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Sexta-Feira, 17 de Maio de 2019, 09h:22

OPINIÃO

O país do futuro começa em 2019

Mateus Bandeira

Reprodução

Mateus Bandeira, Consultor de empresas

Em 129 anos de República, talvez nunca tenhamos chegado a uma condição tão favorável de, finalmente, deixarmos de ser o eterno país do futuro para nos tornarmos o próspero e justo Brasil do presente. As condições começaram a ser dadas em 2013, quando multidões foram às ruas dizer “basta”. As eleições de 2018, cinco anos depois, sacramentaram o desencanto dos brasileiros para com a velha política e a vontade de mudança. A maioria cansou e deixou de ser silenciosa.

Matriz corrupta

A eleição do presidente Jair Bolsonaro não foi vitória de um homem só. Antes, representou o rompimento com o passado de ideologias superadas, fincadas no século 19 e mantidas à base da corrupção arraigada em nossa matriz política. Essas ideologias foram apoiadas durante 13 anos pelo PT, partido que visa à hegemonia autoritária e à reedição de sistemas de governo que, comprovadamente, deram errado onde foram implantados mundo afora. Esse modus operandi foi reprovado pelas urnas. A maioria dos brasileiros disse “não”.

Trata-se de um passo fundamental rumo ao Brasil que almejamos. Mas isso não basta para sepultarmos em definitivo a velharia ideológica e o flerte com o autoritarismo, características dos regimes de esquerda. Por isso, é essencial que o novo governo consolide e amplie o indispensável apoio dos eleitores para virar a página do Brasil disfuncional, obeso, ineficiente, paraíso dos privilégios, da corrupção e da impunidade, capturado e dirigido por oligarquias políticas, pelas corporações de servidores públicos e pelos nichos empresarias escolhidos pelos governos para “dar certo”.

É preciso a Bolsonaro a percepção de que ele não é a ideia, mas o portador da ideia de mudança. Seguir a trilha apontada pelo Brasil que o elegeu é o caminho para o progresso. Em paralelo, o presidente terá de ajustar a política. Relacionar-se com o Congresso Nacional avizinha-se, provavelmente, como uma de suas mais difíceis tarefas. Quebrar o vínculo pernicioso do toma-lá-dá-cá – que pela primeira vez não marcou a escolha dos ministros – vai exigir habilidade e disposição hercúleas. É o caso da inarredável reforma da Previdência, cuja palavra final é do Parlamento.

Mecanismo injusto

Mais do que imperioso ajuste fiscal, reformar a Previdência significa justiça social. As corporações e os partidos apaniguados convenceram parte da população de que a reforma representa perda de direitos. Nada mais falso. Ela não rasga direitos, mas ceifa privilégios.

Hoje, o Brasil gasta a enormidade de 13% do PIB numa Previdência deficitária. Mas, pior do que isso, gasta mal, pois boa parte desses recursos segue direto para o bolso das elites dos servidores. Pura iniquidade. Engessados pela Constituição, esses privilégios perpetuam mecanismos de injustiça e desigualdade.

Assim, essa é a primeira e mais urgente das reformas. Aprovando-a, Bolsonaro garantirá um início de governo promissor, destravando investimentos represados e sedimentando as expectativas positivas dos cidadãos de bem e de empresários. Se quiser acertar e plantar a semente do Brasil do século 21, é essencial que Bolsonaro concentre-se nas prioridades e se esmere por implementá-las.

A receita foi sintetizada no contundente discurso de posse do ministro Paulo Guedes: reforma da Previdência, privatizações, desburocratização e simplificação tributária. São medidas difíceis, mas que conduzem ao caminho da prosperidade, qual seja, destravar a livre iniciativa e transformar o país numa verdadeira economia de mercado.

Liberdade

Chega de reprisar o que deu errado. O filme a que queremos assistir nos próximos quatro anos é do desmonte do Estado mastodôntico tirando o fardo do Estado de sobre as costas largas dos brasileiros. Burocracia estatal, além de atravancar a vida de todos, produz corrupção, pois, quanto maiores as dificuldades que a máquina pública impõe, maiores as chances que um parlamentar ou um burocrata têm de lucrar com a intermediação de favores.

Privatizações, concessões e parcerias devem deixar de ser palavrões. Afinal, na maioria das áreas, dificilmente o Estado (repleto de amarras) fará melhor do que a iniciativa privada (ágil e inovadora). A primazia do Estado justo é oferecer plena igualdade de oportunidades, essência do liberalismo. Menos Estado, mais liberdade, direitos e deveres iguais para todos. O ano de 2019 pode, assim, transformar-se no início de um período virtuoso. Para, no final, que espero seja breve, usufruirmos o Brasil do presente – justo e próspero.

Por Mateus Bandeira, Consultor de empresas, ex-CEO da Falconi, ex-presidente do Banrisul e ex-secretário de Planejamento do RS. Foi candidato pelo NOVO ao governo do RS

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