Domingo, 17 de Dezembro de 2017

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Sábado, 07 de Outubro de 2017, 10h:03

JUACY DA SILVA

Políticas e estratégias nacionais

Juacy da Silva

Arquivo pessoal

Juacy da Silva

Costuma-se dizer que o Brasil possui várias características. Alguns dos estudiosos de nosso país, como Jacques Lambert que escreveu o memorável livro “Os dois brasis”, um pobre e outro rico; um que se apropria das riquezas nacionais e outro que é excluído, outros economistas como Celso Furtado que enfatizou a questão das desigualdades regionais, outros enfatizaram as relações centro periferia, tomando como contexto as relações internacionais e o espaço ocupado por nosso país no concerto das diversas nações.

Para diversos pesquisadores mais contemporâneos o importante é destacar as questões de gênero, de raça e etnia e voltar a reforçar a dicotomia de classes como referências fundamentais para entender nossa realidade e, a partir deste contexto poder ser elaborado um projeto de nação ou projeto nacional de desenvolvimento, que não seja excludente para a maioria do povo brasileiro, como acontece na atualidade.

A ausência de um projeto nacional de desenvolvimento que alcance ou abranja as diversas esferas ou expressões do poder nacional tem sido substituído por improvisações, pela descontinuidade das ações públicas como balizadoras de um planejamento estratégico ou o que é denominado de planejamento de longo prazo, planejamento este que deve ser de estado, onde o planejamento de sucessivos governos sejam etapas de uma caminhada mais longa, duas ou três décadas no mínimo.

Para que seja elaborado um projeto nacional de longo prazo, precisamos enfatizar muito mais as políticas e estratégias nacionais, onde as ações dos governos federal, estaduais e municipais sejam articuladas, integradas e compatibilizadas em termos de diagnósticos, recursos financeiros, orçamentários, humanos e tecnológicos, os correspondentes planos, programas, com objetivos, metas e indicadores para que possam ser avaliados e corrigidos os rumos a tempo.

O que vemos nas últimas três décadas, que podemos tomar como pontos de referência a promulgação da atual constituição federal em 1988, a “redemocratização” e o tão sonhado estado democrático de direito e o ano atual, ou mesmo o próximo ano de 2018, quando termina mais um período governamental nas esferas federal e estaduais, já que continuamos com esta aberração política de eleições municipais na metade dos mandatos dos governos estaduais e muitas outras aberrações políticas como a corrupção endêmica e epidêmica que assola o Brasil, de norte a sul, de leste oeste, em todos os estados, municípios e nos diversos poderes do Estado, é um estado paquiderme, moroso, ineficiente, perdulário, opaco , cujas entranhas ou estruturas foram capturados por uma “classe política” corrupta, integrada por agente, incluindo gestores e quadros partidários vorazes para assaltar os cofres públicos. São 3 décadas, trinta anos de domínio da corrupção e do crime organizado de colarinho branco dirigindo os destinos nacionais.

Nossos governantes e gestores, principalmente seus asseclas, tomaram de assalto o país e transformaram o estado, as instituições e a população como reféns, da mesma forma que a bandidagem do crime organizado faz de refém populações inteiras em favelas, hodiernamente e eufemisticamente denominadas de “comunidades”. Existe uma grande semelhança no que acontece na Rocinha, no Rio de Janeiro e em Brasília e nas capitais dos Estados, uma verdadeira Guerra de quadrilhas.

O tempo que deveria ser utilizado pelos governantes e gestores para bem gerir e implementar políticas públicas, suas correspondentes estratégias e as ações decorrentes, geralmente é utilizado para montar esquemas fraudulentos e corruptos de como tirar proveito de seus cargos e posições, loteando a administração pública, assaltando os cofres públicos, extorquindo empresários ou quem necessita realizar atividades econômicas ou sociais com os poderes públicos.

Exemplos como dos estados do Rio de Janeiro, de Mato Grosso e de vários outros estados e também o que acontece no Congresso Nacional, tanto na Câmara Federal quanto no Senado, onde os governos ou seja, o poder é utilizado para enriquecimento pessoal, de famílias ou grupos ideológicos, partidários. Os exemplos mais típicos são as quadrilhas comandadas de dentro dos palácios, onde as políticas públicas, as licitações são geridas `a base da propina e das negociatas, muito longe do espírito democrático e republicano.

O balcão de negócios que tomou conta dos palácios do Jaburu, onde um mega empresário corrupto chegou a gravar o Presidente da República, do Planalto, onde a agenda do Presidente é recheada de reuniões com parlamentares que trocam o apoio político e parlamentar, para salvar o mandato espúrio do atual mandatário, por cargos para seus apaniguados e liberação de emendas; a forma criminosa como nos governos Lula, Dilma e Temer preencheram cargos importantes nas estatais, bancos oficiais, ministérios, as denúncias, investigações, condenações e prisões de ex ministros, ex parlamentares, ex governadores, ex secretários, ex gestores e empresários que faziam e fazem parte de quadrilhas de colarinho branco são as provas de que estamos sendo governados não por estadistas mas por criminosos que estão levando o país, os estados e municípios ao fundo do poço, um verdadeiro mar de lama.

Diante de um quadro desses pouca esperança resta ao país e ao povo de que uma mudança significativa de rumo possa ocorrer em futuro próximo. Muita gente nutre a esperança de que este nó possa ser desatado com as eleições de 2018. Todavia, os atores e candidatos serão os mesmos que estão aí, mandando, desmandando e manipulando o cenário político nacional.

Alguém acredita que é possível que a raposa possa bem cuidar do galinheiro e das galinhas? Ou que o vampiro seja um bom gestor do banco de sangue? Com a palavra os leitores, eleitores e contribuintes.

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