Brasil parou de crescer pelo excesso de gastos — disse o ministro.

— O Brasil deixará de ser o paraíso do rentista e o inferno de os empreendedores — afirmou, completando: — Quem legislativa tem as maiores aposentadoria, quem julga as maiores aposentadorias, e o povo as menores. Nós vamos ter que fazer a reforma da Previdência.

— A máquina do governo virou uma gigantesca máquina perversa de transferência de renda — disse, acrescentando: — Não foi com microcrédito que os bancos públicos se perderam.

Para o ministro, é necessário descentralizar os recursos:

— Nós vamos da direção da liberal democracia. Nós vamos descentralizar os recurso para estados e municípios — disse Guedes.

Guedes disse que a classe política precisa reassumir o controle do Orçamento.

— O capitão (o presidente Bolsonaro) pode ser o caminho para a reabilitação da classe política, assumindo o Orçamento, os ônus e bônus.

Ele também defendeu um novo pacto federativo, com mais dinheiro para governos regionais.

— O Brasil é uma pirâmide de cabeça pra baixo. A nossa ideia é virar essa pirâmide. O dinheiro tem que descer.

‘Plano B’ para Previdência
Embora tenha defendido que a reforma da Previdência é a principal medida, Guedes afirmou que, se as reformas não funcionarem, tem uma proposta de emenda à Constituição (PEC) pronta para lidar com o descontrole dos gastos: desvincular todas as despesas do Orçamento, incluindo salários de servidores. Na prática, isso abriria margem para que benefícios previdenciários e salários de servidores não sejam reajustados nem pela inflação.

— Essa primeira grande despesa, que é a despesa da Previdência é o primeiro e maior desafio a ser enfrentado. Se for bem-sucedido esse enfrentamento, a dois meses a nossa frente, temos dez anos de crescimento sustentável pela frente. Se não for, temos sugestões também. (…) Se isso falhar, temos uma PEC também. Porque essas despesas vão se chocar contra o teto. E aí tem que escolher, ou segura o teto, desindexa, desvincula e desobriga todas as despesas da União. Reabilita a classe política brasileira, tem que sair e fazer as escolhas.

Guedes completou que a espécie de “plano B” em caso de falha da Previdência poderia ter um efeito positivo para a economia.

— O bonito é que se der errado pode dar certo. Chamaria essa PEC de PEC do pacto federativo — completou o ministro.

O ministro disse que a abertura econômica será atrelada à simplificação de impostos e encargos trabalhistas:

— Não posso abrir a economia… Você amarra uma bola de ferro na perna direita, os juros altos, uma na perna esquerda, carga tributária e um piano nas costas, os encargos trabalhistas e diz: corre que o chinês vai te pegar. Não é razoável. Não tem nada de superministérios. É só cantar a mesma música e daí eu ter chamado os Chicago Oldies, porque eles conhecem essa canção.

Guedes recebeu os cargos dos antigos ministérios da Fazenda, do Planejamento e da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, que foram reunidos na Economia. Ele também irá ficar com algumas das atribuições do extinto Ministério do Trabalho. A cerimônia foi acompanhada pelos secretários especiais que ficarão sob o comando de Guedes.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), participaram da cerimônia de transmissão de cargo.

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