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Brasil

Sexta-Feira, 17 de Maio de 2019, 06h:17

ECONOMIA

Bolsa cai para 90 mil pontos e dólar fica acima de R$ 4

ROSANA HESSEL

Arquivo/Agência Brasil

A maldição de maio está firme e forte. A falta de traquejo político do governo derrubou a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) e ajudou a desvalorizar o real frente ao dólar nesta quinta-feira (16/05).  O Índice Bovespa (Ibovespa) desabou 1,75%, encerrando o pregão nos 90.024 pontos, a menor pontuação durante a administração de Jair Bolsonaro. O dólar subiu 1%, encerrando a R$ 4,04 para a venda.
Esse é maior valor da divisa norte-americana desde 25 de setembro de 2018. “Voltamos ao patamar pré-eleição, quando as incertezas eram enormes no mercado”, comparou Gustavo Cruz, economista da escola de negócios Proseek. O medo é de que a forte alta do dólar pressione a inflação num momento em que o mercado discute a possibilidade de o Banco Central voltar a cortar a taxa básica de juros (Selic).

O cenário externo estava mais favorável hoje, com as bolsas dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia em alta, devido ao arrefecimento momentâneo nas tensões entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e os chineses. Esse desempenho evitou algo pior. “Esse ambiente menos tenso lá fora ajudou a evitar que as quedas da B3 e do real não fossem ainda maiores”, avaliou Pablo Spyer, diretor da corretora Mirae Asset.

Segundo ele, além de toda a tensão em relação ao governo, pois a reforma da Previdência pode atrasar muito mais que o previsto, a queda do Ibovespa foi puxada, pela desvalorização das ações da Vale, que admitiu, nesta tarde, novo risco de rompimento de outra barragem em Barão de Cocais (MG). A empresa emitiu um sinal de alerta que deixou os investidores em pânico. A mineradora é responsável pelos dois maiores desastres ambientais do país, o de Mariana e o de Sobradinho.

Quanto ao dólar, a tendência de alta se mantém, pois não se espera uma trégua na política. O que se vê é um governo cada vez mais desgastado no Congresso, e, pior, envolvido em denúncias de irregularidades. O filho mais velho do presidente, o senador Flávio, é acusado pelo Ministério Público de ter se beneficiado de um esquema de rateio de salários de servidores de seu gabinete, quando deputado estadual no Rio, e usado o mercado de imóveis para dar legalidade aos recursos.

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